segunda-feira, 1 de março de 2010

Rafa passa mal



Rafa, o cãozinho shi-tsu lá de casa, passou mal nessa segunda-feira. Minha mulher me disse que encontrou o sofá da sala sujo de vômito. Fiquei surpreso de encontrar Rafa ainda vivo, porque minha mulher tem um ciúme danado do sofá da sala. É um sofá bem chique, remonta ao tempo do casamento. Ou seja, é um sofá velho muito amado, que minha mulher mandou cobrir de um tecido e de uma cor que estão super na moda. Está tão na moda que a Mulher do Cabeça também colocou uma capa bem parecida no sofá da varanda do apê dos Cabeça. Aliás, nessa varanda “chez Cabeça” tem também um São Francisco de barro enorme, é quase do tamanho do meu filho de seis anos. Deixei uma moeda de um real pro santo quando estive lá, no último sábado. O Cabeça disse que não precisava, mas com santo, mesmo de barro, o melhor é não vacilar.

Recebi a notícia do vômito do Rafael na hora do almoço, o que não afetou o meu apetite. Mas, como já disse e continuo a dizer, fiquei bem surpreso de encontrar Rafa ainda vivo. Ele sequer estava triste, o que mostra a diferença de tratamento que existe entre cachorros e um macho alfa como o modesto Careca que vos fala. Na última vez em que deixei cair um baconzito em cima daquele sofá quase levei umas duas ou três chineladas. Sem contar as broncas. Mas não gosto de falar nisso, hoje já estou bem treinado.

Tentamos imaginar porque o Rafa passou mal. O meu primeiro palpite teve a ver com o que aconteceu no domingo, na casa da minha sogra. Lá existe uma gata siamesa de uns doze anos de idade chamada Vic, abreviação de Victória. É bem tinhosa, a Vic. Ela tem uma noção de espaço muito bem desenvolvida. E o Rafa acha que é o bam-bam-bam da cocada preta.

A minha teoria é de que o Rafa experimentou a comida da Vic numa hora em que ela não estava olhando. Depois, numa hora em que a Vic estava olhando, Rafa levou umas arranhadas singelas no lombo. Foi salvo pela minha filha, que me chamou para tirar o Rafa das garras da gata. Ele teria se machucado mais se a gata não fosse tão idosa quando o sofá da minha sala e condescendente com a juventude. Vic está meio grisalha e com um ar professoral. Ela está mais para educadora do que gata vingativa. Além disso, a aparência de Floquinho também ajuda o Rafa a se livrar de arranhões. Não é fácil cravar as unhas naquela bola de pêlos.

Pensando bem, Rafa é duplamente felizardo. Não tem medo de experimentar pratos diferentes. Tem o paladar aberto a novas sensações, ainda que elas lhe custem umas bordoadas nas orelhas. E não leva chineladas quando suja o sofá. Bronca não tem jeito, né?

Minha mulher não gosta de tergiversações. Para ela, o Rafa engasgou com alguma coisa. Ela já tirou plástico, papel, indiozinho, batman, boneca de pano, de plástico, gúgou, roda de carrinho, espada, meia, lego, bola de árvore de natal, escova, galho, graveto, tubo de cola e a miniatura da Torre Eiffel que eu trouxe de Paris de dentro da boca do Rafa. (Sim, eu sei que é o cúmulo do exibicionismo, mas um dos motivos de se ter blog é que você pode extravasar a sua vaidade quando der na telha e fingir que você é um cidadão do mundo, rárárá. )

É lógico que eu dei toda razão para a minha mulher. Até porque encontrei a Torre Eiffel atrás do sofá. E só para me exibir mais um pouco, desenhei essa torrinha aí de cima.

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