domingo, 30 de novembro de 2008

A piada que eu ia contar para o Cabeça

No sábado foi meio complicado, porque eu estava com muita fome e nem consegui conversar direito com ninguém. O que está acontecendo é que os meus finais de semana estão super-esprimidos de coisas que eu deixei acumular para fazer. E nem pude tomar nenhuma cerveja, de medo de blitz com bafômetro.

Mas essa aí embaixo era a piada que eu queria ter contado para o Cabeça, que tem uma excelente risada. Acabei esquecendo. Falamos de coisas sérias e das tragédias que acontecem no país. E isso tira um pouco da vontade de dizer coisas engraçadas e falar bobagem. É difícil relaxar também. Falamos ainda de marimbondos, pois a mesa do restaurante onde almoçamos era no meio de um jardim. E havia uma árvore muito grande. No alto, bem lá em cima, havia uma caixa enorme de marimbondos. Com marimbondos, eu não brinco. Uma vez quase morri por causa de marimbondos.

É lógico que para publicar a piada abaixo eu tive que retirar uma porção de indicações de que o dono do animal em questão nasceu numa parte injustamente discriminada do País. Tudo por conta das opções sexuais de alguns dos que ali nascem e aprendem, desde cedo, a pedir bombachas emprestadas.

Não, espere aí. Primeiro, acho esse negócio de bairrismo uma cafonice. Mas, como qualquer outro assunto, admito que o bairrismo, o preconceito, o queijo de Minas e o bicho de pé costumam render algumas piadas. Se essas piadas são boas ou não, depende muito de quem conta, da maneira e do momento em que são contadas. O Costinha contaria essa muito bem.

Na sala de espera de um consultório veterinário, um gato conversa com um cão pastor alemão.
- Eu estou aqui para ser castrado - dizia o gato.
- Por quê? - perguntou o pastor alemão.
- Eu aprontei uns bacanais com as gatas da vizinhança e minha dona, revoltada com o barulho das noites, resolveu me castrar. E você, porque está aqui?
- Eu estava em casa sem fazer nada, coçando. Aí o meu dono, um tremendo machão, tinha acabado de sair do banho e se abaixou para apanhar algo debaixo do armário. Ao ver aquilo, perdi a noção do perigo, subi em cima dele e … bem, as costas dele ficaram todas arranhadas.
- Noooossa!! - espantou-se o gato. E ele vai castrar você por causa disso?
- Nãããããão, vim só cortar as unhas!

sábado, 29 de novembro de 2008

Mutley em “Minha vida é um blog aberto”



Eu ainda não sou megalomaníaco a ponto de andar com um adesivo no carro mostrando o endereço do blog. Mas ando um bocado envaidecido. Isso é perigoso porque quando a gente fica vaidoso, também começa a ficar cruel. Um monte de amigos e conhecidos tem me surpreendido com observações sobre as coisas que eu escrevo aqui. E às vezes são coisas que escrevi há meses atrás.

Isso pode indicar duas coisas. Por um lado, que algumas pessoas são donas de memórias fenomenais e lembram de qualquer coisa, inclusive das bobagens que eu escrevo aqui. Por outro lado, isso pode significar que algumas pessoas só lembram de bobagens e por isso são capazes de lembrar do que eu escrevo aqui. Eu mesmo me incluo nessa última categoria. Tenho uma memória fantástica para lembrar de coisa inútil e besta.

A verdade é que, cada vez mais, eu me sinto como se a minha vida fosse um blog aberto. Conhecidos de velhos tempos têm aparecido para fazer comentários. Ou conhecidos de longa data não deixam comentários, mas comentam comigo, pessoalmente, quando me encontram. Em geral, o comentário é de perplexidade:

_Careca, você é mesmo o Careca daquele blog? – eles perguntam, atentos ao menor franzir de sobrancelha.
_Claro, eu digo – e passo a mão na minha própria cabeça, como a indicar que, na verdade, eu sou eu mesmo, embora disfarce um pouquinho.

Em seguida, as pessoas embatucam. Também, vai falar o quê? Sobre o quê? As pessoas são pudicas e discretas. Todo mundo gosta mesmo é de ficar na sua, numa boa, sem chamar atenção. E qualquer coisa pode virar post para um sujeito como eu, que tem um blog. Então as pessoas ficam meio ressabiadas. Me olham com o canto do olho, meio avaliando se eu irei escrever sobre elas. E, em geral, não escrevo.

Mas para algumas pessoas não basta dizer isso. Elas simplesmente não acreditam.

_Ó, não vá colocar no blog, hein?
_Colocar o quê? Ah! Isso! Não! De jeito nenhum.
_Sei.
_É sério. Não vou escrever sobre você.
_Tá legal. Finge que eu acredito.
_Está falado. É sério.
_Tá. Tudo bem, pode escrever. Mas muda o meu nome.
_Mudar o nome? Como assim?
_Inventa um apelido. Aí só eu fico sabendo que eu sou eu, lá no seu blog.
_”Mutley”. Vou te chamar de Mutley, lembra dele, o cachorro do Dick Vigarista. “Mutley, faça alguma coisa!!”
_Pô, Careca, “Mutley”?!
_Não gostou? E que tal Kowalsky?
_Quem é esse?
_O marinheiro faz-tudo de Viagem ao Fundo do Mar. Ele morreu em pelo menos 10 episódios.
_Não.
_E Bionicão? Bionicão é super-legal. Ele e Falcão Azul me trazem boas lembranças da juventude.
_Era um cachorro muito idiota.
_Rei Tutt? Tião Gavião? Bosley?
_Bosley?
_O careca que ajudava as Panteras a falar com o Charley.
_Pô, Careca.
_E Higgins, o mordomo que sacaneava o Magnum?
_Pensando bem, Mutley é legal.

Agora preciso arranjar quem faça um adesivo com o endereço do blog.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Raciocínio a passo



Não estou para grandes raciocínios

Aliás, não estou para raciocínio nenhum. Estou no piloto automático nessa semana. Minhas ações estão sendo comandadas pelo neurônio principal, o da sobrevivência. Sempre que posso, eu digo: “No, Señor! Por supuesto, Señor!” . Isso me garante um pouco de espaço para respirar.

Um, dôs, três! E um passito adiante, Maria!

E um passinho para trás. É assim que as coisas acontecem.
Antes de dar um pulo, temos que voltar uns passos e pegar embalo. É duro. Mas é lógico. Agora mesmo eu estou olhando o piso da sala. É um atraso, esse estrago. Mas a Patroa já estava insatisfeita com o piso há muito tempo. A reforma é uma necessidade. E martelar é preciso. Então, vamos à obra! Como diria o Dick Vigarista: “Raios!Raios Triplos!!!”.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Era um apê muito engraçado

A Patroa mudou a mesa da sala de lugar, aqui no apê. Graças a isso, a faixa sem azulejos do piso ficou quase invisível. Confesso que não pensei nisso, ontem à noite, enquanto retirava os azulejos quebrados. E tenho que dar o braço a torcer. Ficou muito bem disfarçado. Foi como se alguém tivesse varrido o tapete, digo, o piso quebrado para debaixo da mesa.

Eu adoro essas soluções básicas.. Agora, você entra aqui em casa se esgueirando um pouco pela esquerda, porque a porta está um pouco emperrada. E como há um aparador e a mesa bloqueando a passagem à esquerda, você é obrigado a entrar devagar. E aí vira, na quina, para a direita. Pronto. Já está dentro do apê. E já que está de lado em relação à porta de casa, aproveite e encoste o ombro e faça força, mas não muito. Viu? A porta se fechou.

Eu olho para o piso e já estou mais conformado. Na verdade, ainda ontem eu estava pensando em uma série de pisos para a sala do apartamento. Pensei em madeira. Pensei num porcelanato. Pensei em ardósia. Pensei em granito. Pensei em cimento. Pensei em carpete. E depois parei de pensar. Aí resolvi que o melhor é esperar as sugestões da Patroa. Vou evitar botar defeito. Descobri que vivo botando defeito nas idéias e sugestões dos outros. Então, dessa vez eu vou esperar e ficar quieto, bem tranqüilo. E analisar com frieza todos os lados e beiradas de todas as sugestões.

Menos ardósia e granito, é claro. Acho ardósia muito verde, é fria no verão e um gelo no inverno. E granito custa uma baba. E cimento é primário, não dá pé. E esse negócio de porcelanato, é coisa para arrancar mais argent(la plata) da gente. Carpete, sou alérgico. Tem madeira. Mas a madeira, se não for bem colocada, vira uma dor-de-cabeça. Sem falar que tem que ser muito bem tratada.

Aí depois pensei em trocar os pisos dos banheiros.
Em reformar os armários da cozinha.
Os armários dos banheiros.
Em arrumar as minhas bagunças de badulaques.

E percebi que ainda nem é dezembro, mas parece que o ano já acabou.

Era uma casa, muito engraçada, não tinha piso, não tinha nada, ninguém podia entrar nela não, porque na casa, não tinha chão, ninguém podia...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tempo maluco

Hoje choveu. Depois fez sol. Depois choveu. E fez sol. Aí choveu. Fez sol. E tudo de novo, só enquanto eu voltei da escola. Depois, passou a tarde inteira chovendo. Agora está chovendo de novo. Fez calor, depois fez frio. Fez frio, depois fez calor. Foi uma zorra.

Na hora do almoço, o piso da sala, que já estava um pouco saliente, salientou de vez. Quatro cerâmicas se levantaram e se partiram, diante dos meus olhos. Parecia que havia um cadáver se erguendo do chão da sala do apartamento. As cerâmicas trincaram, estalaram e se quebraram. Nunca tinha visto coisa igual. Minha cunhada, que é arquiteta, me explicou que isso acontece quando há algum problema de acomodação de forças. Sem ter para onde escapar, as tensões do piso se aproveitaram de alguns rejuntes menos resistentes e levantaram os que conseguiram.

Agora estou com uma faixa sem cerâmicas na sala de casa. E vou ter que encarar uma reforma de piso sem ter tempo para mexer com nada disso. Legal demais, né! Como o que não tem jeito, não tem jeito, só me resta encarar. Amanhã já devo estar de bom humor.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Nota dez com estrelinha



Outro dia, conversando depois do almoço, nós nos lembramos das velhas redações da Escola Reunida da Divina Providência e Grupo Escolar Frei André Quinn (Seria um primo daquele Quinn que fez Zorba, o Grego?). O cabeçalho da velha escola, que tínhamos que preencher na folha de papel almaço da redação, já era um senhor exercício de escrita. Tinha sete linhas, sendo a última para o nome e série. As redações eram quase sempre com os mesmos temas monótonos, que não mudavam de ano para ano e nem de série para série.

Não importava se você estudava na primeira ou na quinta série, os temas faziam o acompanhamento do calendário. Era uma coisa assim: Carnaval, Semana Santa, Páscoa, Tiradentes, Trabalho, Escravos, Mães, Corpus Christi, Pais, Sete de Setembro, Crianças, Mortos e Natal. Meus irmãos mais velhos brincavam comigo. Diziam que poderiam emprestar a redação deles para que eu copiasse. E eles sempre tiravam dez. Eu não topava. Aprendi a escrever porque queria ser como os dois mais velhos, capaz de encher folhas e mais folhas com frases da minha cabeça.

Invariavelmente, depois das férias o tema da redação era “Minhas férias”. E eles brincavam dizendo que era a mesma redação do meio do ano. Bastava ler dezembro ao invés de julho que era a mesma coisa. Subi na árvore, brinquei no rio, joguei bola e encontrei os primos. E era mais ou menos assim, a redação que eu fazia, padronizada, sem erros de ortografia e gramática, mas sem maiores atrativos. Sem graça, sem ritmo, sem alegria e sem entusiasmo nenhum. Acho que a freira que pedia a redação nem prestava atenção.

Mas eram bem mais que isso, aquelas férias. Eram dias em que eu me ocupava em não fazer nada com o máximo de empenho, aproveitando cada segundo disponível para brincar. E quando não dava, por causa da chuva ou de uma coisa qualquer, eu sempre poderia ver o que a mãe estava preparando na cozinha, ou na máquina de costura. De vez em quando eu subia até um espaço que havia embaixo da caixa dágua. Sentado ali, eu via os quintais dos vizinhos, os telhados. Havia um cachorro, eu acho. Ianque, o fila manso que vigiava a casa. E, lá de cima, eu ficava treinando a pontaria com o estilingue. Era até bom com as mamonas. E havia também a fantasia desvairada dos gibis do Tarzan e do Batman, da Ebal. E os livros, é claro. Ia até a biblioteca do meu pai e começava um dos 40 livros da coleção Grandes Romances Universais, ou um volume novo dos livros do Lobato.

Aconteciam milhares de coisas nas férias. Fazíamos pescarias. Excursões e caçadas. Descidas de rio. Explorações de matagais e ruínas. Ovos de tartaruga na praia do rio. Futebol. Xadrez. Polícia e ladrão. Peão, bolas de gude, finca. Futebol de botão. E coisas menos inocentes. Saídas para apertar campainhas dos outros e sair correndo. Latas d’água equilibradas sobre portas. Latas amarradas em rabos de gato, em pernas de urubus. Corridas de bicicleta e tombos provocados. Guerras de barro. Guerras de mamonas. Espiadas em banheiros. Furtos de frutas nos quintais alheios.

Mas para mim, aqueles zilhões de acontecimentos não eram dignos de nota, não valiam a pena ser registrados ou não poderiam ser confessados. Eram coisas de menino. Não eram coisas para se escrever. Então, na redação da volta às aulas, eu suava para produzir uns dois ou três parágrafos fajutos sobre as férias. Que não diziam nada. Subi na árvore, brinquei no rio, joguei bola e encontrei um monte de primos. E a professora, preguiçosa, me dava um dez. E ainda colava uma estrelinha de prata, cheia de purpurina, debaixo da nota em letra azul. Eu ficava todo bobo.
_Ganhei dez com estrelinha! - eu me gabava para os meus irmãos.
_Rá!"Minhas Férias" é mole! Quero ver com os "Mortos"! - dizia o meu irmão.
_Rá!Quero ver "Corpus Christi"! - dizia a minha irmã.
E era fogo. Com essas duas eu nunca ganhei estrelinha.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A primeira resenha de livro velho

Parece que fiz há anos, essa resenha. Minha memória é muito ruim.

"Eu sabia que estava aqui em casa, em algum lugar. E antes que eu quisesse procurar, esse livro apareceu na minha frente, como aqueles anúncios de Natal que parecem aumentar o volume da televisão automaticamente. A Gramática da Vida, o compêndio ilustrado de citações de filósofos pré-socráticos e outros pensadores desprezados pela academia. Um livro raro que encontrei num sebinho que havia perto de casa, hoje transformado em restaurante para milionários.

Trata-se de um livro fantástico. Quase mítico. Encontrei o livro esfrangalhado, sem a capa e com algumas páginas faltando. Também existem páginas mofadas, meio queimadas e com frases riscadas, a carvão ou lápis de cor. Mas é um bom livro. Nunca descobri quem escreveu essa coisa, ou a editora que o publicou. E a julgar pela quantidade de anotações a caneta, lápis, nanquim, canetinha hidrocor e giz, muita gente deve ter estudado esse livro com afinco. Eu mesmo, se não fosse tão alérgico a mofo, teria estudado mais esse maravilhoso compêndio. O conteúdo é esplêndido, mas as ilustrações são horrorosas.

Aprender a linguagem da vida requer esforço continuado. A gramática de bem viver está sempre mudando e precisamos estar atentos para as regras que surgem de repente, para que não vivamos mal. Acho que já houve um tempo em que as normas do bem viver não pareciam mudar tão rapidamente. Mas, hoje em dia, é só piscar os olhos e parece que você está desafinado com a gramática e acaba por confundir as coisas. Não é só o que se come, o que se veste, o que se calça. Também não é o que você usa no cabelo, o que passa na pele para se proteger. Bem viver é uma ciência que exige coração, cabeça, estômago e sestércios.

Um regra simples do bem viver, que fica logo no início da Gramática, foi estabelecida por Clodo, o Vesgo, ainda em 2453 A.C. . “Respire bem fundo”, disse o sábio grego. Conta a história que Clodo, o Vesgo, era um oficial espartano que havia debandado para Atenas porque gostava de espiar os outros com o canto do olho, o que acabou por deixá-lo meio enviesado. Não se sabe se o viés era para a direita ou para a esquerda, mas Clodo era visivelmente não alinhado. De qualquer modo, por mais que você despreze os pré-socráticos, é importante respirar bem fundo antes de fazer qualquer coisa. Clodo sabia que falava uma coisa muito inspiradora.

Nesse sentido, a Gramática da Vida ultrapassa os usos e costumes, ela é mais visceral, importa mais para o seu intestino e seus pulmões. Tem mais relação com o seu coração e com o sangue que pulsa nas suas veias. Essa parte estrutural, vamos dizer assim, muda pouco ou não muda. A essência do bem viver está nessa estrutura, que vem sendo descrita com rigor desde que os homens usavam aquelas sandálias gregas de trançar e togas. Aliás, e aqui não vai qualquer preconceito, as togas são bem confortáveis. Mas aquelas sandálias, que eram muito chiques em Atenas e Roma, eu não seria capaz de usar nem se fosse obrigado, mesmo em baile de carnaval. Até porque não vou a um baile de carnaval desde que completei vinte anos.

Então? Bom, é isso mesmo. Os gregos estavam certos. Os pré-socráticos também. Mas quem se importa? Aliás, já estou começando a espirrar. Esse livro já começa a me dar erisipela. E as ilustrações, caramba, que horror!"

domingo, 23 de novembro de 2008

Eu, Pacheco

Os automóveis estão no topo da cadeia alimentar do meu consumismo. Adoro carros. Embora não fique trocando de carro a cada mês. Aliás, a última vez que troquei de carro foi em 2003. Fazia sol. Fazia um dia muito bonito. Lembro que me aproximei da Agência de Automóveis salivando. Chamei um co-cunhado e meu pai para me acompanhar. Eu tinha passado uns três meses pesquisando preços e fazendo comparações. E na hora de fechar negócio acabei por comprar um Ford Fiesta Super Charger 1.0.

Sem ar-condicionado. Na época eu fumava feito doido. Enquanto eu dirigia, a minha principal atividade era fumar. Então, não dava para ter vidro fechado. E sem vidro fechado, não existe ar-condicionado.

Comprei o carro. Mas desde aquele tempo, o clima já mudou para pior nessa cidade e no planeta inteiro. O que era um calor tolerável, passou a ser insuportável. A seca é estridente. E as chuvas, quando raramente caem, são de arrasar o quarteirão. O tal do “clima change” chegou para ficar. Vá logo fazer estoque de protetor de pele. Invista nas ações de empresas de dermatologistas. O sol vai derreter esse planeta e todas as profecias serão cumpridas. O sertão vai virar mar. E eu estou cinco anos mais velho e ranheta.

Para piorar, descobri que me enquadro no que a esfoliante categoria dos economistas chama de Pacheco: o consumidor classe média que só dá conta de comprar Passat, Chevette e Corcel. O consumidor que não adianta você mostrar um carro melhor, porque ele não vai ter como pagar.

Assim, cinco anos depois eu começo a pensar em substituir o automóvel por um veículo mais condizente com o meu perfil. E eu sou um cara moderno. Gente boa toda vida. Alto astral. E ranheta, é claro. Mas quero um carro com ar condicionado. Menos poluente. Melhor. Mais forte. Mais rápido. Sem cara de Tiozão.

É lógico, ele e eu temos cara de Pacheco.

sábado, 22 de novembro de 2008

O Circo Peba

Foi aniversário na casa do Niltão. E eu fui com a Patroa, é lógico. Nós já estávamos com um compromisso assumido com a Princesa para as seis da tarde. Mas dava tempo de almoçar com os amigos e levar os filhos no circo, é lógico. Acho Circo um programa totalmente Cheyenne, mas é difícil dizer não para a Princesa por mais de seis meses. E então combinamos de ficar no Niltão até as cinco da tarde. E de lá, nós zarparíamos para o Circo.

O Niltão é um super-cozinheiro. Heavy Metal, é claro. Quando vamos almoçar por lá, sempre comemos até cansar. E bebemos também. Mas a Lei Seca e a minha velhice precoce já acabaram com os meus porres. Então fomos preparados para comer muito.

O Niltão estava preparando um camarão na moranga. Esse prato é uma das poucas coisas que me fazem chorar de satisfação. É verdade. Já acordei algumas vezes à noite pensando em camarão na moranga, emocionado. Em geral, é um sonho que termina de repente, logo depois de umas trezentas garfadas numa porção de camarões estupidamente deliciosos dentro de uma moranga. Gosto muitcho.

Chegamos chez Niltão depois das duas, porque aos sábados a Patroa dá aula na faculdade até uma e meia. O Niltão estava cercado de panelas e morangas e o cheiro da comida já estava maravilhoso. Cumprimentamos a aniversariante, que estava radiante, e partimos, cada um para o seu lado, para o convívio social. Nós sabíamos que o rango iria sair depois das quatro, então estávamos psicologicamente preparados. Obviamente, eu fiquei conversando com a rapaziada, que fazia tempo que eu não encontrava. Conversa amena, sobre coisas novas e velhas. Conversa desbocada. E conversa esquisita, depois que um sujeito resolveu distribuir perguntas a torto e a direito para os meus bons amigos.

E o tempo passou voando, como sempre passa, quando estamos nos divertindo. E saímos às pressas, sem provar o camarão na moranga. É bem verdade que já havíamos nos empanturrado de outras coisas. Na saída ainda vimos rapidamente El Grande Mamma, um dos sujeitos mais engraçados que já tive o prazer de conhecer.

Chegamos em casa e a Rose, nossa babá-governanta-cozinheira-faz-tudo-gente-fina já havia preparado as crianças para sair. Estávamos na porta do Circo às seis e quinze. O Circo Moscou. E sem querer fazer trocadilho idiota, o Circo estava às moscas. Era um Circo peba, mas bem arrumadinho. Estava chovendo, é verdade, mas só isso não explica um estacionamento gigantesco com apenas oito carros. A Patroa desceu e foi conversar com um sujeito que estava na porta do Circo. Era o sujeito da bilheteria, com uma estranha calça preta brilhante. A Patroa fez sinal para eu descer com as crianças. Ela havia arrumado um descontão nos ingressos. A Princesinha estava radiante. Meu filho não disfarçava a má vontade em nos acompanhar.

Lá dentro tudo ficou diferente. Era um Circo conforme eu me lembrava dos pobres circos da minha infância. O bilheteiro era o malabarista, trapezista e atirador de facas. O mágico era também o ventríloquo boca-suja e o vendedor de pipocas, no intervalo. O velho vendedor de badulaques de papel e guloseimas era o apresentador do Circo, palhaço, dono do Circo Moscou e motoqueiro do globo da morte. E a menina bailarina, era também a menina que era levantada pelos cabelos e fazia um número de dez minutos girando no ar. A ajudante e mãe da menina fazia par com o malabarista, que também era o eletricista, sonoplasta e pai daquela menina. E o último número, o terrível globo da morte, demorou para começar porque os dois contra-regras, que eram o eletricista-bilheteiro e o mágico-ventríloquo, estavam um bocado cansados. Eles se atrapalharam com o tapete do picadeiro.
E o próprio velhinho dono do Circo foi tentar ajudar. Não conseguiram e perderam a paciência. O motoqueiro fez uma rápida exibição, sem abusar, porque o globo começou a vibrar muito.

E meus filhos, os dois, ficaram encantados com o Circo, mesmo ele sendo tão peba, coitado.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A parte que eu não canto

Onde eu trabalho não tem muita gente. Mas tem muito aniversário. Praticamente toda semana tem parabéns. E às vezes é mais de um que faz aniversário. A solução para todos, de qualquer forma, é igual. Vaca. Um fulano passa a lista, faz a vaca e estamos todos dentro.

Tem os aniversários “pébas” em que todo mundo colabora com o que quiser. Tem os aniversários poderosos, em que o fazedor de vaca passa lista em que você anota o valor da contribuição e faz um chamegão. Tem os aniversários de chefes e chefões, em que o fazedor de vaca põe até valor mínimo, avaliando o seu contra-cheque pela cor da sua gravata.

As duas últimas modalidades são bem chatas, mas existem. Em geral, nas de chamegão eu coloco um número acompanhado de um monte de zeros a mais, só para impressionar. E nos de chefes e chefões eu vou pela média, sem chamar a atenção.

Bom mesmo é quando ninguém anota nada e um J.C. sai correndo para comprar uns salgados e um bolo de última hora. Esses é que são legais, pois não rola puxa-saquismo. O cara aniversariante é um ser humano igual a você e eu, que esquece os aniversários e não tem nenhum sub-fazedor de média que presta atenção na data em que ele faz anos. Em geral, o J.C. é o chapa mais chegado, que acaba no prejuízo, sem coragem de fazer vaca nenhuma, quanto mais de passar lista.

Já trabalhei em alguns lugares onde no dia do aniversário de alguém todo mundo se encontrava num boteco. Ou numa boite. Ou num lugar chique qualquer. Hoje em dia as pessoas se reúnem em pistas de kart. Em clubes de paintball. Em salas de alpinismo. Em passeios ciclísticos noturnos.

Eu estou ficando cada vez mais velho e embarangado. Não vou a nada disso. Tenho preguiça de boteco. Boite me dá dor de cabeça. Lugares chiques não costumam aceitar pessoas como eu. Além disso, eu me recuso a andar a 80 quilômetros por hora com o meu reto distante apenas cinco centímetros do asfalto. Desisti de paintball depois de levar uma saraivada de balas e colecionar hematomas. Não curto alpinismo de salão. Aliás, não tenho a menor vocação para lagartixa. Não sou de subir pelas paredes. Mas eu me perco.

Aniversários. Falava de aniversários no trabalho. Pois então. Lá pelas cinco e meia, numa sala de reunião, todos se apertam para comer um bolinho e apertar a mão do felizardo. Ou da felizarda. Eu me amarro em parabéns. Canto com energia, batendo as palmas das mãos com força. Eu enfatizo o “muitos anos de vida”. Vou com alegria no coro do “é pique, é pique”. Mas não entro na parte do “Com quem será?”. Isso dá confusão, já vi, em outros lugares em que trabalhei. Essa parte eu não canto.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Pelado na contra-corrente



Nu com a mão bolso
A Crise veio. A Crise ficou. Agora ela não larga mais a gente. Os caras que sabem das coisas dizem que agora é pra valer. Ela voltou e aqui é o seu lugar. Essa Crise é de maior. E está preparada para levar a gente para um canto e... . E eu estou morrendo de medo. Ela é cruel, avassaladora.


Na contra-corrente do bom grado
O discurso da sustentabilidade é uma roupa que cai bem para esse Careca. Vou abolir sacolas de plástico. Só vou usar fibras naturais. Vou economizar energia. Combina com a minha preguiça, com a minha vontade de mais qualidade de vida. Acho que as pessoas de outras gerações já tiveram mais tempo para tudo. É, minha querida Kombi, estou me sentindo na contra-corrente. Enquanto todo mundo quer retomar e acelerar a produção e o consumo, quero mais é paz, sombra e água fresca. Acho que estamos muito frenéticos. Quero lançar a versão brasileira do “Slow Movement”, embora em alguns lugares daqui mesmo isso não seja necessário. Tem um monte de gente bem devagar por aqui. Mas acho legal ir devagar. Como apregoava Martinho da Vila. Devagar. Devagar é “clubber”. Devagar é “fashion”. Devagar é o “must”. Devagar é ecológico. Devagar é Cult. Devagar se chega ao longe. Devagar é bem chato, às vezes. Devagar é o maior atraso, véi.


O meu problema é que eu mudo de idéia rapidamente.

Santa Claus não se esquece de ninguém
Mudei de idéia rapidamente sobre a minha estratégia para o Natal. Não vou pular direto para o Carnaval conforme disse ontem. Eu nem gosto de Carnaval. Acho samba-enredo um saco. Não vejo desfile nem se alguém me pagar. Não sou de ziriguidum, muito menos de sambalelê. Não chego perto de bumbo, nem de atabaque. Zabumbas me irritam. Agogôs e pandeiros me dão dor de cabeça e vontade de correr pra longe. Sério. Carnaval é um porre. E ninguém dá presente. E eu gosto de ganhar presente. E gosto de fazer compras. Só tenho preguiça. Além disso, Santa Claus não se esquece de ninguém. Seja rico, seja pobre, o velhinho sempre vem. Estou satisfeito com o que eu tenho, de verdade. Tirando uma coisinha ou outra, as coisas que eu ambiciono estão bem acessíveis. Nenhuma custa os olhos da cara. Embora algumas não estejam à venda. Ou seja, ninguém precisa se preocupar com presente de Natal para mim. A não ser que sejam Sketchbooks Moleskines. Aceitarei de bom grado. Não se acanhe.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Uma idéia Franka para este Natal

Franka, a genial bloguista do Frankamente, está querendo poupar, está sem paciência de fazer compras de presentes e está cansada. Por isso resolveu se fingir de boba neste Natal. Achei a idéia excelente! É muito boa para equilibrar as finanças e eliminar o stress das compras de fim de ano. Basta fingir que não é Natal, ué.! Vá lá no blog da Franka, link ao lado, leia o que ela escreveu e depois volte aqui quando tiver paciência.


Voltou! Bom, eu resolvi embarcar na onda da Franka. Minha idéia é ir direto para o Carnaval. O Carnaval é uma festa religiosa. O Carnaval é nacional. O Carnaval une gregos e troianos. O Carnaval é legal. O Carnaval é uma época boa porque não precisa dar presentes e todo mundo fica feliz do mesmo jeito.

É lógico que exige um pouquinho de esforço. Economizar sempre exige esforço dos milionários. E como estamos fingindo, finja logo que é milionário excêntrico se esforçando para não torrar uns míseros caraminguás. Nos shoppings, por exemplo: você vai ter que fingir que todo aquele vermelho e branco são as cores de uma escola de samba qualquer: que tal a Unidos de Santa Claus? A decoração das renas e o Papai Noel são do samba enredo da Unidos, Dom Pedro Segundo e os Veadinhos do Saco Vermelho. Viu não é nada difícil fingir que já é carnaval nos shoppings. O maior problema são as músicas natalinas. Para isso, o melhor é cantarolar o samba do crioulo doido abaixo:

Este ano nossa escola apresenta
um enredo genial, geni-al-al
ca-pri-cho-samente, embolamos o Natal
Só pra não dar presentes
Dom Pedro segundo,
subiu na boléia de um trenó
De um trenó-ó,
Chi-coteou as renas
E voou feito um Concord
E ra-pi-damente, ele pulou o Carnaval
Foi no 25 de dezembro,
Que ele sambou na avenida,
Ele bateu o sino, ele bateu o sino
E sambou
Ca-pri-cho-samente, embolou o Natal

Tenho certeza de que uma conversa dessas vai desarmar qualquer pretenso ganhador de presentes que cruze o seu caminho. Aliás, será difícil evitar uma internação.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Fanzocas e fãs

Mais sobre o que eu não sei
Estou protelando o fim de “A Guerra de Wittgenstein”. Estou mesmo. Hoje, por exemplo, só li uma página nova e fui reler uma porção de passagens que eu havia gostado sobre a vida do filósofo e seu mentor/rival Bertrand Russell. Sobre o Círculo de Viena. A irmã Gretl, amante de Gustav Klimt. A primeira guerra mundial. O irmão Paul, virtuose do piano. Paul perdeu um braço durante a WWI e mesmo assim retomou a carreira. Depois encomendou peças a Ravel, Mahler, Strauss e Prokofiev.

Ludwig Wittgenstein foi o autor do Tractatus. Uma vez fiz um curso de verão de Filosofia da Linguagem. No primeiro dia de aula, meu amigo Selva Brasilis fez uma pergunta sobre o Tractatus ao professor. Era um professor bem sabidão. E ele teve que coçar muito a cabeça para responder. Corri para a biblioteca para ver se aprendia alguma coisa. Até o final do curso, eu e o resto da classe ficamos de platéia, observando o ping-pong do Selva com o professor. Aprendi quase nada, mas li muito. Naquele verão eu também percebi que esse negócio de ser filósofo fazia o maior sucesso com as moças da universidade. Mas não tanto quanto física e matemática. E nem tampouco quanto físico e numerário.



Fans – Kings of Leon
Eu segui outro dia uma dica da Sunflower. A música Fans. Está ai na Rádio Careca. Gosto de escutar música em inglês. Mas é difícil. Prestei atenção na letra e percebi que eu não estava entendendo direito. Aí anotei duas versões dos versos. Uma com parênteses e a outra sem. Corri para a Internet e comparei. Existem pelo menos duas versões da letra. As duas não fazem muito sentido. Mas quem se importa.
Os dois primeiros versos seguem abaixo.

Homegrown
Rock to the rhythm and bop to the beat of the radio
You ain't got the slang but you've got the face to play the roll
You can play with me
(You can´t play with me)

And all the bros
Try for the girls and try to fit you out those tight clothes
(Try for the girls and try for tearin this tight clothes)
She got a hat and all that hat says is asshole
(She got a hiding all he has is his asshole)
She´ll be bothering me (...)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

As melhores lembranças me enganam

Um troféu perdido, foi o que perdi. Tento até falar de outras coisas, mas acabo falando mesmo é do meu mundinho. É do que mais sei falar. E sei é modo de dizer. Não sei nada direito. Não tenho a pachorra de dizer que meu conhecimento sobre algum assunto seja absoluto. O máximo que posso garantir é que às vezes eu estava lá, quando algumas coisas aconteceram. Mas às vezes até isso some da memória.

Fico escavando subterfúgios na minha cabeça. Uma bulldozer é do que estou precisando. Preciso ir fundo para trazer umas coisas esquecidas da cachola. Mas quando estou chegando perto, me desconcentro. Estou sempre chegando perto. Pareço alguns times de futebol. À medida que a praia se aproxima eu começo a procurar a pá, as flores e uma lápide.

Tenho mil frases prontas para enfrentar o azedume de um monte de gente. Sou bom na defensiva. Também sou bom no ataque. Mas tenho sido péssimo em ficar parado. Parece que tenho que estar sempre em movimento, do contrário irei ao fundo, por inércia.

Ouvi falar que os tubarões estão sempre em movimento. Até dormindo os bichos se movem. Quando param, viram de cabeça para baixo, depois continuam a nadar. Aí acordam e continuam a nadar. Só desviram quando batem a barbatana no fundo do mar. Os chineses são malucos pro barbatanas. Acreditam que é afrodisíaco. E a pesca clandestina de tubarões é particularmente cruel. Os pescadores piratas cortam as barbatanas dos bichos e os jogam de volta ao mar. Vi um telefilme em que o pai da Bindi mostrava alguns tubarões mutilados. Aí lembrei que o pai da Bindi morreu com um ferrão de uma raia gigante atravessado no peito.

Um dos primeiros bichos que pesquei foi uma raia de rio. Eu tinha, no máximo, uns seis anos. Era uma raia de fogo. Preta, com bolas/manchas amarelas. Só consegui tirar o bicho da água porque um adulto me ajudou. O nome desse adulto era Paulo. Lembro de ficar assustado, depois que eu vi o susto no rosto de quem me ajudou. A raia foi morta com um golpe seco de remo, entre os olhos. Pam!

Em algum lugar, meu pai guarda, com orgulho, a minha foto com a raia de fogo morta. Já faz anos que não vejo essa foto. Mas é ela que guia a minha lembrança. Eu seguro a raia com um enorme sorriso. Faço muita força para segurar o bicho. E é estranho como a foto que já não vejo há tempos é que aparece impressa na minha memória. É essa imagem na minha cabeça que me ajuda a lembrar de como fiz força com aquele pescado. De como demorei para arrastá-lo até a casa verde, onde morávamos. Da surpresa feliz e também preocupada da minha mãe.

Na fantasia da minha lembrança, até hoje eu lembro que a rua inteira falou da minha pescaria. Que todas as crianças quiseram tocar a raia de fogo e examinar os olhos protuberantes, a boca estranha e reta na parte de baixo. E o ferrão. Todos examinaram com cuidado e respeito o ferrão da raia. As curvas em “u” e as pequenas serrilhas, a cor vermelho- amarronzada. Foi o meu primeiro e genuíno troféu, esse pequeno ferrão. Foi a legítima e honrosa lembrança da minha façanha, do meu feito de menino que se igualava ao de um adulto. Depois eu o protegi durante anos da curiosidade alheia, alternando esconderijos estranhos para que ninguém o roubasse de mim. Até que um dia esqueci onde o havia escondido. E depois me esqueci do troféu. E hoje, tanto tempo depois, eu me lembrei que um dia eu fui o herói orgulhoso da rua. Pelo menos na minha lembrança. Mas perdi o ferrão da raia.

domingo, 16 de novembro de 2008

Al Pacino e Robert De Niro



Sempre que vou ao cinema, vou com a Patroa. Na verdade, ela é quem escolhe o filme. Eu procuro influenciar, de uma maneira bem clandestina e inocente. Então, por isso, o fator fundamental para irmos ao cinema é o astro do filme. E no sábado, eu e a Patroa fomos ver “As duas faces da lei”.

Nem preciso dizer que Al Pacino e Robert De Niro são dois ídolos longa data. A filmografia dos dois é enorme, mesmo assim acho que já vi tudo o que os dois fizeram. As comédias, os dramas, as ficções desvairadas, as teatrices e o melhor, os filmes policiais. Os dois eram cobras dos filmes policiais inteligentes. Os dois sempre fizeram papéis de durões e espertos, no papel de polícia ou no papel de bandido, tanto faz. Você sempre torcia por um deles.

Mas depois de “As duas faces da lei” já não sei mais o que pensar. Filme fraco. Pacino e De Niro desanimados. Cansados. Eu deveria ter adivinhado pela platéia. Só cinco pessoas. Eu, a Patroa, um coroa com cara de psicopata com um saco de pipoca gigante, um casal de velhotes fazendo hora para pegar os netinhos. Só. Até as piadas de sexo eram sem graça. Dei duas gargalhadas em piadas racistas. De Niro parecia estar com saudades de uma dentadura. Pacino parecia procurar por Godot entre os próprios olhos, vesgo.

Não é que a história seja ruim. A montagem é bem inteligente. Perguntas só serão respondidas no final, embora seja possível adivinhar alguma coisa, no início. Mas não é esse o problema. O problema é que os dois pareciam fazer caricatura do que passaram a vida a fazer.

Há uma desesperança rolando no ar, junto com os velhos astros. Primeiro, foi Harrison Ford, quase tive uma cãibra no coração ao vê-lo de Indiana Jones. Agora é Pacino e De Niro.

Clint virou um excelente diretor. Nicholson é um fantasma. Travolta não empolga. Keitel virou intelectual. Murphy não faz rir. Minhas últimas esperanças da velha guarda morreram com Tom Hanks. Ele fez bons filmes, mas cadê o cara?

Tom Cruise, Jude Law, Matt Damon, Di Caprio, Will Smith, Nicholas Cage, Jack Davenport, Philip Seymor Hoffman são atores que sempre atraem a atenção da Patroa, mas sempre invento alguma coisa para não ir a filmes com esses caras. A Patroa que me perdoe, mas os filmes desses sujeitos sempre aparecem rapidinho nas locadoras. Não são caras para ver na telona. Sean Penn , Daniel Craig(007), Johnny Deep e John Cusack ainda me fazem sair de casa e acompanhar a Patroa ao cinema. Mas eles fazem cada vez menos filmes.

E as atrizes? Caramba? O que está acontecendo com as grandes estrelas? Já faz tempo que não aparece uma mocinha que deixe a gente com os olhos grudados na tela. Alguém que seja só feminina. Mulher sem senso prático, que não se vire sozinha. Mulher de cinema. Parece que está faltando uma dama assim nas telas. Na vida real, ninguém quer saber de uma mulher que seja apenas fêmea. Hollywood está tendo que buscar algumas até na Austrália, caramba! Outro dia, vi uma estrela de Bollywood que transbordava feminilidade, mas dava pancadas a torto e a direito. Nicole Kidman está titia. Kyra é muito durona. Naomy Watts é preciosa, é quase ela. Mas ela também quer ser cerebral. Quer ser Greta Garbo, quando poderia ser Marlene Dietrich. Onde estão as estrelas que queriam, antes de mais nada, nos seduzir, nos deixar apaixonados? As mulheres na tela que nos transformavam em seres babões?

E não sei se foi problema da cópia do filme que assisti, mas o som estava péssimo. E a música era sem graça.

sábado, 15 de novembro de 2008

Nuvens brancas longe da cabeça

Uma vez tentei fazer meu filho acreditar que eu possuía minha própria nuvem particular. Disse que era uma nuvem difícil de ver, mas que me acompanhava onde eu fosse. Era uma nuvem muito educada, que não entrava na minha casa a não ser que eu a convidasse. E eu não fazia isso porque as nuvens gostam de liberdade. Além disso, elas molham muito. E não gostam de tetos e paredes, choram à tôa.

Expliquei a ele que nuvens eram muito fiéis aos donos. Estão sempre com você, enquanto você estiver pensando nelas. Expliquei também que as nuvens selvagens viviam brigando e produzindo chuvas, raios e trovões. Também disse que as nuvens domesticadas, que viviam em cima da cabeça dos donos, acabavam chovendo de tristeza. Então, o bom senso mandava ter uma nuvem de estimação para você criar solta, longe da cabeça, longe de lugares fechados. As nuvens ficavam felizes com isso. E você também.

A minha nuvem, por exemplo, estava comigo há muito tempo. Eu chamava ela de Blanca, embora ela fosse um pouco cinza. Quando ela estava triste, o cinza ficava mais forte. E nessas horas, nem ela e nem eu queríamos saber de muita conversa. Cada um ia para o seu canto. Eu ficava com os meus cadernos, rabiscando. E a Blanca ficava na dela, lá em cima, silenciosa como só as nuvens sabem ser. Eu acabava me esquecendo do que me fazia ter ficado chateado e depois voltava dos cadernos, de bom humor. A Blanca não. Ela só voltava com o tempo certo. Com o vento adequado. E quando eu a percebia, lá em cima, às vezes já era mesmo hora de voltar para casa, de dormir.

Um dia, eu disse para o meu filho, eu me esqueci da minha nuvem. Isso é uma coisa muito comum. Todo mundo que já teve uma nuvem acaba fazendo isso. A gente esquece da nuvem. E as nuvens não ficam chateadas por conta disso. Elas simplesmente vão para um canto do céu que está cheio de nuvens esquecidas. Ficam lá até que chovam ou sejam adotadas. Blanca mesmo tinha sido adotada por mim num dia de sol e chuva. Eu estava olhando para o céu quando vi uma nuvem pequena, parecida com um chumaço de algodão, só que muito maior. Naquele instante, eu percebi que aquela tinha que ser a minha nuvem de estimação. Ela deve ter sentido alguma coisa parecida, porque desde aquele dia não me deixou mais sozinho. Quero dizer, até que o dia em que a esqueci.

Depois tive que passar uma tarde inteira olhando para o céu para encontrar a minha nuvem de volta. Agora eu tomo o maior cuidado com ela. É a minha nuvem de estimação.

_E uma nuvem serve pra quê? – perguntou o filhote.
_Elas fazem ótimas sombras em dias de sol – eu respondi.
_E nos dias de chuva? – ele disse, espertalhão.
_Não ajudam, mas também não atrapalham.
_Pai, você é maluco.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Uma vida chihuahuah



Esqueci o nome do bicho. Eu tinha uns doze anos. Foi o único cachorro Chihuahuah que eu vi de perto. Era pequeno, neurótico como todos os da raça. Os olhos esbugalhados, como se o rato Ligeirinho tivesse sido capturado pelo gato Frajola. Triste. O chihuahuah é um cachorro triste de uma raça melancólica. Parece um bichinho bonsai, obra de um geneticista maluco, vítima de séculos de privações. De grandes, só sobraram os olhos, maiores do que o focinho.

Um dia o André Damasceno, dono do bicho, viajou. Eu não sabia. Fui visitar o André. A porta da cozinha do apartamento era metade vidro ondulado, com grade, metade metal. Apertei a campainha. Ouvi o bicho latindo. Então achei que havia alguém em casa. Escutei as unhas do chihuahuah contra o metal da porta. Também dava para escutar as patinhas do cachorro indo e voltando pelo corredor da área de cozinha. E latidos. O bicho latia muito. Resolvi esperar. Apertei a campainha novamente. Só latidos. Depois de três toques na campainha, desisti.

Naquela semana, a visita ao apartamento do André iria se tornar uma rotina frustrada. O André tinha a coleção completa do Mortadelo e Salaminho. Naquelas férias, eu havia planejado ler a coleção inteira. Mas a viagem do André havia estragado meus planos. O chihuahuah, por sua vez, parecia cada vez mais inquieto todas as vezes que eu tocava a campainha. Eu escutava as patinhas frenéticas do cachorro indo e voltando, cada vez mais nervosas. Os latidos agudos. Eu tocava a campainha três longas vezes, depois ia embora. Alguns dias mais tarde, no segundo toque comprido, o cachorro já acelerava as idas e vindas, os arranhões na porta de metal. Os latidos histéricos.

Depois de uma semana, o cachorro latia quando eu subia as escadas. O bicho se atirava contra a porta. Ele tomava impulso lá no fundo do corredor, na área de cozinha do apartamento, e se atirava contra a porta. Uma coisa maluca. E não parava de latir.
Resolvi parar de aparecer.

No final das férias, umas três semanas depois, o Jô veio me contar que o André Damasceno tinha voltado de Conselheiro Lafaiete, lá de Minas Gerais. Fomos visitá-lo. Achei que iria encontrar a família triste, de luto pelo cachorro.Para minha surpresa, o chihuahuah estava vivo. O André explicou que haviam deixado um saco enorme de ração para o bicho. Quando chegaram o saco estava pela metade, mas encharcado. Não havia um único canto limpo na área de cozinha, onde haviam encerrado o animal. Mas ele sobrevivera.

_Só está um pouco mais maluco. Se alguém tocar a campainha, ele começa se jogar contra a porta e a latir. E também não se pode fechar nenhuma porta perto dele. Nem a do banheiro. Ele fica doidinho, começa a latir, rosnar e babar.

E então o André explicou que desde que haviam voltado de férias, todos eles, os pais e o irmão do André, se revezavam para ficar com o chihuahuah, para não deixá-lo sozinho. Estavam todos arrependidos. Agora havia sempre alguém com o cãozinho. E enquanto ele acariciava o cachorro, o chihuahuah o olhava com desespero, tremendo o corpo inteiro.

Eu penso todos dos dias em uma vida menos chihuahuah.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Niver

Foi só uma reunião de família. Mas a Patroa gostou. Agradeço a todos pelas excelentes dicas de presentes: bolsa, bombom, beijo e bobagem. Até amanhã.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Maria Sangrenta

Está uma manhã muito fria e eu cansei um pouco de escutar rock´n´roll dentro do carro, com as crianças. A chuva fina deixa o trânsito muito mais lento na capital do país. Todo mundo tem medo de escorregar nessa cidade. E a pista molhada dá mesmo essa impressão, de que tudo está mais liso do que antes, que um pequeno erro pode virar mais que um deslize.

Presto atenção numa história que meu filho conta. É uma história sobre a Maria Sangrenta, o fantasma do banheiro do galpão da escola alternativa.

_Maria Sangrenta? – eu pergunto, lembrando da Bloody Mary.
_É pai, ela aparece no banheiro.
_É, no banheiro – se intromete a minha filha, de quatro anos.
_E você já viu?
_Já. Não. Mas o Pedro de Freitas viu, uma vez.
_Eu também vi – diz a menina.
_E o que ela fez com o Pedro de Freitas?
_Nada. Só ficou olhando.
_É, ela fica olhando – repete a princesa.
_E por quê ela é sangrenta?
_Ué, porque ela chora sangue – ele me informa.
_É, e o sangue é vermelho, oras.
_E porque ela chora?
_Para fazer medo na gente, ué.
_Eu também choro – diz a menina.
_Ai, que medo! Se eu visse a Maria Sangrenta chorar eu também morreria de medo.
_Eu também choro – repete a menina.
_Você já viu, filhota?
_Não, paiê. Eu vou no banheiro da minha sala.
_E você, filho, também vai no banheiro da sua sala?
_Eu vou, pai, mas lá não tem fantasma.
_É paiê, só tem fantasma no galpão.
_Você queria ver fantasma, filho?
_Não, só a Maria Sangrenta.
_Só ela, paiê.
_E pra quê?
_Porque eu ainda não vi, oras.
_Eu também, oras.
_ Você não vai ficar com medo?
_Só se ela chorar. Não pode deixar ela triste.
_Tem que fazer ela rir, paiê.

Tentei pensar em coisas engraçadas para dizer a um fantasma. É difícil.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O Natal já bate os sinos




Esse meu calendário está cada vez mais curto. O ano acaba cada vez mais rápido. Ainda outro dia estávamos em outubro. E tenho ainda boa lembrança de setembro. Agosto já está meio esquecido, é verdade. E também não me recordo muito bem do meio do ano. O primeiro semestre, nem preciso falar, já fez um milênio. É por isso que estou tão chocado. Antigamente, no semestre passado, o tempo passava depressa. Mas agora está demais.

No final de semana atrasado, fui almoçar num shopping e quase caí de costas. O Natal já havia chegado. Com música e tudo. Os sinos já batiam pequeninos. E eu pensava que estávamos entrando em novembro. Cacilda! Caramba! Estávamos mesmo entrando em novembro! Mas a praça central do shopping já estava repleta de pinheiros e coisas vermelhas e brancas. Neve falsa já enfeitava os galhos falsos. Renas falsas piscavam narizes vermelhos e falsos. Muito brilho dourado de estrelas gordas e falsas enfeiavam uma paisagem que parecia uma cabana do Pai Thomás, só que sem o Thomás, sem pai e sem mãe. Lantejoulas, tiaras, flânulas e guirlandas prateadas se esticavam por todos os lados. Num instante, eu me vi cercado daquele apelativo e cansativo Natal de veludo vermelho e algodão branco. Aquele Natal sem um mínimo de brasilidade. Sem religiosidade. Sem um pingo de sub-tropical temperado. Aquele Natal importado, de castanhas e nozes. Aquele Natal que todo mundo adora.

As crianças estavam comigo e começaram a gritar que ainda nem tinham escrito as cartas para o Papai Noel. É que todo ano nós escrevemos cartas imaginárias para o velho e bom Santa Claus. Cartas!
_Crianças, não se preocupem. Este ano vamos mandar e-mail. É mais rápido, é de graça e o Papai Noel usa o tradutor automático. Legal demais, né?
_Mas Pai, lá no Pólo Norte não tem computador! – afirma, categórico, o meu primogênito.
_Como você sabe? – eu pergunto.
_Já vi na televisão, Pai. Lá não tem máquina. Só anãozinho. E rena – ele completa.
_E como as cartas chegam até lá? – eu pergunto, franzindo as sobrancelhas.
_É o vento que leva, seu bobo! – explica a minha filhota, de quatro anos.
_Bom, a gente manda o e-mail. Se voltar, a gente sopra o e-mail e o vento que o carregue. Ou então a gente aluga um anãozinho, uma rena. Sei lá, a gente pensa numa coisa.

Mas não dá para pensar em outra coisa. As crianças já estão encurraladas pelo Natal por todos os lados. Serão praticamente dois meses de bombardeio contínuo de compre isso e aquilo. Oito semanas incandescentes de tenha aquilo outro e também aquele treco ali. Quase sessenta dias de não perca a gororoba, seja feliz comprando a churupita e parcele em três vezes a boneca, o boneco, o video-game e a super eletrola. Estoy ferrado.

À noite, o Espírito Natalino fez uma nova vítima. A Patroa chegou com uma nova árvore de Natal e dezenas de enfeites.

_Este ano a gente podia armar a árvore mais cedo. Também comprei um monte de luzinhas pisca-pisca, uma estrela de lâmpadas nova e um monte de coisas. Olha, tem um monte de velas enfeitadas. O que você acha? – ela pergunta.
_É sensacional. Vamos armar a árvore depois do seu aniversário, amor.

Eu adoro Natal. Bate o sino...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O aniversário da Patroa


O aniversário da Patroa está chegando, é na quinta-feira. É uma data complicada. A Patroa nunca me dá nenhuma pista sobre o que ela quer ganhar de aniversário. Tenho que adivinhar. E geralmente me dou mal nessa adivinhação. No ano passado, dei um livro que ela não gostou. Ela até que disfarçou que não tinha gostado. No ano atrasado, dei um outro livro que ela também não gostou. Aliás eu só percebi que ela não tinha gostado dos livros porque ela usou o mesmo disfarce dois anos seguidos. Por isso, neste ano, estou pensando em deixar de dar livro.

Mas aí é que está o problema. Tirante livro, que procuro acompanhar o mercado, ver a oferta, eu não sei comprar quase nada. Já desisti de comprar CDs de música, sou um neo-analfabeto musical. O vocabulário de grupos e discos evoluiu muito e já não sei mais de nada. Parei em B e S, Beatles e Stones. Sou ruim de comprar roupa e perfume. Sou péssimo para comprar sapatos. Sou uma lástima em bijouterias. E caixa baixo para jóias.

Além do mais, não consigo entrar em loja onde terei que deixar alguns pré-datados, logo depois de sentar e tomar cafezinho. É difícil. Sou uma vítima fácil de vendedoras habilidosas e gentis. Esse é um dos principais motivos para que eu evite entrar em lojas. Tem também a falta de grana, é claro. Também evito olhar vitrines, páginas na internet, propagandas em jornais e revistas, panfletos e out-doors. Rádio não tem problema. Sou quase imune a estímulos auditivos, o que significa que tenho a audição bem seletiva. Ou que eu sou um pouco surdo.

Sou ruim para dar presentes para a Patroa. Já me convenci disso. E o pouco que sei sobre o gosto que ela tem para presentes não me ajuda muito. Ela gosta de coisas bonitas, originais, super-legais, de marca boa e que tenham a “cara” dela. Também não adianta comprar nada que possa ser útil, prático, razoável e simples. Ela gosta do avesso dessas coisas, de preferência raros e frágeis. É um troço bem etéreo. Super demais, prá lá de complexo.

Como sempre, tento arrancar ao menos uma informação útil da Patroa sobre o que ela gostaria de ganhar.
_Faz uma surpresa, oras! – ela me responde, como sempre, contrariada.
_Me dê ao menos uma pista!
_Alguma coisa que eu goste, oras!
_Travesseiros, cama, lençóis, pijamas, colchões, pantufas...
_Rá!Rá!Não tem graça nenhuma, oras!

E acaba que não há evolução. Não consigo sair desse rame-rame. Ela fica irredutível com a sua vontade indecifrável, enigmática. E eu fico ali, na frente da esfinge, tentando bolar uma coisa inteligente, sabendo que não vai dar, não vou conseguir. É difícil demais comprar presente para a Patroa. No Natal, no Dia das Mães. No dia das namoradas. No dia do aniversário de casamento. Tenho sempre que adivinhar. No aniversário, então, aí é que a complicação aumenta. Além de adivinhar eu ainda tenho que ser romântico, audacioso, inventivo, alegre, imaginativo, cúmplice, chameguista e polivalente. Caramba!

Tento descobrir alguma coisa com a Rose, nossa cozinheira-doceira-lavadeira-babá-governanta-bombeiro-eletricista e telefonista.

_Rose, a Patroa disse alguma coisa sobre estar precisando de alguma coisa?
_Não, Seu Careca. Ela só me disse para eu não falar nada sobre presentes.
_Pô, Rose, nada?
_Nada, oras!

Hoje de manhã, aproveitei que a Patroa estava escovando os dentes e comecei:
_Já sei, vou comprar uma falkjhçlkhaflkhyfohçjçlooioi, você vai adorar.
_Uma o quê? – embolou ela.
_ Uma falkjhçlkhaflkhyfohçjçlooioi....
_ E o quê é isso? – na verdade, estou traduzindo, ele disse algo como "EFUQUEFEISSO", com espuma e tudo.
_Ah, as mulheres gostam de usar isso para liueohnfpaihçnçlmfçlhydpo, né?
_Mas do que você está falando? (tradução livre de "MADIQUIMERUIUANBDFOSSEFALAAHH")
_É surpresa, benhê, só no dia é que você vai saber!

Ainda não sei de nada, mas já ganhei algum tempo. Oras!

domingo, 9 de novembro de 2008

Café da manhã

O convite para a festa de aniversário do amigo do meu filho dizia para cada um levar um skate para radicalizar. O resto era uma imagem de um skatista e o endereço. E a imagem era de um video-game 3D onde um garoto equipado de capacete, joelheiras e cotoveleiras fazia uma manobra esperta. Meu filho tem cinco anos e estuda numa escola alternativa. E eu pensei que ele havia esquecido desse aniversário, que foi nesse sábado. Mas ele não esqueceu. Na verdade, foi a primeira coisa de que se lembrou quando acordou, às seis horas e trinta e dois segundos.
No convite, dizia que a festa seria um café da manhã. Caramba, esses alternativos inventam cada uma! Ô povo chato para dar festa! Aliás, café da manhã é pretexto para não dar festa nenhuma! Onde já se viu! Chegar de manhã, às nove horas de sábado na casa dos outros, para um café da manhã. Ai, saco! Ultimamente só me enfio em roubadas! Enquanto eu me esfalfaria numa festinha de crianças a Patroa iria ficar numa boa, total, dando aulas tranqüilamente para um bando de marmanjos numa faculdade. O paraíso na Terra. E eu teria que levar as crianças para uma festinha metida a alternativa de aniversário. Tudo bem.
_Pai, podemos ir?
_Ainda falta um pouco, filho. Primeiro nós precisaremos nos arrumar.
_Quanto falta, pai?
_Umas três horas e meia, filhote.
_Passa rápido.
_É verdade.
E nesse meio tempo, minha filha também já acordou e agora temos duas crianças acordadas e um pai semi-desperto.
_Pai?
_Diga lá.
_Já está na hora?
_Quase, só faltam três horas e vinte e nove minutos.
_Isso passa num instante.
_É verdade.
E é mesmo. Num instante já havíamos feito tudo o que deveríamos ter feito. Estávamos prontos e lépidos, e com um monte de equipamentos preparados para a festa. Cada um levava a sunga, um skate, um patinete, e duas dúzias de brinquedos para a piscina. Cada um com sua mochila.
_Pai, já está na hora?
_Sim, podemos sair. Só faltam três horas e dezenove minutos. Que tal a gente tomar café da manhã antes?
E assim foi. Com a maior calma do mundo, consegui controlar a ansiedade do meu filho até as nove e quinze. E como a casa do colega era distante, pensei que daria tempo para chegar mais gente.
Em vão. Eu estou tão careta que não consigo nem chegar atrasado em festa de criança. Cheguei às dez e cinco, na tal casa. Estranhei a ausência de barulho. Estranhei a ausência de decoração. Estranhei a ausência de gente. Mas havia um monte de automóveis estacionados. Para minha sorte, ou falta dela, um casal de idosos acabava de entrar na tal residência. Confirmei o endereço. Confirmei a realização da festa. Confirmei que estava certo. Fui o primeiro a chegar. E esquecemos as mochilas com as tranqueiras de piscina e as sungas e maiôs. E eu me cansei.
E o pior de tudo foi, de repente, me pegar conversando sobre um monte de coisas que eu não ligo a mínima. Com um monte de gente com quem eu não tenho a menor vinculação. Me sinto cada vez mais estrangeiro da escola alternativa e sua gente. Café da manhã!E o "parabéns" foi chocho, chocho.
_Pai, não tem lembrancinha?
_Acho que não, filho. Torraram a grana toda em presunto.

sábado, 8 de novembro de 2008

Bye, Tropeço! Bye, Gregório!

Acho que eu antecipei o velho chato que eu vou me tornar. Isso só aconteceria daqui a alguns meses, mas a verdade é que a Velhice Súbita me atingiu com um grande golpe de bengala nas costas, nas duas últimas semanas. É, minha querida Kombi de leitores. Minha Velhice Súbita pode ser aterrorizante.

Mas na maior parte das vezes, ela é apenas modorrenta. De vez em quando ela me ataca disfarçada de Tiozão. Esse, todo mundo sabe, todo mundo já viu. O Tiozão Tropeço ainda acha que é poderoso quando vê as moças rindo para ele. Mas ele apenas se confunde. As moças não riem para ele, mas dele. As moças estão apenas rindo daquele enorme anúncio de néon piscando na testa do Tiozão: PERDEDOR, LOOSER, TROPEÇO. Mesmo assim, como é natural, eu às vezes me esqueço das coisas. E o Tropeço me faz crer que existe um futuro em Las Vegas esperando por mim, no vermelho 36, com todas as fichas e com toda aquela birita grátis. Sim, baba o Tropeço: “vermelho 36”. E eu acredito. Não conheço Las Vegas, e dizem que os cassinos realmente fazem você acreditar que a espaçonave Terra é mesmo do balacobaco.

O Tropeço é uma besta. E o Tropeço é o meu ataque de Velhice Súbita mais comum.

Quando eu pareço um coroa ingênuo, que acredita na possibilidade do bem ser recompensado com o bem, é o Tropeço que tomou conta de mim. Quando eu fico sendo gentil com as pessoas e espero ser bem tratado pelo menos por cortesia, é o Tropeço que está ditando a etiqueta. Quando fico numa boa, tranqüilo e contente, achando que estou fazendo muito bem a minha parte, é o Tropeço que balança na cadeira de balanço.

O bem não é recompensado, ninguém tem tempo para isso. E o mal que existe, é pouco combatido, há muita tolerância com os malvados. E gentileza se agradece, deixemos de onda. Para encerrar, mesmo se todo mundo fizesse a sua parte, ainda estaríamos devendo. Ai, como tem gente nesse mundo. E aqui, na cidade, para onde se olha tem gente. Bye, Tropeço! Vê se te manca!

Não estranhe, é ela mesma, a Velhice Súbita e Mórbida. É ela que tem a desfaçatez de me lançar perdigotos, de me lançar olhos de cima para baixo, como quem contempla a própria tumba viva.

E essa Suma Morbidade eu chamo de Gregório. Pois só pode ser o Gregório que me inferniza nas últimas semanas.

Estou gripado. Estou com sono. Estou com dor nas costas. Estou um caco. Gregório mexe as minhas próprias pernas. É também ele que me faz desistir das escadas. Do café com açúcar. Do torresminho. Da conversa alegre e despreocupada. É ele que treme as minhas mãos e aumenta essas minhas olheiras em mais algumas jardas. Sob meus olhos, eu tenho trincheiras piores que as de Verdum, na primeira guerra. De dentro do fundo dos meus olhos, eu procuro não engolir a minha própria dentadura. Terei setecentas mil vítimas de mim mesmo. Gregório, meu ataque mais terrível de Velhice Súbita, cala a sua baioneta.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Um maremoto de palavras

Às vezes eu me pego voltando a ser o que eu já decidi que não quero mais ser. O idiota sobressaltado com o tempo dos outros, sem hora para nada, nem para si mesmo. O imbecil que tamborila a própria cabeça e se atormenta com perguntas que não vai conseguir responder.

Sou só mais uma peça num tabuleiro intricado demais. Jamais vou conseguir descobrir o sentido da floresta. Mas posso enxergar um sentido, ainda que chinfrim, numa árvore ou noutra. E, na verdade, são poucos os destinados a serem brilhantes.

Existem algumas imagens que não me saem da cabeça. O amargurado, que arranca os próprios cabelos e esfrega terra no peito. O menino, sentado na calçada, que observa o barquinho de papel se esgueirar inevitavelmente para o bueiro. A mulher que pede uma bofetada para o amante. O arrependido, que chora lágrimas amargas em copos de chopp. Nunca sairão da minha cachola, essas imagens tristes e tolas, dos dias em que eu pisava o chão com os meus pés de barro.

Houve um tempo diferente. Eu achava que poderia voar a qualquer momento. Para alçar um vôo rápido, eu só precisaria fechar os olhos com força e me concentrar bastante nas pessoas que eu amava. E num instante eu estaria planando feito pedaço de plástico soprado pelo vento.

Agora já não é mais assim. Parece que me perdi de um mundo e estou suspenso de outros. Não encontro o foco para levitar. Eu desmorono avalanches. Desespero. Carrego um maremoto no peito.

Em outro tempo, já fui o rei de umas guerras sutis. Brilhei num dia frio, bem rápido. Quase ninguém viu. Flutuei alguns segundos breves, antes de naufragar tempestades. Se eu tivesse tido bom senso, ainda teria aquele par de asas roubadas.

É tarde. Tenho os sentidos centrifugados. Só furacões me comovem.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De molho

Peguei um gripão, galera! Estou há dois dias ruim à beça. Amanhã devo voltar ao normal.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pô, vê se não esquece!



Eu recebo poucos e-mails familiares. Meus irmãos raramente mandam mensagens. Dos sobrinhos, conto nos dedos os e-mails recebidos. A Patroa escreve pouquíssimo para mim. Aliás, quando recebo e-mail da Patroa já sei que vai sobrar alguma coisa para o meu lado. É pedido para fazer alguma coisa ou reclamação por eu não ter feito outra coisa. De qualquer modo, eu sinto logo um arrepio, pois estarei sendo condenado ao final da mensagem com algo gentil como “Pô, vê se dessa vez você não esquece, hein?”. E na verdade eu não me esqueço. A Patroa tem uma sintonia tão grande comigo que ela às vezes acredita que eu sou capaz de ler a mente dela. E, talvez por isso, ela não se dê ao trabalho de me dizer as coisas.

É super legal. De verdade. Eu me sinto como se estivesse participando de um espetáculo de mágica, como auxiliar do truque do coelho e o mágico me pedisse o serrote.

Outro dia mesmo, era sábado, ela me deu uma cotovelada às seis da manhã e disse assim:
_Hoje é sua vez.
_Vez de quê? – eu balbuciei, ainda de olhos fechados por uma tonelada e meia de sono.
_De ficar com as crianças. Levanta.
_Hum-hum – eu disse, claramente em concordância.
_Levanta, benhê, é sua vez. Você combinou.
_Hummmmm – insisti.
_PÔ, CARECA, QUER LEVANTAR E FICAR COM AS CRIANÇAS PARA EU DORMIR!!!!

E no meio da frase eu já estava de pé e tinha corrido para junto das crianças. É, minha querida Kombi, comigo é assim, eu sou rápido à beça quando as pessoas começam a falar comigo em letras maiúsculas. Abraçado às crianças, enquanto recuperava o fôlego e um pouquinho de dignidade e amor próprio, eu inspirei e expirei até que o meu coração recuperasse o seu ritmo neurastênico de todos os dias. E durante esse processo de retomada, fiz uma retrospectiva mental do dia anterior, da semana, do mês e do ano e não me lembrei de ter combinado nadinha com a Patroa.

No entanto, como eu já estava de pé, eu não iria iniciar uma discussão por travesseiros e espaços no colchão. Tratei logo de ir brincar de brinquedos calmos com as crianças, brincadeiras inocentes e lúdicas, ideais para madrugadas de sábado tranqüilas e infalíveis como Bruce Lee: o xilofone, a bateria rítmica e o tecladinho chinês da feira dos importados.

Sim, minha querida Kombi de leitores argutos e circunspectos. O xilofone alcança apenas 140 decibéis na escala Richter, o que não chega a ser um verdadeiro incômodo. A bateria rítmica é um Olodum portátil sem Carlinhos Brown, mas não é nenhuma avalanche. Agora, até mesmo eu tenho que admitir que aquele tecladinho Hong Kong Fu foi uma provocação deliberada. Mesmo assim, não dou o braço a torcer. Desde então tenho insistido com a Patroa para que ela faça um curso rápido de “Controle da Raiva e Manutenção do Bom Humor em Manhãs de Sábado”.

Agora mesmo vou mandar uma mensagem para ela, lembrando que eles oferecem o dinheiro de volta em dobro para as pessoas que fizerem o curso e não conseguirem controlar a raiva. Eles nem falam do bom-humor. Ou seja, é investimento garantido. E o teclado Made In Último Imperador é imbatível como Bruce Lee. E só para chatear um pouquinho eu vou escrever assim, no final: “Pô, vê se não esquece, hein?”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O estranho caso do sumiço de visitas do Cazzo!




No dia 24 de outubro, o blog http://quecazzo.blogspot.com/ , também chamado de Que Cazzo é esse?!!, tido e mantido por uma turma de sociologistas e intelectualistas porretas situados na belíssima cidade de Recife, fez publicar a denúncia blogular e globular de que estavam faltando números e mais algarismos no contador daquela meritíssima bloguidade.

Foram espoliados de visitas de visitantes que já haviam visitado e marcado presença por aquelas virtualidades. Ficaram danados de escalafobéticos. Atoleimados, abismados, precipiciotados e bronqueados, soltaram verbos, subjuntivos, predicados e perdigotos eletrônicos por aquela paragem e por outras, de menor aderência.

Mesmo assim, colou. E muitcho.

Receberam dezenas de assinaturas suportadoras e apoiolísticas que muito inflaram e inflamaram os egos ególatras e egomaníacos daqueles cabras persecutores e executores de lábaros academicistas, superprofundistas e tatuzeantes.

Eu, inclusive, que pouco me interesso por umbigos e umbigadas alheias, nessa me aventurei com hipotemizações hipotéticas e considerativas, cheias de especulações obstetrícias, dentro do maior e mais bem quisto desejo de ver o nascedouro da verdadeira verdade. Não adiantou.

Jamais se soube, desde então, do destino dos famigerados visitantes, que sufrajaram com os ósculos de suas pegadas e rastros de navegações internetiárias, aquele sítio parafernálico de discussões, elucidações e misterismos narcolépticomplicados. Aqui, quase disse tudo, mas ainda falta um bocadinho.

É que passada mais de uma enfiada de uma semana de sete dias de mistério, já se passou para outro sem que o primeiro e mais importante fosse deveras clarificado com a transparência e translucidez esperada de cientistas fazedores de cientificismos e cientificidades.

Eu tenho nessas cientificitudes a maior das admirações e alumbramentos, não posso negar. Gosto em demasiadamente de complexicações estupefacilisérgicas, que ponham os meus neuromotores para elocubracelerações cosmicopulantes.

É.
Mas, de fato, não sei ainda o que aconteceu com o contador do Cazzo?!
Mas não importa. É só pretexto. Tenho saudades da encantamentoratória do Odorico Paraguassú, prefeito daquela fantástica cidade de Sucupira, da novela O Bem-Amado, de Dias Gomes.

Engraçado, nunca encontrei essa novela em DVD, ou em livro. O mesmo vale para Saramandaia, outro grande fenômeno de Dias Gomes. Um dos maiores criadores do imaginário desse país não teve a obra compilada e organizada com o carinho devido aos mestres. Por muito, muito menos, outro Zé virou cadeira e tese na Sorbonne.

domingo, 2 de novembro de 2008

É Massa! É Massa!

Foi o GP de F-1 mais emocionante dos últimos anos. Chuva ia, chuva vinha, e o Massa brilhava. Ponta a ponta, fora uma idas ao box, todas delirantes. Antes da bandeirada, já fiquei eufórico e berrando um tempão. Até que alguém me puxou a camisa e me avisou que o campeonato tinha sido conquistado pelo Hamilton na última curva. Putzgrilla!!! É Massa!

Cinco coisas que eu levaria numa fuga
Não. Não sou um fugitivo. E se fosse, seria um inocente, como o Doutor daquela antiga série. Aliás, não levo o menor jeito para culpado. Serei sempre inocente. Cordeiro, ao invés de lobo. Vítima, ao invés de algoz. Como diria o Escorpião ao espetar a Rã, “é uma questão de natureza”. E tenho até resistência a dizer a última palavra do título acima. Mas vamos supor que, por causa da crise, fosse obrigado a me distanciar rapidinho de onde estou, ainda que provisoriamente. Ou que fosse necessário sair de banda, pela direita, em velocidade espantosamente rápida para as minhas panturrilhas. Ou que eu precisasse zunir daqui, de onde estou, para alhures, onde não fosse conhecido e ali permanecesse incógnito.

Para fazer tudo isso ou qualquer uma dessas coisas, eu precisaria deixar pronto um kit-escape, que eu pegaria com a mão direita enquanto as minhas pernas fizessem zig-zig-zás me distanciando cada vez mais de onde estivesse. Nesse kit não levaria comida, nem dinheiro, nem cartões de crédito, nem outras coisitas óbvias e essenciais para a sobrevivência humana em qualquer lugar. Não. O objetivo desse kit-simanduca seria prover os meus momentos de ócio e tédio, alimentar o meu espírito, alegrar e apaziguar os meus tormentos mentais.

Pois então, essa seria a lista de cinco coisas que eu levaria:

1 – Caderno com capa dura e com elástico – já tenho um monte de Moleskines especialmente preparados. Mas também tive a pachorra de incrementar alguns Opus sem pauta, da Tilibra, com tiras de elástico cuidadosamente medidas e costuradas às capas.

2 – Lápis Staedtler 4B ou KOH-I-NOOR HARDTMUTH 1500 4B.

3 – Borracha Faber Castell.

4 – Caneta Gel Uniball Signo 0.7 .

5 – The Stories of John Cheever – Uma coletânea sensacional que eu ganhei, que custou apenas U$7,99.

Quando fiz o teste com o elástico do caderno, descobri que não dá para prender tudo isso. Então tive que comprar uma bolsa, pequena e leve, que coubesse essas coisas. Achei uma legal, com zíper. Vou cobrir a parte de fora com Scotch Gard, para impermeabilização. Depois que terminar, estarei definitivamente pronto para fugir, a qualquer momento.

Não.

Ainda precisarei de um mapa. Não se foge sem o mapa do lugar para onde a gente vai fugir. E para se ter o mapa, ainda será necessário escolher com muito cuidado o lugar ideal para a minha fuga.

Ainda vou precisar de mais alguns meses de planejamento.

sábado, 1 de novembro de 2008

Torcerei pelo Massa




Watchmen
Tenho grandes expectativas quanto à versão para o cinema desse quadrinho genial que é Watchmen, a graphic novel de Alan Moore(escritor), Dave Gibbons(ilustrador e letrista) e John Higgins(colorista). Li no ano de lançamento, em 1986. E foi uma das primeiras e melhores novelas gráficas a fixar residência na Rua da Minha Memória de Quadrinhos Legais. Vinte e dois anos depois, essa é uma rua que continua a crescer na minha cabeça, embora eu já não seja um consumidor de HQs tão compulsivo quanto antes. Vi um treiller do filme na Internet e foi surpreendente constatar que as imagens seguem exatamente o enquadramento sugerido pelo Dave Gibbons.

Já vi também um monte de fiascos baseados em quadrinhos geniais. Um exemplo foi a Liga Extraordinária, também escrita pelo mesmo Alan Moore e desenhada pelo Kevin O'Neill. O filme ficou sem pé nem cabeça e chato.


É Massa, é Massa, é Massa!
Não sei o resultado, escrevo no sábado à noite. Mas vou torcer pelo Massa. Espero que ele lidere a prova inteira e faça tudo certinho, do início ao fim. Também vou torcer para que o Barrichelo fique esperando o Hamilton alcançá-lo e depois, sem querer, faça o inglesinho sair da corrida, sem ferimentos.

Frase do dia


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