quarta-feira, 24 de março de 2010

A lógica de arrumação do Careca e o kit remendo



Outro dia o pneu de uma das bicicletas estava vazio. Eu não consegui encontrar o kit de cola e remendo de pneu que eu comprei. Rose(a secretária graduanda que também é cozinheira, babá e faxineira) utiliza o método de entulhar todas as coisas que estão fora do lugar nos armários. Desse modo, se você esquecer alguma coisa fora da ordem aqui em casa é provável que não encontre nunca, a não ser que pergunte para a Rose. Ela acha tudo o que esconde, pelo menos isso. Mas o kit remendo ela não encontrou, sinal de que eu mesmo é que devo ter guardado.

Eu tinha um bom método de guardar as coisas. Eu deixava à vista, nas prateleiras vazadas, fora de gavetas. O grande problema é que desde que a minha mulher planejou, executou e fez tudo sozinha na reforma do apê, aqui em casa não tem mais prateleiras. Quer dizer, só tem prateleira em armário. Fechado. Nada fica à vista. Eu não encontro nada.

As minhas prateleiras ficavam em volta do computador. Sabiamente e ao longo de vários anos, eu fui arquitetando uma série de prateleiras num canto da varanda que eu usava como escritório. Não era muito bonito de se ver, mas funcionava. Se eu precisasse de uma tesoura, estava ali, ao alcance da mão e dos olhos. Se eu quisesse uma resma, ali estava. Se eu sentisse vontade de pegar na minha coleção de tampinhas de refrigerante, pronto. Remédio? Óculos reserva? Fio dental? Lupa? Estava tudo ali. Era só esticar o braço.

Desde o ano passado a coisa mudou. Com o sumiço das minhas prateleiras, tive que adaptar a minha lógica de arrumação para o mobiliário restante. A estante aberta teve usucapião requerido e objetivado pela minha mulher, só consegui uma prateleirazinha de nada. O armário novo, um colosso que demorei seis horas para montar, passou a abrigar todas as minhas quincalharias cuidadosamente entulhadas pela minha mulher e pela secretária graduanda. Um horror, não acho mais nada.

Às vezes eu abro a porta do armário e me lembro dos dias felizes, onde eu conseguia encontrar uma caixa de clips, da minha coleção de caixas de clips. Hoje eu passo uns bons minutos para encontrar qualquer coisa. Demora tanto que às vezes eu esqueço o que eu estou procurando e fecho a porta do armário. Por isso desenvolvi uma nova técnica para encontrar coisas nos armários entulhados daqui de casa. Fico resmungando em ritmo hipnótico. É uma repetição tipo mantra do que estou procurando, para não esquecer o que procuro. Tipo assim:

_Kit remendo, kiiit remeendooo, kiiiiiiit reeeemmmeeeenddddoooo.

E na maioria das vezes funciona para lembrar as coisas. Mas a repetição mântrica hipnótica não é uma panacéia para todos os esquecimentos. A verdade é que para encontrar mesmo alguma coisa, eu tenho que pedir a ajuda de São Longuinho. No mínimo, três vezes. Além disso, repetir provoca profundos efeitos colaterais, minha mulher e meus filhos escutam os meus mantras xamânicos lembrativos e acham que eu estou virando um resmungão. Nem tento fazê-los mudar de idéia, porque vai parecer mais resmungo.

2 comentários:

Mario Salimon disse...

Careca, eu ando revoltado aqui porque meu esquema de cores para toalhas de banho foi totalmente abandonado, por ordem de quem não sei. Eu fico com as azuis sempre. Minha toalha tem que ser azul. As da digníssima verdes, as das meninas- é lógico - rosas, e as do Luis amarelas ou laranjas. Parece doideira, mas isso facilita muito as coisas.

Careca disse...

Mario, gostei do esquema, muito bem bolado. Vou propor essa idéia aqui em casa nas proximidades do Dia dos Pais, quem sabe topam?

Frase do dia