domingo, 16 de fevereiro de 2014

A Arma Zeta VII

Nunca tive problemas com a nudez. Ainda mais no Carnaval. Depois de algum tempo vendo tantos corpos descobertos, a gente acaba anestesiado. Mas é diferente quando você está fantasiado de frade e, sem mais nem menos, a sua roupa desaparece. Manoela ria, ainda apontando a Arma Zeta na minha direção. Eu tentava cobrir algumas partes, mas tinha a sensação de que estava vestido, embora não estivesse vendo as minhas roupas. No momento seguinte, minha fantasia voltara, colorida de rosa choque. Em seguida, eu estava vestido de índio, depois de lagosta, martelo, vaca, cachorro, gato, galinha, bode e tubarão.

_Espere aí, eu também quero brincar com isso - eu disse.

Manoela parou de rir e me encarou muito séria.

_Isto não é um brinquedo. Levei muito tempo para aprender a mexer com uma Arma Zeta. Além disso, só eu posso usar esta aqui. Ela é minha - disse Manoela.

_Moça, você está de brincadeira. Eu achei essa coisa tem uns 10 anos, não pode ser sua - eu disse.

_Foram 9 anos, onze meses e treze dias.

_Tudo bem. Tudo bem. Eu não quero brincar com essa coisa. Mas se ela é sua, por quê demorou tanto para pegar de volta?

_É uma longa história - ela disse.

_Eu tenho tempo, desde que você me devolva a minha fantasia de frade - eu disse.

A troca aconteceu num piscar de olhos. Ela esperou eu me sentar antes de começar a me contar o que havia acontecido 9 anos, onze meses e treze dias antes que eu tocasse pela primeira vez na Arma Zeta.

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