sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Arma Zeta VI

Eu estava de rosto colado ao chão. O que aconteceu não durou mais que alguns segundos e eu ainda não conseguira entender tudo. Não houve explosão e nem barulho, a única coisa que senti foi uma vibração e no instante seguinte eu estava do outro lado da sala, como se uma onda tivesse se arrebentado nas minhas costas. Ainda deitado olhei para os lados esperando ver a sala destroçada, mas aparentemente tudo estava como antes.

_O que está acontecendo? - eu disse, olhando para os calcanhares de Manoela, à minha frente. De alguma maneira, eu havia sido atirado para trás de onde ela estava.

_Não sei ainda, fique quieto - disse Manoela.

Eu respirei fundo e fiz uma verificação rápida da situação. Eu não sentia dores, conseguia mexer os dedos, tinha a boca seca e não estava tonto. Estava com tremedeira de tanto medo e provavelmente precisaria tirar aquela fantasia de padre, trocar de roupa, mas não havia sangue e nem sinal de ferimentos.

_Caramba! Teve um tsunami nas minhas costas e você não viu? - eu disse.

_Quieto, eles estão em algum lugar à nossa frente - ela disse.

_Quem são eles? Só vejo calcanhares - eu disse.

Uma nova onda se quebrou à minha frente e desta vez eu senti como se alguma coisa se quebrasse atrás dos meus olhos. Parecia que milhares de pequenas fagulhas estavam fritando a minha cabeça por dentro, meus olhos ardiam. Quando os abri, tudo estava como sempre foi. Não havia nada pegando fogo, ninguém gritava, o silêncio imperava. A mesa, o sofá, tudo estava exatamente como antes. Subitamente eu percebi o que havia de errado: eu não via os calcanhares de Manoela.

_Eles já foram – disse ela, sentada calmamente na poltrona ao meu lado.

_Quem são eles? – eu disse.

_As pessoas que acabaram de tentar nos destruir – disse Manoela, ainda empunhando o velho enfeite de mesa como se fosse mesmo uma arma.

_E por quê alguém tentaria me destruir? Eu não sou ninguém – eu disse, lembrando de dois ou três filmes onde essa pergunta também é feita.

_Mas você tem uma dessas – ela disse, brandindo o velho brinquedo.

_Um revólver de brinquedo? Querem me destruir por um pedaço de lixo?

_Este “lixo” é a arma de todas as armas. É a Arma Zeta! – disse Manoela, os olhos brilhando.

Tive que rir. E teria gargalhado muito mais se, de repente, sem que eu soubesse como, minha fantasia não tivesse desaparecido.

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