sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A Arma Zeta 11

É possível amar quem nunca tocamos? Impossível, dirá alguém apressado, se esquecendo do que sentiu quando percebeu que ali, contra a pele de uma barriga de mãe, era possível distinguir um braço ou um pé e vislumbrar um futuro maravilhoso e feliz. Impossível, dirá algum afoito, que já se esqueceu de todos os amores porque só ama a si mesmo. E todos os amores são possíveis porque é impossível não querer amar, ainda que seja apenas por alguns minutos. Eu divagava e por isso, naquele instante em que Manoela morria, eu tinha certeza de que alguém havia colocado alguma coisa na minha bebida. Manoela estendia a arma Zeta e me dizia alguma coisa. Ao tentar ajudá-la meus joelhos na fantasia de frade ficaram encharcados de sangue.

_Quem fez isso? Quem atirou em você?

_Caleb - disse Manoela, com os olhos agora paralisados.

A porta explodiu à minha frente. Eu empunhava a arma Zeta como vira Manoela fazer, mas com a absoluta certeza de não saberia fazê-la funcionar. Roberto entrou em casa, arrastando Brigitte. Ele apontava um revólver para a cabeça.

_Não se mexa, garoto. Coloque isso no chão. Minha briga não é com você, é com os Mondego - ele disse.


Eu tentava me concentrar na leitura labial, mas aquilo era muito difícil. Brigitte estava me dizendo alguma coisa que eu não conseguia entender de jeito nenhum.

_O quê? Gente? Pente? Sente? - eu pensava. Brigitte se desesperava.

_Pense?

Então pensei em explodir Caleb, mas apenas senti a arma Zeta fazer aquele "blop" inofensivo. Não aconteceu mais nada. Brigitte gritava de desespero e Caleb mirava cuidadosamente. Ele deveria estar quase sem balas.

_Flechas! Eu pensei em flechas atingindo seus braços e pernas - eu disse. Mas não aconteceu nada.

Então Roberto, ou Caleb se aproximou e bateu com força na minha cabeça com a coronha do revólver. Eu deveria ter apagado, então fingi. Caleb puxou raivosamente a arma Zeta da minha mão e disparou contra Brigitte. Ela ficou estranhamente calma e sorridente. Alguém que a visse naquele instante poderia jurar que ali estava uma pessoa feliz, muito feliz.



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