quarta-feira, 2 de maio de 2012

Versos para quiabar



Paul McCartney - For no one

Em alguns círculos minimamente frequentados, conjuga-se o verbo quiabar. Eu não, eu não quiabo. Mas ele quiaba, ela quiaba e aqueles que vacilam, quiabam. Um montão de gente há um dia de quiabar. Mas vós, Senhor? Vós, não, tenho certeza e fé de que jamais quiabarás.

É um verbo raro, o verbo quiabar. Eu mesmo, não quiabo. Mas hoje mesmo, um fulano quiabou comigo, não ficou só no atraso. Marcou e confirmou com antecedência mês, dia, hora, local e assunto, mesmo assim quiabou, nem deu as caras e nem ligou para se desculpar. Não importa, eu digo para mim mesmo, quem aqui quiaba, um dia quiabado será.

Considero quiabar um ato voluntário e imperdoável. Sujeitos que quiabam não têm a decência de ligar e avisar antes que irão faltar. Também não ligam depois, nem ligam a mínima, se esquecem rápido do que um dia fizeram questão de confirmar.

Quiabar não é só se esquecer de um compromisso. É mais grave. É se esquecer de que jurou que não iria faltar. Por isso, não é passível de perdão, o quiabar.

Sou do tipo que não esquece e até guarda rancor de quem comigo quiaba. Por causa disso, da quiabagem alheia, amigos viraram bandidos, amigas viraram traíras e até parentes bani para o limbo. Não é exagero. Tenho certeza de que, em países civilizados, quiabar é crime hediondo e inafiançável, nos estrangeiros não se brinca com coisa séria.

Tenho porém que confessar que um dia, também eu, quiabei, embora não seja, como já disse, de quiabar. Felizmente, dos males o menor, quiabei comigo. Mas até hoje acho que não vou me perdoar.

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