sábado, 1 de março de 2014

A Arma Zeta 01 de março


Levei um susto, é claro. Mas eu estava de capacete e casaco, era impossível ver o meu rosto debaixo daquilo tudo. Era sexta-feira pré-carnaval. Eu estava irreconhecível, tinha certeza disso.

_Sei que é você. Nós o vimos no parque da cidade. Você até que conseguiu descobrir onde estávamos bem rápido. Aposto como foi aquele seu primo do Detran que ajudou. Como é mesmo o nome dele? – disse Manoela.

_Vinícius – eu disse, tirando o capacete. Mil dias começaram a subir sobre os meus ombros.

_O primo Vini, isso mesmo, você me contou. Ficou devendo um favor a ele, não foi?

_Não. Ele não cobra quando o assunto é de família.

_Uma ova. Qualquer dia ele apresenta a conta, você mesmo me disse.

_Resolvi que valia a pena – eu disse.

_Não vale, acredite. Eu gostaria que você não me procurasse mais. Já faz mais de ano, foi no outro carnaval. Esqueça tudo – disse Manoela.

_Não consigo. Fico vendo a poça de sangue se formando debaixo da sua barriga.

_Isso nunca existiu. Nunca aconteceu. É coisa da sua cabeça, seus pais falaram com a gente. Minha mãe se cansou depressa, perdeu a paciência. Eu também, por diversas vezes perdi a paciência. Eu sou a sua monomania, a pessoa que desperta suas fantasias. Faço você imaginar coisas, construir moinhos de vento. Mas eu não sou Dulcinéia. Nada disso é real. Procure outra pessoa, por favor. Onde está aquele médico? Me deixe em paz. Ou serei obrigada a chamar a polícia. Meu pai...

_Rosalvo Alencar Mondego – eu disse.

_Victor Caleb – disse Manoela. Meu pai, Victor Caleb, deve chegar a qualquer momento. Vá embora. Será melhor para você. Todas as vezes que se encontram acabam brigando. É melhor você não se verem.

_E onde está a arma Zeta? – eu disse.

_O enfeite de mesa? Aquele brinquedo velho? É nisso que você pensa? É só um brinquedo antigo – disse Manoela.

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