quinta-feira, 27 de março de 2014

Os efeitos do cinema no cotidiano

Choveu hoje o dia inteiro, o que me deixa um pouco desanimado. Especialmente porque surgiu uma goteira no telhado e essa umidade toda impede qualquer tipo de conserto. A nova goteira apareceu no último sábado, quando choveu a cântaros e a mudos silenciosos. A água se infiltrou em algum lugar na base da chaminé da churrasqueira e desceu para o forro, na copa. Felizmente o gesso do forro trincou e a água não se acumulou, desceu para o balcão da cozinha. A Rose percebeu e eu pude posicionar alguns baldes estratégicos sobre o balcão. Não ficou bonito, mas conteve o problema. Por enquanto, com as telhas Monte Carmelo encharcadas, não há o que fazer. Tenho que esperar um dia de estiagem, com sol a pino para secar bem as telhas e tentar vedar o telhado.

Em dias tão chuvosos assim, até o Rafa fica meio brocochô. Para espantar a pasmaceira, dedico dez minutos extras da manhã ao cachorro. Ele gosta de buscar coisas, então fico atirando o osso de borracha em várias direções. Rafa busca da primeira vez com grande animação. Na segunda vez já é possível ver que a brincadeira não está mais tão empolgante. E na terceira vez Rafa pega o osso de borracha e me esnoba, indo se refugiar debaixo da mesa. Eu só o convenço a sair usando um palito de osso. Ele adora. Depois passo cinco minutos alisando o Rafa. Li em algum lugar que os cães adoram isso e nós, humanos também. A mesma reportagem dizia que coçar o cachorro também contribui para a melhoria da saúde do cachorro e do humano coçador.

O tempo voa quando estamos nos divertindo, todo mundo sabe. Daí a um instante já é hora de pegar as crianças. No trajeto até a escola, tudo molhado e monótono. Escuto as notícias e sou transportado no tempo. Há quanto tempo nossos problemas são os mesmos? Há quanto tempo ouvimos a cantilena dos poderosos que propõem as mesmas soluções, sem nunca cumprir as metas estabelecidas? Agora é pior, sem dúvida nenhuma. Minhas esperanças são mais reticentes e abaladas.

Não importa. Agora estamos eu e meu filho no carro, voltando para o almoço em casa. Ele me conta as aventuras e desventuras do seu cotidiano, as provas que ainda acontecerão, os resultados das que já fez. Quando chegamos, começamos com a nova mania de aplicar efeitos do cinema no cotidiano. O predileto é a câmara lenta.

_Anda, saia logo do carro, menino!

_Pai! É a câmera lenta – diz ele. Ela adora usar o efeito quando eu demonstro estar com pressa de alguma coisa.

E por alguns minutos ele finge andar em câmera lenta até a porta de casa. Eu espero pacientemente que ele se aproxime. Quando ele finalmente chega ao meu lado, eu também entro na brincadeira. Demorei tanto a abrir a porta que o menino não esconde o bocejo.

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