quarta-feira, 12 de março de 2014

Um pires

Eu gostaria de ser diferente. Sempre vejo um monte de gente falando que faria tudo igual, que não se arrepende e coisa e tal, e que não importa, que faria tudo exatamente como fizera antes. Eu não. Eu vacilei um bocado. Em algumas ocasiões, fui arrogante. Em outras, fui humilde. Se pudesse voltar talvez tivesse invertido as coisas. Seria humilde na arrogância e arrogante nos períodos em acho que dei mancada sendo humilde. Ou talvez substituísse tudo só pela arrogância permanente. Tenho quase certeza de que descartaria a opção da humildade. Tive menos problemas sendo arrogante.

A verdade é que a humildade traz muitos problemas. E dor nas costas. Não é fácil ser humilde. Não tem o menor glamour, é chinfrim pacas. E mesmo assim fui ensinado a acreditar que o humilde, só por ser humilde, será de alguma maneira recompensado no final. O grande problema é que ninguém nunca poderá saber quando será o final. E se for amanhã? Ou daqui a 10 minutos?

Fiquei prestando atenção nos últimos cinco minutos e posso garantir que se o fim estivesse realmente acontecendo, eu não me sentiria muito recompensado. Por outro lado, é verdade também que não tenho sido muito humilde, o que justifica a pouca recompensa, não é mesmo?

Babacas arrogantes, em geral, são mais felizes. Repara. Numa boa. Você não vê babaca em crise. Se vir, seria uma babaquice sua, não é mesmo? É impossível dizer “olha lá, o babaca está em crise”, se você não for um babaca! Não, crise e babacas não andam juntos. Até porque se sentir o máximo é o que faz do babaca, um tremendo babaca. E um babaca quando reconhece um outro, não perde tempo com babaquice.

Por outro lado, todo arrogante é um babaca. Mas por incrível que pareça, nem todo babaca é arrogante. Existe uma infinidade de subtipos de babacas. Mas o último e mais surpreendente de todos é o babaca humilde. Existem babacas tão humildes, humílimos mesmo, que chegam a despertar na gente um pouco de piedade. Eu mesmo conheço um monte de caras que chegam a dar pena, de tão babacas. Você não? Ah, coitado.

Tudo isso é pra dizer que uma das coisas em que gostaria de ser diferente é quanto à minha superficialidade. Eu gostaria de ser mais profundo e intenso. Mas depois de tanto tempo eu já percebi que sou superficial e frívolo. Dou um valor exagerado às aparências e chamo isso de senso estético acentuado.

Aqui estou eu. Profundo como um pires.

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