terça-feira, 11 de março de 2014

Ameixas

É agora que as ameixas estão mais gostosas. É na segunda semana de março que as ameixas chegam do jeito que eu mais gosto, doces mas com um traço ácido bem no final da mordida. Também é agora que não estão nem macias e suculentas demais e nem esponjosas e insípidas. Estão perfeitas, cada naco tem a consistência e o sabor que despertam boas sensações e lembranças.

Sempre comi ameixas. Quando criança, havia de dois tipos. Aquela amarela, de pele bem fina e aveludada, com umas sementes marrons gomadas por dentro. No quintal da casa da minha avó materna cansei de subir nos pés de ameixas e passar horas no meio da árvore, comendo até me cansar. Ou até ser atingido por uma mamona ou manga verde atirada por um primo ciumento de ameixa. Eu era miúdo e leve, ninguém mais conseguia subir nas árvores sem quebrar galhos e estragar as fruteiras que minha avó tanto gostava. Quando me cansava, descia com um cacho ou dois, não mais, para repetir tudo no dia seguinte, exaurindo árvore por árvore. A outra ameixa era a preta, tirada da lata, seca ou em calda, presente nos pudins, no olho-de-sogra, na farofa com passas, no recheio caprichado de alguns peixes, nos bolos e no frango assado de domingos bem especiais.

Agora os supermercados oferecem aquela mesma ameixa só que fresca, in natura, importadas ou nacionais. Prefiro as que se parecem com uma bola pequena. Algumas vezes estão grandes demais, ficam parecendo aquelas bolas de maçaneta. Dessas eu não compro, quase sempre estão com a casca dura e enegrecida, se estragam rapidamente por dentro, embora ainda conservem uma relativa boa aparência externa. As minhas preferidas estão com a casca vermelho escuro, quase amarronzada, mas com trechos de um vermelho vivo brilhante. Examino cada uma com cuidado antes da compra. Não podem estar amassadas, pois não duram mais que dois dias se estiverem machucadas.

Gosto de deixar as ameixas na bandeja de frutas, junto com as maçãs vermelhas, peras e bananas. Todas as vezes digo para mim mesmo que vou tirar uma foto para depois desenhar uma natureza morta, mas sempre esqueço de pegar a máquina. Quando dou por mim, lá estou eu com duas ameixas frescas e bem lavadas, olhando para o quintal. O gramado está bem aparado, a primavera da pérgula está repleta de flores e até o paredão de hera está bem cuidado. Está na hora de começar um novo projeto.

P.S.: Ultimamente a internet tem caído todas as noites, perto da hora em que termino o texto (que escrevo on-line) para postagem. As quedas me obrigam a retomar o hábito de escrever o texto em planilha para depois fazer o copy/paste. O grande problema é que não consigo simplesmente copiar e colar, fico remexendo o texto e isso muitas vezes torna tudo ininteligível.

Um comentário:

Guilhermino disse...

Também comia essa amarela no pé qdo criança. Agora descobri que não chamam de ameixa e sim de Nêspera. Para mim continuasendo ameixa aamarela .

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