segunda-feira, 3 de março de 2014

A Arma Zeta 03 de março


Uma vez vi um filme sobre um sujeito que inventava um colírio para melhorar a visão. O cara era um médico que estava quase cego e o colírio, além de salvá-lo da cegueira, de algum modo começou a fazer com que ele desenvolvesse uma visão super-aguçada. Esse sujeito começou então a enxergar tudo e mais um pouco, ele começou a ver os órgãos das pessoas. E no início essa visão fantástica o ajudou no trabalho, a pessoa entrava para uma consulta e ele dava uma mirada no esôfago do sujeito e já localizava o tumor. Outra pessoa entrava e ele olhava para o estômago do cara e lá estava uma úlcera enorme, o problema com o pâncreas, o intestino, o coração.

O tal médico era uma abreugrafia autônoma, um scanner tomógrafo-computadorizado vivo. Ele fazia consulta-relâmpago, com exame, diagnóstico e receituário imediato, na lata, não precisava esperar nada. E até aí você fica achando que o cara vai se dar bem, não há como dar errado. E é exatamente o que começa a acontecer no filme. Ele fica milionário. Todo mundo quer se consultar com ele, é uma loucura.

Mas tudo que é bom dura pouco, o cara não para de trabalhar e começa a usar colírio demais. Ele não consegue dormir porque as pálpebras já não protegem os olhos da luz, ele vê através delas. Para ter algum tipo de descanso ele inventa uns tapa-olhos, mas isso também não adianta muito. Logo, logo, a clientela começa a ficar com medo do médico, porque os olhos dele vão ficando esquisitos, com uma cor escura. E porque ele não dorme, o cara fica maluco e agressivo, num instante todos os pacientes se mandam.

Aí a próxima cena que você vê é esse médico numa lona, sendo anunciado como uma aberração de circo, num espetáculo de adivinhação. Acontece que o médico desenvolveu uma visão de raio-x e os olhos dele estão vendo mais do que o esqueleto, ele está vendo a alma das pessoas. Ele consegue saber quem é bom, quem é ruim, quem fez a coisa certa e quem errou. Acontece mais alguma coisa, há uma cena que eu não lembro direito, ele vê um bebê no útero da mãe. A última cena mostra o sujeito vagando pelo deserto, com o rosto ensanguentado. A última fala do médico no filme é "Se o teu olho o ofende, arranca-o."

Lembrei dessa coisa toda enquanto ligava para o meu primo Vini. Ele era o único que poderia confirmar a informação. Pelo o que eu sabia, a arma Zeta não poderia transformar ligações telefônicas.

_Vini? Vini? É você? - eu disse várias vezes.

Mas não era. A pessoa que atendeu disse que alguém havia atropelado meu primo e que ele estava no hospital. E quando cheguei ao hospital ele já estava morto. Eu gostava do primo Vini. Se aquele médico do filme o tivesse visto diria que ele tinha uma boa alma.






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