quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Errei a massa


Horace Silver - Down And Out

Não deu certo. Acho que errei a mão na massa e não consegui terminar um baú com cerâmica na tarde de hoje. Eu estava empolgado porque ontem consegui azulejar a frente desse baú rapidamente. Hoje, repeti tudo o que fiz ontem, mas a massa não secou direito e um azulejo estufou logo de cara. Logo depois, três azulejos trincaram. Passei o final da tarde e o início da noite limpando tudo. Como resultado, o trabalho de limpeza e organização da oficina atrasou um pouco. Estou devendo uma foto do local para vocês, não me esqueci.

Sempre gostei de trabalhos manuais. Na minha infância privilegiada em Brasília, as escolas públicas eram ligadas a uma escola parque. Ali os alunos optavam por "artes industriais"(couro, madeira, cerâmica, mecânica e metalurgia), música, teatro, esporte(futebol em destaque) e artes plásticas. Mecânica e madeira eram as mais disputadas. Nunca consegui estudar essas duas na escola parque. Mas tive aula na oficina de couro e também na oficina de cerâmica. Produzi bolsas, carteiras e uma mochila. Depois fiz cinzeiros, um pote, pratos e uma caneca, onde pintei um submarino amarelo igual ao dos Beatles. Os alunos apresentavam os produtos em duas feiras anuais, ao final de cada semestre. Lembro que os pais tinham que bancar essas artesanias. A escola funcionava e havia um grande envolvimento com as famílias.

Depois fui estudar em escola particular. A escola ficou mais chata. A ênfase não estava em aprender e descobrir, em estimular o conhecimento e a curiosidade. O foco estava em aprender a ser avaliado, em aprender para fazer provas com competência. Aprendi, passei em vários vestibulares, blá,blá,blá. Isso se repetiu nos anos seguintes e também na universidade. Não sou muito saudosista, tive bons momentos, mas em geral o clima na sala de aula era de desolação. Raras eram as aulas com professores empolgados e contagiantes. Depois fui para o exterior, fazer um curso de extensão. Bicho, aquilo é que era empolgação e alegria de fazer as coisas.

Mas não deu certo o meu baú. Talvez tenha sido o colante. Talvez estivesse vencido, ou exagerei na água. Pouco importa. Terei que fazer de novo. E tenho certeza de que dará certo.

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