terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quatro quadros em quadrado na parede da sala



Vintage Trouble - Not Alright by Me (Acoustic Cover)

Daqui a quatro meses, completamos um ano de casa nova. Os móveis estão sendo adquiridos ou feitos aos poucos. Compramos um sofá bonito para a sala, ficou dez. Ganhamos duas poltronas de uma amiga e praticamente encerramos a mobília da sala com outros móveis que já tínhamos. Os plantas no jardim crescem bem, temos flores por todos os lados. O quintal está bonito, fiz até uma pequena trilha de deck para enfeitar. Antes das chuvas, pintei o máximo que consegui de cercas e paredes, disfarcei bem algumas partes. Mas dentro de casa, as paredes ficaram todo esse tempo nuas, sem quadros.

Por isso, aproveitando o fato da minha mulher estar de férias, resolvemos hoje pendurar os primeiros quadros nas paredes. Primeiro percorremos a casa à procura da parede certa para começar. É uma coisa difícil, escolher parede. Por consenso, descartamos as paredes da cozinha e também da sala de jantar. Eu sugeri a parede da escada, mas minha mulher disse que não gosta de fotos na parede da escada, então não insisti. A parede da escada recebe luz natural, vai ser difícil encontrar um quadro para o local. Talvez eu acabe colocando um vaso, uma orquídea, quem sabe? Por fim, decidimos por estrear a colocação de quadros numa parede da sala, do lado esquerdo da lareira.

Deixei a minha mulher fazendo as medidas para estabelecer o local exato da colocação dos quadros. Uma das coisas fundamentais do casamento é não se meter nas contas que a outra pessoa está fazendo. Os erros, se existirem, acabarão se tornando evidentes, ninguém precisa corrigir o outro, não estamos mais na escola. Depois de uns dez minutos, eu voltei para a realização do teste do olho, ou o teste do ver-o-peso. Como já disse aquele grande decorador de ambientes, Le Cabeçon, "na colocação dos quadros é fundamental verificar se as coisas estão equilibradas, chèri". Para isso eu utilizei o meu equipamento de campo super high tech. Uma trena, uma caneta bic azul, uma régua de nível de trinta centímetros e a minha régua metálica de um metro de comprimento.

Minha mulher ficou impressionada com o equipamento, é claro. Para aumentar o deslumbramento, acoplei a base imantada da trena à régua metálica, clac. Só faltava a música de Missão Impossível ao fundo. Para preencher a lacuna, assobiei: tchururú-tchururú-tchururú-pam-pam, tchararããã-tchararããã-tchararããã...

_Quer parar com isso?! - disse a minha mulher.

_Pô, é só pra criar um clima - eu disse.

_Não tem nada de impossível nisso aqui, só vamos colocar quadros na parede - ela disse.

_Tudo bem, tudo bem, aqueles que não quiserem participar dessa operação podem sair agora, não haverá retaliações - eu disse.

Minha mulher decidiu colocar quatro quadros quadrados formando um grande quadrado na parede. A distância lateral de cada quadro era de doze centímetros. Depois foi alterada para dez centímetros.

_Última chance, pessoal. Quem quiser sair a hora é agora - eu disse.

_Sua infância deve ter sido uma droga - disse a minha mulher.

_Muito bem, estão todos comigo? Vamos colocar o primeiro e depois medir a posição de todos em relação a ele, ok? - eu disse.

Minha mulher ficou impressionada. Eu não contei que aprendi isso num vídeo sobre como colocar quadros perfeitamente alinhados na Internet. Era um vídeo coreano, não entendi nada do que diziam, mas a mímica era incrível. E deu certo. Mas havia alguma coisa errada. No teste do ver-o-peso, olhando de longe, a coisa não estava alinhada. Acochambrei, movi um pouco de lado e pronto, ficou alinhado. Foram trinta minutos para o primeiro prego. Só faltavam três.

Aí as coisas começaram a ficar complicadas. Depois de dez minutos de medição, marquei o local exato do segundo quadro e, ao invés do prego, martelei o meu dedo. UUhh!

_Não é nada, não é nada. Foi só um ferimento leve. Uma pequena transfusão e estarei bem - eu disse.

Sem demonstrar preocupação com a minha saúde, minha mulher decidiu alterar o plano inicial. Ao invés de um quadrado, colocaríamos os quatro quadros em linha reta.

_O que eu acho? Putz. Como assim? Quero dizer, acho bacana, é claro. Em linha reta é muito bom. Todo mundo gosta, é quase uma unanimidade colocar os quadros em linha reta - eu disse.

E depois de tudo medido e marcado, minha mulher decidiu voltar ao plano original, o que exigiu novas medições e testes.

_Claro, claro, você tem razão. Quadros quadrados em quadrado é uma forma clássica de colocação, muito utilizada inclusive pelos melhores decoradores da França, o que não é pouca coisa - eu disse.

Tratei de medir e marcar a posição dos quadros. O único problema é que eu comecei a confundir as marcas, então tive que medir tudo outra vez logo depois de terminar.

_Onde está Kowalski? Cadê o Chefe Ohara? - eu disse.

Ainda estaríamos nessa se minha mulher não tivesse descolado um lápis para que eu marcasse os pontos definitivos.

_Mas amor, todo mundo sabe que lápis é para rascunho - eu disse.

_Nem sempre. E ao invés de um ponto, faça um x pequeno dessa vez. Vai ficar mais fácil para ver a marca - sugeriu a minha mulher.

Depois de duas horas, conseguimos colocar os quatro quadros em quadrado. O resultado ficou incrível, muito bom mesmo. Mas acho que vou esperar mais uns meses, talvez um ano, para colocar outro quadro na parede.

Um comentário:

JGould disse...

Putz! Que saga!!! Ainda bem que não precisou do Wilson nem do Bruno.

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