sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Imelda faz escola



VVBrown - Bottles

Acho que está tudo muito caro. E não é só porque estou curto. Tudo custa uma nota preta. Para mim, essa é a única explicação para os nossos turistas gastarem tanto no exterior. Aqui no Brasil, como tudo custa uma grana lascada, quem viaja não gasta tanto. Sim, eu sei que as pesquisas mostram que os brasileiros estão entre os maiores gastadores do planeta, atrás apenas de alguns xeiques árabes e dois ou três ditadores africanos. Minha explicação é simples: é tudo muambeiro. Brasileiro gasta muito lá fora para vender aqui dentro com um lucro que dê ao menos para bancar as passagens.

Agora mesmo alguns parentes da minha mulher estão nos esteites, torrando uma grana, a pretexto de ir à Disney. Levaram as malas quase vazias porque pretendem comprar um monte de roupas e bugigangas. Lá, as bugigangas são mais baratas e as roupas aguentam as máquinas de lavar roupa daqui. E é cada malão que só vendo. Foram com as crianças, é claro, uma menina de oito e um garoto de onze. Elas gostam tanto da Disney quanto eu de quiabo. As malas são do tamanho da menina ou talvez maiores um pouco. Quatro malas. Todas com rodinhas. Pelo menos uma sem alça.

Antes deles saírem foram super-gentis e perguntaram se a gente queria que trouxessem alguma coisa. Minha mulher foi super-educada e disse que não, quiéisso, não precisa. Eu estendi uma listinha de quarenta itens, mas minha mulher foi rápida e conseguiu rasgar a lista antes que a irmã a pegasse. Brincadeira, é claro. Estamos em alerta vermelho para qualquer despesa acima de dois dígitos. Antes de usar uma Garoupa, nós fazemos três orçamentos e uma reza de terço para que tudo dê certo com o cartão de crédito. A coisa está feia.

Por isso, hoje fiquei surpreso quando a minha mulher me chamou para fazermos "umas comprinhas".

_Quem convida, paga, lembra? - eu disse.

_Não se preocupe, vou comprar apenas o necessário - disse a minha mulher.

_Dizem que essa era a frase preferida da Imelda Marcos - eu disse.

_Não vamos numa loja de sapatos nicaraguense. Nós vamos ao Home Center, na sua loja preferida de bricabraque - disse ela.

_Lá onde eu compro as tralhas para marcenaria? - eu disse, salivando.

_Hum-hum - ela disse, batendo as pálpebras.

E nós fomos às compras, ó minha kombi, e voltamos para casa cheios de pacotes e dívidas no cartão de crédito. Sim, amanhã estaremos arrependidos mas consumir é viver, como já dizia Imelda. Bom, se ela não disse isso, deveria ter dito.

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