quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Videogame



Subway Club - Showing Up Late

As crianças estão felizes. Não somente porque se divertiram com o feriado prolongado, mas também porque os primos estão aqui. Os pais aproveitaram uma pechincha na internet e conseguiram viajar para Paris onde passam a semana. Fica muito mais barato que uma semana na beira de uma praia qualquer. E além disso, é Paris. Todo mundo enche a boca quando fala da viagem que fez a Paris. E quem não foi ainda, suspira sem esconder um pouquinho de inveja.

Enquanto estão aqui, eu, meu filho e meu sobrinho jogamos videogame. Foi um presente do dia das crianças. Achei que era um jogo pacífico, só de labirintos e enigmas para escapar de uma ilha misteriosa. Mas Tomb Raider é pauleira. Lara Croft morre tantas vezes e tão rapidamente que ficamos craques no revezamento dos controles. Sob meu controle, a moça sucumbe ainda mais rapidamente em quedas constrangedoras de alturas sublimes, golpeada por lobos famintos ou atingida sem piedade por inimigos que surgem de repente, enquanto se ouve uma musica sinistra. A aventura é infindável e os cenários da ilha são realmente muito bonitos. Minha mulher não queria conversa, ela achou o jogo muito sangrento e quase proibiu a jogatina. Nessas horas é que a gente descobre que nada é novidade para as crianças, todos os jogos proibidos já foram jogados nas casas dos primos mais velhos ou dos amigos. Sob a tutela do pai e tio, os jogos retornaram. Com dez minutos de jogo, os meninos já dominam todos os truques. Mas Lara Croft continua sucumbindo rapidamente enquanto me atrapalho com os controles.

_Pra quê serve esse botão azul? - eu pergunto.

_Serve para uma porção de coisas. Aperta ele pra escalar essa parede aí - diz o meu filho.

_Qual parede?

_Cuidado com o lobo!

_Onde? Onde? Aaaahhhh, nãããoooo!

_Você foi bem, pai, mas precisa se concentrar mais um pouco.

_É, tio, agora é a minha vez.

_Pôxa, não durei nem vinte segundos.

_Foram 15, pai. Eu cronometrei.

Como tenho que esperar muito tempo até que o controle volte às minhas mãos, fico torcendo com as crianças. Elas escapam de obstáculos rapidamente, escalam montanhas verticais, pulam de cordas estendidas sobre penhascos, descem em cachoeiras caudalosas, saltam em helicópteros durante tempestades, combatem em moinhos em chamas e eu fico feito bobo olhando aquilo tudo. Há também uma coleção de armas, um rigoroso programa de aprimoramento de habilidades e dezenas de detalhes impressionantes. Eles não se preocupam com a avalanche de informações, o que importa é suplantar rapidamente as fases em ritmo alucinante e vertiginoso. E eles avançam, capítulo sobre capítulo.

_Pai, é sua vez.

_Caramba! Esse jogo é demais, demais! Pra que serve o botão amarelo?

_Cuidado com a granada!

_Onde? Onde?

_Não inteirou nem 10 segundos, pai.

Ele tem razão. Mas foram eletrizantes.


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