sábado, 15 de setembro de 2012

O calor dos trópicos



Monophonics - Bang Bang

Estou com um ventilador no chão atrás de mim, apontado para os meus pés. O calor é intenso. Se eu não estivesse em contenção de despesas alerta vermelho top high five perigo eu compraria um ar condicionado em suaves prestações mensais para o escritório. Mas vai ficar para a próxima. Sempre fico pensando em teorias da evolução relacionadas ao clima. É uma mania besta, eu sei, mas a minha antropologia também é meio besta, então eu acho que casa.

Minha teoria é simples. O calor é estupefaciante. Onde as pessoas conseguiram se livrar do calor infernal, o desenvolvimento humano ocorreu com maior sustentabilidade e sem tanto suor. Aqui, no Planalto Central, estávamos indo bem até que resolveram aumentar o preço da água. É o quarto item mais caro do orçamento. Primeiro vem a educação das crianças. Depois vem o supermercado. Em seguida vem a Rose, a empregada-cozinheira-universitária-com-bolsa-suspensa daqui de casa. E, então, vem a conta de água.

Fizemos todos os preparativos para o churrasco de aniversário da minha filha neste sábado. O calor dificultou um pouco as coisas, mas ninguém morreu por isso. A Rose caprichou na limpeza da casa, do sofá e das cadeiras. As crianças e até o Rafa colaboraram e mantiveram a casa mais limpa e arrumada. Armei o gazebo em frente à piscina e já deixei as bebidas nos isopores. Amanhã é só colocar o gelo de manhã, bem cedo. Grelhas e espetos estão lavados e prontos. O carvão também está no jeito. Minha mulher fez as compras de carnes neste sábado e também compramos os presentes.

Setembro é um mês campeão de aniversários. Quatro aniversários de familiares e de um monte de amigos. As reuniões e convites proliferam, mas é impossível dar conta de tudo. Tive que furar com um monte de gente, fazer o quê? Nesse ponto, acho que sou meio que nem o Rodrigo Mineiro, não consigo dizer que não vou quando as pessoas me convidam.

_Olha, vamos reunir a turma lá em casa no sábado, você e a família estão convidados! – os amigos me dizem.

_Que bom! Que bom! – eu digo.

_É bem legal! Contamos com vocês, hein?

_Que bom! Que legal! – eu digo.

_Sim, mas vocês vêm? – me perguntam, desconfiados.

_Que ótimo! A partir de que horas? – eu digo, bem disfarçado.

Em geral, o anfitrião se esmera em deixar o convidado bem à vontade e acaba se esquecendo de que fez uma pergunta que ficou sem resposta.

_Então a gente se vê, obrigado pelo convite – eu digo.

Mas no fundo eu sei que se não estivesse fazendo esse calor todo, que me dá uma preguiça danada, eu agiria com mais inteligência e não furaria com mais ninguém.

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