domingo, 25 de setembro de 2011

O céu sobre nossas cabeças

Estamos esperando a chuva. Aqui em casa todos os sinais foram observados e festejados durante a semana que passou. As andorinhas voaram baixo. O vento forte derrubou até as folhas secas do emaranhado da pérgula. As pombas e as rolinhas fizeram o seu barulho de fogo-apagou. Contamos três redemoinhos dos bons, com saci dentro. E por último, as formigas com asas, que minha mulher chama de "tzirís" começaram a entrar dentro de casa. Na última sexta-feira, os caras da previsão do tempo também juraram de pé junto que deste domingo não passava, a chuva viria forte e torrencial.

Mas até agora não veio.

Por causa disso, ensaiamos uma dança da chuva no meio da manhã. Mas acho que não usamos tambores suficientes. Ou faltou chocalho. Não sei. Nem chuviscou. Mas por precaução, todas as janelas estão fechadas, estamos no maior cuidado. Fiz revisão no telhado, trocamos noventa telhas Monte Carmelo na semana passada.

Apelei para a mandinga. Mandei lavar o carro. Todo mundo sabe que lavar o carro é batata para fazer chover. Mas nada. Nem nuvem escura apareceu no céu. Foi nessa hora que fizemos a dança da chuva. As crianças se cansaram e correram para a piscina. Fizeram chover sobre o Rafa e só não ligaram a mangueira porque a conta de água extrapolou as nossas previsões orçamentárias, sim, senhor. A piscina está dois azulejos abaixo do nível. O calor é tão grande em algumas horas do dia que daria para cozinhar uns pastéis japoneses.

Acabei pegando umas mandingas emprestadas de outras coisas para fazer chover. Experimentei jogar sal no fogo. Sim, dizem que isso é bom para espantar visitas e por isso eu resolvi usar para espantar a seca. Mas resolvi parar porque as poucas nuvens gordas do céu ficaram fininhas, fininhas. Talvez porque eu tenha usado aquele sal grosso de churrasco. Talvez só funcione com sal de cozinha ou flor de sal. Seja como for, com magia forte não se brinca.

Por último, depois de varrer a minha varanda, deixei a vassoura atrás da porta. Dizem que essa mandiga nunca falha para afastar gente chata. Como não existe nada mais chato do que 106 dias sem chuvas, achei que iria funcionar. E bem na hora que eu coloquei a vassoura atrás da porta da cozinha, pensei ter ouvido algumas gotas caindo no telhado. Mas foi engano ou passarinho. Seja como for, essa mandinga não funcionou porque a minha mulher começou a correr atrás de mim com a vassoura por causa da bagunça que eu fiz com o sal no fogo.

_Amor, se não chover a culpa vai ser sua - eu disse.

_Espera aí, espera aí, vai chover vassoura na sua careca - ela gritava.

Para escapar da fúria tempestuosa da minha mulher, eu me refugiei tempestivamente no escritório. Aqui, continuo trancado a observar com cuidado o céu sobre nossas cabeças. Mas até agora não há sinal de vassouras, digo, de chuvas...

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