domingo, 31 de julho de 2011

O assoalho ficou novo

Eu e minha mulher conversamos outro dia sobre os sonhos que se tem dormindo. Especialmente os sonhos que nos fazem acordar no meio da noite. Eu nunca me lembro dos sonhos bons, tenho esse defeito. Os ruins de que me lembro eu faço questão de esquecer rapidamente. Minha mulher disse que às vezes tinha um sonho meio repetido mas que isso já não acontecia mais. Ela é psicóloga e embora isso não faça dela uma especialista em sonhos, pelo jeito dela falar presumi que sonhos repetitivos não são uma coisa muito boa.

Eu não sei muita coisa sobre sonhos. Ultimamente tenho sonhado muito pouco ou não tenho me lembrado de nada. É mais provável que não tenha sonhado com nada. Tenho procurado dormir mais cedo, mas isso nem sempre é possível porque estou mantendo a rotina de escrever à noite. Isso às vezes é bem complicado, porque escrever à noite interfere muito com a vida social. Por outro lado, passar as manhãs ou as tardes na frente do computador tem sido difícil, porque ainda existem muitas coisas para arrumar na casa nova.

Na semana passada, por exemplo, aplicamos o sinteko no piso da sala. O trabalho teve início na última quinta-feira, quando esses dois sujeitos, Sílvio e Antônio, começaram a lixar a madeira do piso. Eles trouxeram uma máquina apelidada de "Monstrinho". Parecia um pequeno rolo compressor com uma fita de lixa sobre o rolo de aço. Eles amarraram um saco de pano molhado no tubo que expele a serragem e lixaram toda a sala em cerca de duas horas. Quase não havia sinal de pó.

Na véspera, eu e a minha mulher tínhamos tentado vedar as partes da casa que se comunicam com a sala, usando plásticos de proteção para a pintura grudados nas paredes com fita crepe. Usamos um rolo inteiro de fita crepe bem larga.

Quando os caras desligaram a Monstrinha eu liguei para a minha mulher e disse que estava tubo bem.

_Mas não ficou tudo empoeirado de serragem? - ela disse.

_Não. Acho que as pessoas exageraram com aquele pavor de sinteko. Não teve nenhuma nuvem de poeira, nem nada demais. Agora eles vão usar a Monstrinha com uma lixa fina e depois lixar manualmente. Está tudo bem, nem sombra de poeira - eu disse.

E num instante a dupla do sinteko terminou o trabalho com a Monstrinha. Nada de pó. Mas depois Sílvio e Antônio fizeram uma cirrus-cúmulo-nimbus de poeira e serragem usando, cada um, uma lixadeira de mão. Era tanto pó de madeira no ar que não dava para enxergar nada. Minha mulher me ligou para saber das coisas.

_Amor, hoje as crianças não podem ficar em casa. Os caras levantaram uma nuvem vulcânica de serragem. Se a casa fosse perto do aeroporto eles teriam que adiar pelo menos uns dez vôos. Foi uma coisa de louco. E agora é que eles vão aplicar cola e o sinteko - eu disse.

E meia hora depois da metade da aplicação do sinteko eu tomava dois litros de leite.

Para encurtar a história, só hoje é que vamos todos dormir em casa. Estamos de assoalho novo. É tão lindo que parece um sonho.

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