quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Coisas que evito dizer para as pessoas

Você merece!
Nunca digo isso porque a pessoa pode pensar que é ironia minha. A expressão é, sem dúvida nenhuma, uma das mais difíceis de ser empregada sem parecer ser a patroa. Você duvida? Então, use ela depois de entregar um relógio de ouro para o velhinho que acabou de se aposentar depois de 50 anos de serviços prestados. O velhinho, por pura educação, diz obrigado. E você, garotão sarado, coloca um sorriso Sílvio Santos na cachola e diz “Você merece!” Isso não acontece? Então diga para o garçom, depois de deixar uma gorjeta de um real. Ou para o sujeito do estacionamento, depois de jogar uma moeda para o cara.
Por isso, eu sempre digo: Olha, isso aqui não é nada. Você merecia muito mais.
Assim, a pessoa não tem dúvidas de que estou sendo irônico.

Maconheiro! Maconheiro!
Evito ao máximo chamar um indivíduo de Maconheiro! Costumo empregar essa expressão, geralmente aos pares ( Maconheiro!Maconheiroooo!) para designar infratores de trânsito de mais de 65 anos de idade, de visíveis cabelos brancos e faces encovadas, que não aparentem ser mais velozes que uma tartaruga senil. Certa vez, ao ser fechado na rua por um Fiat 147 de 1982, dirigido por um Matusalém de mais de 80 anos, não resisti e usei os epítetos acima pela primeira vez. Desde então, pelo menos uma vez por ano, utilizo a expressão “Maconheiro! Maconheiro!” para designar velhotes fazendo bobagem na rua. Outro dia mesmo, eu chamei o Síndico de Maconheiro ao flagrá-lo a tentar convencer um outro morador a apoiá-lo na luta para aumentar a taxa de condomínio. O pobre homem só tem 64 anos de idade, mas o aniversário dele é no final deste mês. Maconheiro! Vai comer erva no bolo de aniversário, hem, velho maluco! Ele diz que vai me processar. Se o advogado dele for quem eu estou pensando, já sei para quem vou gritar Maconheiro da próxima vez. Maconheiro! Eu vou chamar a polícia, viu, seu Maconheiro?

Maconheira! Maconheira!
O mesmo que acima, só que para velhinhas que fazem bobagens no trânsito. Pode acreditar, existem centenas dessas consumidoras de drogas dirigindo impunemente pela cidade. E depois daquele filme, “O Barato de Grace”, o número aumentou ainda mais.

Qual é a sua graça?
Há quem acredite que ao fazer essa pergunta a pessoa deseja apenas saber qual é o seu nome. Não caia nessa. É um pergunta capciosa, maldosa, vulgar e sacana. O sujeito que pergunta isso geralmente, nas entrelinhas e perdigotos, quer dizer que você não tem graça nenhuma.

Não vomite no meu carro!
Também não permito que bebam, em excesso, dentro dele. E também não deixo ninguém comer sanduíches no banco de trás. No banco da frente, eu como sem problemas.

Você tem fogo?
Evito dizer disso desde que parei de fumar. Mas tenho que admitir que essa frase tem vida própria e é uma das melhores introduções para uma conversa com uma pessoa que você nunca viu antes. Por isso, de vez em quando, em festas de pessoas que não conheço direito, costuma utilizá-la para puxar conversa com mulheres estranhas, mas simpáticas. Eu digo “Você tem fogo?”. E, se a pessoa tem, eu digo que esqueci que parei de fumar. Se a pessoa não tem, eu digo que não há problema, pois eu também não fumo. Mais. As duas tiradas garantem uma introdução excelente para um bate-papo.

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