segunda-feira, 14 de abril de 2014

Mudança significativa

Eu me entedio rapidamente. Para algumas coisas, não preciso mais do que dois ou três minutos para fugir acelerado. Faço tudo para não sucumbir ao mais tenebroso tédio. Declarações oficiais de autoridades públicas me entediam profundamente. Esse fenômeno se intensificou nos últimos dez anos. Em alguns casos, o fulano poderoso já me enche de tédio ao abrir a boca, nem é preciso dizer alguma coisa.

_Defenderei... - diz a pessoa e já estou bocejando.

_Nunca antes...- e estou dobrando a esquina, procurando um lugar onde possa beber café, guaraná e fanta, qualquer coisa para não escutar uma lenga-lenga soporífera.

Um bom amigo me disse recentemente que parou de assistir telejornal há muitos anos.

_Assisti regularmente durante uns vinte anos. Nada mudou de forma significativa. E depois eu perdi a esperança de toda e qualquer esperança de mudança significativa - ele disse.

Eu não concordo com esse ponto de vista , mas respeito. A vida é curta. O caminho que escolhemos para gastar nosso tempo define a nossa filosofia e modela o nosso estado de espírito. Algumas pessoas não querem continuar a investir tempo em programas destinados a documentar o nosso fracasso social, político e econômico. Outros não querem dedicar preciosos minutos ouvindo uma arenga de amenidades e mentiras sobre o nosso infindável progresso rumo ao primeiro mundo, enquanto amarga o pesadelo de um engarrafamento monstro. Eu entendo. E também achei a frase ótima, deveria estar nos aeroportos e nas placas de fronteira, como se fosse uma paródia de Dante Alighieri: vós que aqui entrais, abandonai qualquer esperança de mudança significativa.

Não que eu assista telejornal. Parei de fazer isso há muito tempo, mas não sou um radical puritano anti-telejornal. Se por acaso estou na frente da TV na hora de um telejornal, o que raramente acontece, assisto numa boa. Depois fico com raiva, porque o telejornal parece novela ruim, já vimos tudo isso acontecer antes. Sem tanta intensidade, é verdade, mas não há esperança de mudança significativa à vista. Não, senhor.

Por isso é que eu tenho fé no poder do esquecimento.



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