terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sex shop em São Paulo

A pergunta parece ter surgido naturalmente, no meio de uma conversa sobre uma ida ao Aquário da cidade. Mas reconheci uma leve hesitação na voz, o que me deu a certeza imediata de que minha filha de nove anos de idade havia ensaiado a questão várias vezes antes de reunir coragem para dizê-la em voz alta. Ou talvez estivéssemos passando pela Rua Augusta, onde existe uma loja dessas bem na esquina.

_Mãe, o que é sex shop? - disse a minha filha.

_É uma loja onde as pessoas compram produtos para fazer sexo - respondeu a minha mulher, de bate-pronto.

_Viu? Eu não falei? Quem mandou você perguntar! - disse o meu filho.

_Ué, mas ela fez bem em perguntar. Quando a gente não sabe uma coisa, não tem problema nenhum perguntar - eu disse.

_Acontece que ela já sabia a resposta - disse o meu filho.

_E o que tem dentro da loja? - continuou a menina.

Eu fiz uma recapitulação mental do que eu me lembrava de ter visto na única visita que fiz a uma sex-shop, há algumas décadas. Vi engenhocas do arco da velha, o que inclui uma coisa que parecia uma lanterna maglite para seis pilhas das grandes. O que eu responderia?

_Ah, tem cremes para massagens, perfumes, e um monte de coisas para deixar as pessoas mais confortáveis e... bonitas para fazer sexo com quem amam - disse a minha mulher.

Putz, putz, putz! Eu pensei, em ritmo de discoteca. Ainda bem que eu não precisei responder essa. Eu tenho certeza de me embolaria todo e acabaria mencionando lanternas maglite, pilhas grandes, chicotes e algemas.

_Pai, você já comprou alguma coisa numa sex-shop? - disse a minha filha.


Putz, putz, putz! Não escapei. Oh, oh, oh, não mencione lanternas, nem pilhas, nem chicotes e nem algemas...

_E então, pai? Já comprou alguma coisa? - disse o meu filho.

_Estou tentando me lembrar. Acho que não.

_Não? - disse a minha mulher.

E isso me deixou surpreso, portanto fiz uma nova busca mental acelerando o search ao máximo e aí, tchans, lembrei na hora que eu efetivamente havia comprado uma única coisa naquele sex-shop que eu e minha mulher visitamos, há tantos anos.

_Não. Quer dizer, sim.

_O quê? O quê? - disseram as crianças.

_Chiclete - eu disse, triunfante, para decepção das crianças.

_Chiclete de morango - disse a minha mulher, com aquele sorriso no canto da boca que só eu sei o que significa.

E isso deixou as crianças quietas por algum tempo. Mas não muito.

_Pai, podemos comprar chiclete no sex-shop? - disse a minha filha.

_Não! - eu disse, encerrando a conversa definitivamente.





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