domingo, 24 de novembro de 2013

Os instrutivos almoços de domingo



The Walkmen - Another One Goes By

As reuniões de família aos domingos são muitas vezes ótimas e quase sempre instrutivas. Não sei como é na sua família, mas aqui, todos nós ficamos juntos depois do almoço para tomar um café, contar as histórias da semana e criticar as figuras públicas que merecem ser criticadas. Também fazemos elogios, comentamos os filmes que devem ser vistos, as músicas que devem ser ouvidas, os livros que devem ser lidos e reclamamos dos preços que estão subindo demais, da economia que está indo para o buraco e até do sistema de defesa que compramos dos russos. Depois de tudo isso, partimos para a reminiscência das coisas boas e fazemos de tudo para arrancarmos risadas e melhorarmos o humor uns dos outros. Nessa hora, vale colocar qualquer pessoa na berlinda, desde que isso renda uma boa gargalhada. Ficar à mercê das gozações dos familiares é um exercício de aprendizagem muito importante mas pouco valorizado pelas pessoas. Mas eu, não. Dou o maior valor. Eu aprendo muito sobre mim mesmo nos almoços de domingo, especialmente quando estou na berlinda. Hoje, por exemplo, descobri com minha mãe que eu sou um perdulário de café.

_Como é isso? - eu disse

_Você usa pó demais. Seu café fica grosso, forte, é um exagero. Tem que colocar água para conseguir cortar com faca - ela disse.

_Não sabia que estamos precisando economizar café.

_Não estamos. Mas aquilo que você faz não é café, é um pântano.

Fiquei sem resposta, é claro. Depois disso eu fiquei na minha, que é a única maneira de evitar um longo período na berlinda, sendo peneirado por gozações. Os assuntos mudaram velozmente e, de repente, estávamos engalfinhados numa reclamação generalizada contra o excesso de insetos desta época do ano. A raquete de tênis passava de mão em mão, enquanto falávamos porque os pernilongos estavam atacando sem dó nem piedade. Eu falava pouco, até que minha mulher resolveu me alfinetar.

_O problema com o Careca é que ele alerta os insetos. Ele avisa que está chegando e todos os bichos desaparecem antes que ele consiga exterminar algum.

_Amor, não fala assim, isso é um assunto íntimo.

_Não, agora eu tenho que falar. Quando eu vejo uma barata e grito pedindo ajuda, você só aparece uns cinco minutos depois. E assim mesmo só se aproxima do lugar depois de bater os pés várias vezes. Só falta ele pegar o megafone e gritar para as baratas se esconderem. É um horror. E se ele está por perto, ele sempre encontra uma maneira de fazer a barata escapar. Tropeça, some a pretexto de pegar um chinelo, qualquer coisa. É irritante.

_Você está exagerando, amor.

_Não estou. Seu IAB - índice de aniquilação de baratas deve ser um dos mais baixos do planeta.

_Espera aí, amor, vai com calma. Nunca ouvi falar nesse índice até a semana passada, quando eu matei duas baratas.

_Não senhor, você encontrou as duas mortas e disse que matou logo depois que eu falei no IAB. As baratas provavelmente morreram de frio ou de velhice, nenhuma pareceu esmagada.

_É uma técnica nova que estou usando.

_Deve ser o grito. Você fez tanto barulho que as coitadas morreram de susto, de taquicardia.










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