quinta-feira, 4 de junho de 2015

Uma nova mesa

A seca chegou e finalmente comecei a construir uma nova mesa com a madeira doada pelo meu irmão. Ele possuía em casa um eucalipto que teve que ser cortado. A velha árvore de mais de 10 metros de altura foi atingida por um raio há muito tempo e depois se transformou num imenso espantalho com galhos enormes secos. Para piorar, as raízes passaram a abrigar um enorme cupinzeiro. De toda a madeira, restaram aproveitáveis algumas grandes pranchas de três metrosX50cm cada. Ganhei três delas, que ficaram curtindo na minha garagem durante os últimos dois anos. Agora estão bem secas e, teoricamente, mais fáceis de trabalhar.

O único problema é que não possuo ferramentas elétricas adequadas para fazer o trabalho rapidamente. Cada prancha possui de 8 a 13 cm de espessura o que impossibilita o uso de uma serra circular. Seria preciso usar uma serra de sabre ou mesmo uma motoserra para desbastar a casca e acertar as laterais para uniformizar as medidas. Descartei a aquisição de novas ferramentas porque não teria outro uso para uma serra sabre e existe uma longa burocracia para aquisição de motoserra. Para quem não sabe, é preciso uma autorização do IBAMA para se possuir uma motoserra. Sem ela, o cidadão está sujeito a multa e apreensão do equipamento, sem falar na possibilidade de ser enquadrado num crime ambiental qualquer a gosto do fiscal de plantão.

Assim, minha única alternativa é usar bons serrotes manuais com o apoio da minha modesta plaina elétrica de 450W para uniformizar a espessura. Nesta semana iniciei os trabalhos com um serrote de 20 polegadas. Com uma hora de trabalho e apenas 20 centímetros de progresso percebi que ainda vou penar um bocado para conseguir transformar as pranchas em tábuas de mesa. Para disfarçar a minha preguiça, decidi aproveitar as bordas naturais de duas pranchas. Desse modo, ao invés de 6 bordas retas, vou precisar serrar "apenas" 4. A vinte centímetros por hora , terminarei a serragem, se tiver sorte, no final deste mês. Em seguida passarei para a plaina. A coisa fica mais complicada porque a capacidade da plaina é bem reduzida e não consegui grande progresso depois de uma hora de trabalho. Cada passagem alcança meio milímetro de uma faixa de apenas oito centímetros de largura, com muito ruído.

Além do protetor contra ruídos, o trabalho com a plaina exige o uso de máscara e a interrupção de tudo a intervalos de 10 minutos. A máquina aquece muito e gera muita serragem e pó. Para resumir, não estou conseguindo avançar como gostaria e às vezes acho que estou com um projeto literalmente acima das minhas forças: cada prancha pesa cerca de 60 quilos. Como tive que mover tudo sozinho, sem ajuda, foi preciso fazer malabarismos com cordas, rodas e apoios diversos apenas para colocar a prancha em local que possibilitasse o uso do serrote. Escolhi a área que fica sob a pérgula, já que é ventilado e não incomoda muito nenhum dos vizinhos. Entretanto, a pérgula não é coberta, e o medo das chuvas isoladas e intermitentes desta época do ano já me fez parar tudo para cobrir as pranchas rapidamente, da maneira mais protegida possível. Seja como for, estou animado e acho que vou conseguir terminar a mesa(90X300)até setembro. Torçam por mim.


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