segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Reflexão sobre o primeiro turno

Essa não é uma eleição entre ricos e pobres, entre ignorantes e bem formados, entre o sudeste e nordeste.

Também não é a eleição entre a continuidade e a não continuidade.

Essa eleição não é pró-presidente e anti-presidente. O presidente não é candidato, embora não tenha se afastado do palanque nesses oito anos.

Essa eleição não é uma escolha entre os oito anos que se passaram e os oito anteriores.

Esta é uma eleição polarizada entre 2 modos de se fazer política.

Um é velho, do tipo vale-tudo pela vitória.

Os dois candidatos flertam com esse modo de fazer política. Um bem mais que o outro.

Um deles se destaca pelas alianças com as figuras mais repulsivas do cenário nacional, pela ausência de escrúpulos que derrapa na negligência, que esbarra na falta de critérios, que descamba para o conluio da companheirada, do dito pelo não-dito, do assinado pelo rubricado, pelo ataque sistemático e baixo a todas as instituições, pela brutalidade e crueza com que exerce um pragmatismo vazio, sem alma, que busca o poder pelo poder. Outro candidato tem uma história de vida exemplar, mas aparenta a prepotência de saber e de ter solução para tudo, incluindo aí o jeito de aumentar o salário mínimo, a bolsa-esmola sem contrapartida e a aposentadoria, sem quebrar a banca.

O outro modo de se fazer política não é novidade. Ele se evidencia a cada eleição travestido nos votos brancos, nulos e abstenções. Neste primeiro turno, veio também vestido de verde. Somados, venceram disparado o primeiro turno. Pois muitos dos eleitores de um acreditam que o seu candidato é o único capaz de soerguer as instituições do país, preservar as conquistas democráticas e resguardar a liberdade. E também não duvido que muitos dos eleitores do outro acreditam que só o seu candidato poderá diminuir as enormes desigualdades existentes no país.

Um deles, sem dúvida nenhuma, é o candidato mais preparado, com o melhor currículo, vida sem mancha, honesto, honrado e probo. Mas parece que ainda não conseguiu fazer, da maneira certa, o convite capaz de atrair multidões para o seu lado. Sinceramente, não sei dizer se esse candidato foi excessivamente brando nessa primeira etapa. Também não sei se as multidões combinam com esse outro modo de se fazer política. Mas torço para que encontre um jeito bacana de mostrar que as desigualdades só diminuem com ampliação das oportunidades, que nem mesmo o Estado pode tudo e que, sem respeito à lei, não existe liberdade. Terá de ser um discurso de coesão, de soma, mas deixando bem claro que não há pacto possível com larápios, desonestos e gente sem disposição para trabalho.

Nenhum comentário:

Frase do dia