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terça-feira, 18 de março de 2008

O banco que derreteu



Eu abri o jornal ontem e vi que um banco engoliu outro nos EUA a preço de banana. Li também que o Banco Central deles jogou um transatlântico de dinheiro dentro desse banco, o Bear Stearns, para que os correntistas não ficassem de mãos abanando. E vai jogar mais. Mesmo assim, quem tinha ações do Bear Stearns perdeu tudo. Tinha 85 anos, esse banco. Há um ano valia, por baixo, 20 bilhões de dólares. No domingo, foi vendido por US$ 236 milhões. Era o quinto maior banco de investimentos dos EUA, com 14 mil funcionários. Tem agências no mundo inteiro, inclusive uma em São Paulo. Em janeiro de 2007, uma ação do Bear Stearns valia R$ 171 dólares. Ontem, cada ação foi comprada por apenas 2 dólares. O que aconteceu? Não sei. Não entendo patavina de dinheiro e de banco. Mas para milhares de norte-americanos, ontem foi 11 de setembro, de novo.

Eu entrei em http://www.bearstearns.com/ para ver como era. Os caras parecem normais. Comecei pela foto do presidente do conselho de diretores do banco. Coroa, boa aparência, sólido, cabelos brancos. Ele afirma que o principal ativo do Bear Stearns é o “nosso pessoal”. “É o trabalho duro e a dedicação dessa galera que garante resultados para os nossos clientes e lucros para os acionistas”, diz Jayme E. Cayne. Imediatamente me lembrei do técnico de futebol. “Nós ganhamos, o adversário empatou, aqueles vi...s perderam”. Procurei um nome parecido com nome de brasileiro, mas não encontrei nenhum. Ufa! Talvez não apareça nenhum brazuca envolvido nessa.

Aí achei um artigo no The Wall Street Journal. Ele informava que Mr. Cayne estava numa boa, participando de um campeonato de bridge. Mr. Cayne não havia dado nenhuma declaração ao The Wall Street Journal nem a ninguém da imprensa. No espaço de comentários do artigo, aposentados lamentavam a perda das economias de toda a vida. O artigo dizia que o banco cometeu erros grosseiros de comunicação que o levaram a sofrer uma corrida. Na quinta e na sexta-feira passada, os clientes do banco sacaram tudo o que conseguiram.

Nós vimos esse filme de banco derreter uma porção de vezes no Brasil. E é um horror quando acontece. Quem sobrevive fica azedo até a morte.

Dizem que a crise vai piorar. Os especialistas começam a descer do muro. As cassandras despertaram. Os economistas estão tão perplexos quanto eu. Como é que 20 bilhões de dólares e 85 anos de confiança desaparecem no ar, de repente? Experts vaticinam que não foi só um erro de comunicação. O Bear Stearns cheira a boi de piranha de uma recessão que vai cobrar um preço maior. Caldo de galinha, cautela. Desde que eu me entendo por ser humano o fantasma da crise ronda a humanidade. Será que é agora?

Por via das dúvidas, ontem eu chequei os meus investimentos. Só para tranqüilizar vocês, verifiquei duas vezes e não tenho nenhuma ação do Bear Stearns. Aliás, não tenho ação nenhuma. E também chequei as minhas contas bancárias. Só tenho uma operante, a conjunta. É, é no Brasil. Tá no cheque especial.

Frase do dia