Chove lá fora
Ainda me lembro da emoção de ver, dentro de um cinema, Bete Balanço, um filmaço com a Débora Bloch no papel título. Foi um filme que marcou o meu retorno apaixonado aos filmes nacionais. Até hoje me emociono só de lembrar daquela música do Lobão, que ouvi pela primeira vez dentro do cinema. Chovia do lado de fora. Mas não foi por isso que essa música ainda hoje faz eco nos meus ouvidos. Foi uma identificação total, foi quase uma leitura de pensamento, embora a letra não diga quase nada. Talvez seja a guitarra que me transmita a sensação de uma mensagem triste. Talvez seja o que não está dito na letra. Mas ainda hoje gosto de ouvir essa música. E ela sempre me deixa um pouco triste.
A lanterna dos afogados
Havia a lanterna dos afogados, dos Paralamas. Tocava a cada minuto. E a Gal Costa também gravou. Ela também gravou Vida, do Obina Shock. E também havia um monte de roquinhos legais. E havia também as coisas chatas. Paulo Ricardo, que gravou uma versão do Verme e a Lua Cheia (sei lá o nome da música!). Uma vez fui para o Ceará e todo mundo escutava o Paulo Ricardo até a pilha do walkman acabar. Era um saco.
E eu lia os artigos da Ana Maria Bahiana. E eu via o Nelson Motta, na telejornal da hora do almoço. E eu lembro de ver o Nelson anunciar uma turnê do Queen. Rapaz, o tempo voa.