Mostrando postagens com marcador Stephen King. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Stephen King. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de março de 2010

Keep going, Stephen King

Stephen King é um dos melhores escritores de todos os tempos. Leio os livros do cara há muitos anos. É um gênio. Um dos melhores livros que já li dele se chama Pet Sematary, assim mesmo, escrito errado como escrevem as crianças. Virou filme em 1983. Tinha trilha sonora dos Ramones (“I don´t wanna be bury, in a pet cemetery, i don´t wanna live my life again”...). King teve carradas de livros adaptados para o cinema. Ele tem ainda “O iluminado”, “Carrie”(o primeiro a arrebentar) e “À espera de um milagre”, só para ficar nos grandes sucessos do cinema. SK é um gênio vivo, maior do que João Ubaldo. E é um craque que não esconde o jogo.

Stephen tem um livro generoso em que dá bons conselhos para jovens escritores. O nome é “On Writing: A Memoir of the Craft”. É de 2000. Comprei em papel jornal num dia de sorte numa grande livraria da cidade. Li em 2003 pela primeira vez. King não faz mistérios sobre algumas de suas sacadas, lista um monte de mancadas e tempera a autobiografia com histórias da infância e juventude. Ele não enfeita o bolo e nem é metido a modesto. King é cru. Vai direto na jugular.

O livro é cultuado pelos estudantes da América, como descobri depois. Tenho antipatia pelo que vira manual de senso comum, mas para alguns livros é preciso tirar o chapéu. Uma das muitas histórias deliciosas do livro conta de onde King tirou a idéia para aquela que foi a sua primeira história a receber comentário de um editor de revista de mistério. Até aquela vez, King colecionava apenas notas curtas de recusas de manuscritos. Foram dezenas de recusas. E aquilo começou a abalar o jovem autor. Mas daquela vez foi diferente. Era uma história original, totalmente pensada e escrita pelo adolescente King, vagamente calcada numa experiência pessoal. O editor mandou uma carta-resposta, um bilhete com três frases curtas: Você tem talento; Continue a escrever; Não grampeie o manuscrito.

King seguiu aqueles dois conselhos. Continuou a escrever e nunca mais grampeou um manuscrito, nem sei dizer o que é mais importante. Anos mais tarde o tal editor encontrou Stephen King numa noite de autógrafos e pediu a assinatura do escritor sobre o original do manuscrito e a cópia do bilhete. Os dois trocaram sorrisos de compreensão mútua e nunca mais se viram.

King soube identificar em sua longa vida de escritor o bilhete que o fez continuar a escrever. Esquadrinhou os recantos mais sombrios das suas lembranças e descobriu que uma recusa em ser publicado foi o que manteve acesa a chama. Aquele bilhetinho foi o que fez seu Johnny Walker continuar a andar. Keep going, King. Não vá grampear manuscritos, hein? E Stephen continuou.

Pensando bem, se a história é mesmo verídica, talvez aquele editor fosse ainda mais genial e sobrenatural do que o próprio King.

Pensando ainda mais um pouco, o SK mente pra caramba. É um gênio.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Joe Hill é o novo Stephen King

No dia dos namorados, minha mulher me presenteou com um monte de livros. Achei ótimo, é claro. Um desses presentes está me deixando com um medo danado. É a nova fera dos contos de terror. O incrível Joe Hill, com o seu fantástico livro de contos "Fantasmas do Século XX".

Como todos que acompanham este blog sabem, sou um cara que lê no banheiro. Leio em outros lugars, também. Mas durante a semana, predomina o banheiro. E só consigo ler em dois períodos. No período da manhã, das seis às seis e vinte. À noite, é possível estender a leitura por quarenta minutos, mas somente depois das crianças já terem ido pra cama. Se eu leio mais, não consigo atualizar o blog ou só acochambro a atualização.

Mas para conseguir ler alguma coisa, eu preciso despistar a Rose, a cozinheira-governanta-secretária-faxineira-babá-quebradora-de-portas-universitária que trabalha aqui em casa. A Rose não pode ver um livro solto no banheiro que coloca na estante. E como a minha estante é uma bagunça, demoro um tempão para encontrar um livro ali.

Por isso, para despistar a Rose, eu sempre coloco dois livros no banheiro. Desse modo consigo induzir a Rose a pensar que um dos livros pode estar sendo lido pela minha mulher. Como a Rose não é louca de esconder um livro que a minha mulher está lendo na estante, ela acaba deixando os dois livros em paz, no banheiro.

Mas dessa vez não precisei disfarçar. Minha mulher está lendo a bela autobiografia do Isaac Bashevis Singer. Eu leio o Joe Hill.

Recomendo a experiência a quem gosta de suspense. Os contos são absurdos, fantásticos, assustadores, envolventes. E assustadores, também. Joe Hill é um craque. É daqueles escritores que criam uma empatia contigo a partir da primeira frase. Você começa a ler e não para mais. São 17 contos. Até agora, li apenas três contos. E ja estou com pena de ler o próximo porque aí só vão faltar 13 contos. É raro encontrar um escritor que você sabe que é muito bom só de ler umas coisinhas. Joe Hill é um desses caras. Se encontrar numa livraria, compre que é bom mesmo. O livro é da Editora Sextante.

Frase do dia