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sábado, 20 de junho de 2009

São João Ninja e a Quadrilha Jazz

Neste sábado fizemos os preparativos para ir à Festa Junina da escola das crianças. Eles mudaram de uma escola alternativa mais perto de casa para uma outra escola um pouco menos alternativa, que é bem mais longe. O estranho é que demoro menos tempo para levar os dois para essa escola. A distância é maior, o trajeto é mais reto e o trânsito é bem menos intenso.

O meu filho e a minha filha, de seis e quatro anos, respectivamente, ensaiaram as quadrilhas exaustivamente nas últimas semanas. Estavam super-animados e felizes. E nós corremos com a preparação para chegar na hora certa, na escola alternativa. A menina quis sardas e trancinhas. Ficou uma caipirinha muito linda com o vestido de chita, cheio de fitas vermelhas e laços. O Chapéu de palha deu um toque todo especial.

A calça jeans do meu filho estava pra lavar. Então tivemos todo um trabalho de convencimento para uma outra calça comprida e para uma camisa de botões. O menino não quis a pintura de bigode fajuto, nem costeleta, nem nada. Só o chapéu-de-palha. Também fez questão de um lenço vermelho. E também ficou um caipira super-bonito com um par de botinas e um cinto com fivela grande, que eu havia feito ainda no ano passado.

A minha mulher preparou uma bandeja enorme de cachorro-quente e um bolo de milho. Também levamos uns quatro litros de suco. Como no sábado o trânsito é bem tranqüilo, chegamos com folga. O clima da escola, de festa caseira, estava muito bom.

E as quadrilhas das crianças foram super-legais, com aqueles meninos todos se atrapalhando com as mímicas e mesuras, os gestos e gentilezas, e errando os passos. Mas todos curtiram, não teve nem choro e nem menino parado no meio da quadra, fazendo beicinho. As crianças estavam se divertindo e a platéia também. Super-legal.

Aí entrou a turma da quarta série. Os meninos vestidos de calça e camisetas pretas. As meninas de colant preto.

_Gente, acho que vai rolar uma quadrilha jazz! – eu falei, só para levar uma cotovelada dolorida da minha mulher nas costelas. Com os olhos, ela me indicou a professora da turma da quarta série. A professora também estava de colant preto e sapatilhas de balé pretas. Ela me olhava como os pitbulls olham para os seres humanos. Ela também disse alguma coisa em iídiche ou sânscrito na minha direção, enquanto batia o pé esquerdo, com as mãos na cintura. Temi pela minha existência medíocre sob aquele olhar rotweilleriano. Se a música não tivesse começado eu teria que ser levado para uma farmácia e submetido ao tratamento contra a raiva e tétano.

A música não era xote, nem baião, nem xaxado e nada que tivesse sanfona, triângulo e zabumba.Em seguida, assisti, escandalizado, à mais terrível demonstração de que a educação infantil caminha rapidamente para a mais corrupta degringolação lisérgica e porra-louca. As crianças não fizeram coisa nenhuma que tivesse a menor parecença com uma quadrilha, com festa junina, ou com pula-fogueira. Parecia um balé Pink Floyd. Uma alegoria para um poema de William Carlos William. Uma dança para los lobos de la marijuana amarga. Mas não falei nada. Aplaudi com todo mundo. Sorri para as crianças. Acenei. Dei tchau. Só no final é que não pude resistir:

_Viva São João Ninja! Viva!!

E dessa vez minha mulher nem me deu cotovelada.

domingo, 22 de junho de 2008

Festa junina na escola alternativa



Sábado teve festa junina na escola alternativa das crianças. Confesso que estou um pouco decepcionado com a escola alternativa. Acho que ela está muito enquadrada, está muito burocrática, pouco alternativa. Acho que os professores perderam o entusiasmo, estão acomodados e a coisa está correndo frouxa demais. Acho que está faltando formação, proposta pedagógica e vontade de criar uma coisa diferente. De ensinar de uma forma diferente. Também está faltando vontade de comemorar e festejar toda essa coisa.

Além disso, eu continuo não perdendo oportunidades de tentar pular fora de qualquer situação que implique em sair de uma rotina. Rotinas são difíceis de implantar e eu preciso seguir uma, senão paro de fazer as coisas que eu acho que tenho que fazer. O post de ontem, por exemplo, é um exemplo de quebra de rotina dupla. Fomos à festa junina e à noite assistimos um vídeo. O texto ficou incompleto e meio sem sentido, o que deverá me obrigar a voltar ao tema, qualquer dia desses.

Mesmo achando que a escola precisa melhorar, ou até por isso, eu e a Patroa fomos à festa. Aliás, não havia a menor possibilidade de não ir à festa. As crianças estavam no maior gás. Acordaram cedíssimo. E já queriam se fantasiar antes mesmo do café da manhã. Saímos cedo e num instante resolvemos a fantasia de caipirinha da minha filha. Só faltava trançar o cabelo, colocar um chapéu e pintar sardinhas nas bochechas.

_Agora, num instante a gente arruma o nosso caubói – disse a Patroa.
_Ué, não era caipira? – indaguei. Sempre quis usar indaguei em post.
_Caubói. Ele quer caubói.
_Então é só fazer caipira com sotaque.
_Não, tem que ter no mínimo um coldre e cinto de caubói.

Tudo que não é bem conceituado é de difícil execução. Portanto, para o meu filho foi mais difícil. Lá pela hora do almoço, a Patroa e a irmã dela pregaram “remendos” na calça jeans e na camisa. Arrumaram um lenço vermelho legal. Ainda faltava um chapéu, um cinto com fivelão, um coldre de caubói e uma estrela de xerife. O plano era passar numa dessas lojas de badulaques a R$ 1,99 e levar um conjuntinho. Perfeito.

Almoçamos num restaurante super-legal a comida que o filho do imperador também comeu. Depois eu conto.

Depois do almoço corremos para concluir o plano perfeito numa loja R1,99. Passamos em três lojas de R$1,99 e não encontramos. O número de caubóis aumenta surpreendentemente em época de festa junina. Precisávamos de um cinto que funcionasse. A Patroa comprou uma espécie de broche para o que deveria ser o fivelão do cinto de caubói do filhote. E improvisou um elástico preto para servir de cinto. O papai aqui ficou de grudar o fivelão no falso cinto.

De volta à casa, finalizamos os preparativos imediatamente. A Rose, a cozinheira-quituteira-governanta e faxineira lá de casa já havia feito dois bolos de fubá e trocentas pipocas. A Patroa cuidou da princesinha. Eu cuidei do príncipe caubói. Mas não dava certo. O fivelão improvisado não parava no lugar. Aquilo já estava irritando o meu campeão. Não tenho nada contra improviso, mas a coisa tem que dar certo. Senão é só insistência com o mico. Aí eu lembrei do meu cinto velho. Com a minha super-tesoura eu encurtei o cinto na medida do filhote. Com uma chave “fílipis” eu fiz o furo na medida certa. Ficou super-legal o improviso. O filhote se amarrou. A partir daí, as coisas começaram a acontecer tudo em sincronismo perfeito e conseguimos chegar à escola rapidinho. As crianças estavam tão relaxadas que dormiram um pouco no caminho.

A festa foi bacana. As crianças se divertiram e conseguimos conversar com alguns adultos. Todos também decepcionados com os rumos da escola. Todos achando que há uma agressividade exagerada no ar. A única coisa chata foram alguns fogos de artifício levados por alguns pais. Meu filho correu o tempo todo na festa com pinta de vencedor. E o cinto brilhava na cintura. Ele estava se sentido orgulhoso e importante. E eu e a Patroa estávamos bem orgulhosos dele e da princesinha. E eu descobri um monte de meninos-fãs que se dizem namorados dela. É lógico que eu quase morri de ciúmes.

Frase do dia