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domingo, 7 de junho de 2009

Ainda Google Maps




Conversando com o Cabeça é que percebi que a nova funcionalidade do Google Maps continua a passar despercebida.

É o seguinte: é como se você mergulhasse do trampolim no copo dágua.

Você mergulha do satélite até a linha do chão.

E lá, você tem uma visão de 360 graus, percorrendo um eixo como o da imagem acima.

É realmente fantástico. Na maioria das vezes você consegue ver cartazes, letreiros, pixações nas paredes. Pessoas que passavam no momento das fotos. Se chovia ou fazia sol.

Acabo de "voltar" de uma rua de Barcelona. Essa aí de cima. Não consegui encontrar o que eu procurava. Um bar mequetrefe onde comi um quibabe com um amigo nepalês. Foi há três anos, mas parece que foi em outra década.

sábado, 17 de maio de 2008

Para as vacas magras



Vocês, eu não sei, mas aqui em casa a gente guarda um monte de coisa para mais tarde. Eu mesmo sou mestre em deixar um pedaço de mortadela, parte do recheio, aquele pouquinho de suco lá para o final da refeição. E tem todos aqueles objetos, para depois. Tem aquelas coisas banais, mas de boa qualidade. Faqueiro. Louça fina. Copo de cristal. As coisas que se colocavam naquele móvel antigo, a cristaleira, que ninguém mais tem em casa.

Tem aquelas lembranças delicadas das pessoas que amamos e morreram. A bandeja com xícaras de café, pequenas, com uma toalhinha bordada, um presente da avó.

Tem os presentes que ganhamos e achamos tão bacanas que não temos coragem de usar e viram enfeites. Um conjunto de porta temperos que um casal amigo trouxe do exterior. Um negócio de porcelana do Gaudí, que outro amigo trouxe de Barcelona. Uma chaleira japonesa que usamos para enfeitar um móvel. Coisas que fazem a gente ficar emocionado só de pegar. E que a gente deixa em lugares bem altos para as crianças não se entusiasmarem.

Tem aqueles presentes que ganhamos no casamento e deixamos ali, numa prateleira também meio inacessível. Aliás, eu e a Patroa devemos ter casado num ano de abundância de queijos e vinhos. Ganhamos um monte de aparelhos para fazer “fondue”. Naquele ano, se a gente tivesse entrado num campeonato de colecionadores de aparelhos de fondue, nós teríamos ganhado, com certeza. E eram modelos de aparelhos absolutamente iguais. Conseguimos repassar um bocado, até que os amigos começaram a chamar a gente de “casal fondue”. Aí voltamos a dar relógios de parede. Voltamos a ser “da hora”. E ainda temos um bocado de aparelhos de fondue.

Mas tem as coisas não sentimentais, que fazem parte dos excessos de outros tempos. Roupa de cama. Toalha de banho. Edredons. Essas e outras coisas ficam nos fundos dos armários, muitas vezes dentro das embalagens originais. É como se esperássemos os sete anos de vacas magras. Só pode ser isso.

Eu não sei vocês, mas aqui em casa os anos de vacas gordas passaram em alguns dias, no máximo uns meses. Foram, sem dúvida alguma, as vacas gordas mais rápidas da história. Zum. E eu só via o rabo da vaca, zarpando. Zum. E lá se foi mais uma. Ainda bem que guardamos todas essas coisas para as vacas magras. Elas são muitas, essas vacas, a gente conta com os dedos das mãos e dos pés.

Pois foi pensando nas vaquinhas, magrinhas, coitadas, que não param de chegar, que eu dormi ontem a noite. E eu sonhava assim:

_Entre Dona Vaca. Está com frio? Espere aí que eu vou pegar um edredon super bom tri-fio que guardei especialmente para essa ocasião, lá no fundo do armário. Quer água? Vou servir naquela bandeja de prata especial, naquela taça de cristal gravado em jato de areia, do meu casamento. A jarra também é do casório. Ganhei de um primo que nunca mais vi. Se quiser tomar um banho quente, tenho uma toalha para esse exato momento. E sabão. Tenho quilos de sabão especial e até sais de banho. Se bem que aqui em casa eu não tenho banheira. E quando a senhora terminar, ponha um roupão daqueles embalados e venha para a mesa. Vamos ter “fondue”.

E então eu olho para a vaquinha suar, preocupada.

_Fica assim não, boba, é “fondue” de chocolate...

Frase do dia