sábado, 31 de março de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Renda de bilro
Orgone - Give it Up
Estou imerso em toneladas de arquivos cibernéticos que juntei e gravei em DVDs e CDs durante vários anos. Organizar a barafunda eletrônica não é fácil. Tenho jogado muita coisa fora. Alguns CDs são impossíveis de ler, estão empenados, arranhados, lascados. E assim como os arquivos analógicos, os arquivos digitais também estimulam o devaneio e a introspecção. Passei a manhã e a tarde praticamente em silêncio.
Fez um calor infernal, não consegui me concentrar direito. Estou dando um tempo na oficina, já tenho coisas demais. Talvez ainda faça um móvel novo, quero muito construir um baú para o meu quarto. Terá que ser bem grande. Vi um projeto legal na internet, mas estou em modo de contenção de despesa nível cinco mortal duplo carpado. Minha pilha de madeira se acabou, usei tudo. A última coisa que fiz foi um estrado que escureci com verniz e parafusei na parede dos fundos, de frente para o quintal. Vai servir para pendurar vasos.
Nesta semana também reformei uma mesa e um rack, além de duas cadeiras, tinha esquecido. Mas não fui muito produtivo. Tive problemas com os freios do carro e troquei as pastilhas. Agora está bom. Também me organizei para a declaração de imposto de renda, todos os papéis estão separados, falta pouca coisa.
Uma das coisas que faltavam era a declaração de rendimentos do banco. Foi por causa dela que descobri que o meu cadastro precisa ser renovado ou não me devolvem o limite do cheque especial. As moças do banco pediram que eu leve algum comprovante de renda para acertar tudo.
_Só se for de bilro! - eu disse.
_Como? O senhor poderia repetir, por favor? - disse a gerente.
_Nada, foi só uma piadinha - eu disse.
Enrolei e vou deixar para apresentar o comprovante na outra semana.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Professor Villa aponta o nosso fracasso
Publicado hoje na Folha de S. Paulo:
MARCO ANTONIO VILLA
TENDÊNCIAS/DEBATES
O ASSUNTO É
DEMOCRACIA BRASILEIRA
Fracassamos
Há despolitização, corrupção nos três Poderes e oligarcas como Sarney. A Nova República fez aniversário, ninguém lembrou. Havia motivo?
Nem o dr. Pangloss, célebre personagem de Voltaire, deve estar satisfeito com os rumos da nossa democracia. Não há otimismo que resista ao cotidiano da política brasileira e ao péssimo funcionamento das instituições.
(...)
MARCO ANTONIO VILLA
TENDÊNCIAS/DEBATES
O ASSUNTO É
DEMOCRACIA BRASILEIRA
Fracassamos
Há despolitização, corrupção nos três Poderes e oligarcas como Sarney. A Nova República fez aniversário, ninguém lembrou. Havia motivo?
Nem o dr. Pangloss, célebre personagem de Voltaire, deve estar satisfeito com os rumos da nossa democracia. Não há otimismo que resista ao cotidiano da política brasileira e ao péssimo funcionamento das instituições.
(...)
quarta-feira, 28 de março de 2012
Chico Anysio e Millôr Fernandes
Nós sempre fomos os melhores para dizer que somos os melhores em alguma coisa. Essa é que é a verdade. E gênios como Chico Anysio e Millôr Fernandes estavam ali para dizer que não é bem assim, veja como temos os nossos ridículos, veja como essa nossa mania de grandeza nos apequena.
Chico Anysio fez isso com mais de 200 tipos em mais de 60 anos de humor. Era o artista encantador, o homem que se transformava naquele sujeito esquisito que vimos na rua. Chico não tinha medo de nos fazer rir. Nem que para isso se transformasse num jovem sacana, no velhaco canalha, no boleiro cachaceiro ou no inevitável político corrupto. "Eu quero que os pobres se explodam" - seu personagem disse, muitas vezes. E a caricatura é verdadeira, eles estão pouco se lixando.
Millôr Fernandes, que eu conheci nas páginas da revista Veja, não era humorista. Era o pensador sarcástico. Seu humor era diferente, mais cáustico e ferino. Millôr era o rei do aforismo nacional, o sátiro do traço tremido, o poeta do hai-kai demolidor, o campeão da frase arrasadora. “Os corruptos podem ser encontrados em várias partes do mundo, quase todas no Brasil” - disse Millôr, com precisão demográfica.
O Brasil ficou muito mais chato sem Chico Anysio e Millôr Fernandes. Lá se vão duas figuras que nos ajudaram a suportar a sem-graceza dos poderosos com muito escracho, sarcasmo e ironia. Vão fazer muita falta.
Chico Anysio fez isso com mais de 200 tipos em mais de 60 anos de humor. Era o artista encantador, o homem que se transformava naquele sujeito esquisito que vimos na rua. Chico não tinha medo de nos fazer rir. Nem que para isso se transformasse num jovem sacana, no velhaco canalha, no boleiro cachaceiro ou no inevitável político corrupto. "Eu quero que os pobres se explodam" - seu personagem disse, muitas vezes. E a caricatura é verdadeira, eles estão pouco se lixando.
Millôr Fernandes, que eu conheci nas páginas da revista Veja, não era humorista. Era o pensador sarcástico. Seu humor era diferente, mais cáustico e ferino. Millôr era o rei do aforismo nacional, o sátiro do traço tremido, o poeta do hai-kai demolidor, o campeão da frase arrasadora. “Os corruptos podem ser encontrados em várias partes do mundo, quase todas no Brasil” - disse Millôr, com precisão demográfica.
O Brasil ficou muito mais chato sem Chico Anysio e Millôr Fernandes. Lá se vão duas figuras que nos ajudaram a suportar a sem-graceza dos poderosos com muito escracho, sarcasmo e ironia. Vão fazer muita falta.
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