Eu e minha mulher conversamos outro dia sobre os sonhos que se tem dormindo. Especialmente os sonhos que nos fazem acordar no meio da noite. Eu nunca me lembro dos sonhos bons, tenho esse defeito. Os ruins de que me lembro eu faço questão de esquecer rapidamente. Minha mulher disse que às vezes tinha um sonho meio repetido mas que isso já não acontecia mais. Ela é psicóloga e embora isso não faça dela uma especialista em sonhos, pelo jeito dela falar presumi que sonhos repetitivos não são uma coisa muito boa.
Eu não sei muita coisa sobre sonhos. Ultimamente tenho sonhado muito pouco ou não tenho me lembrado de nada. É mais provável que não tenha sonhado com nada. Tenho procurado dormir mais cedo, mas isso nem sempre é possível porque estou mantendo a rotina de escrever à noite. Isso às vezes é bem complicado, porque escrever à noite interfere muito com a vida social. Por outro lado, passar as manhãs ou as tardes na frente do computador tem sido difícil, porque ainda existem muitas coisas para arrumar na casa nova.
Na semana passada, por exemplo, aplicamos o sinteko no piso da sala. O trabalho teve início na última quinta-feira, quando esses dois sujeitos, Sílvio e Antônio, começaram a lixar a madeira do piso. Eles trouxeram uma máquina apelidada de "Monstrinho". Parecia um pequeno rolo compressor com uma fita de lixa sobre o rolo de aço. Eles amarraram um saco de pano molhado no tubo que expele a serragem e lixaram toda a sala em cerca de duas horas. Quase não havia sinal de pó.
Na véspera, eu e a minha mulher tínhamos tentado vedar as partes da casa que se comunicam com a sala, usando plásticos de proteção para a pintura grudados nas paredes com fita crepe. Usamos um rolo inteiro de fita crepe bem larga.
Quando os caras desligaram a Monstrinha eu liguei para a minha mulher e disse que estava tubo bem.
_Mas não ficou tudo empoeirado de serragem? - ela disse.
_Não. Acho que as pessoas exageraram com aquele pavor de sinteko. Não teve nenhuma nuvem de poeira, nem nada demais. Agora eles vão usar a Monstrinha com uma lixa fina e depois lixar manualmente. Está tudo bem, nem sombra de poeira - eu disse.
E num instante a dupla do sinteko terminou o trabalho com a Monstrinha. Nada de pó. Mas depois Sílvio e Antônio fizeram uma cirrus-cúmulo-nimbus de poeira e serragem usando, cada um, uma lixadeira de mão. Era tanto pó de madeira no ar que não dava para enxergar nada. Minha mulher me ligou para saber das coisas.
_Amor, hoje as crianças não podem ficar em casa. Os caras levantaram uma nuvem vulcânica de serragem. Se a casa fosse perto do aeroporto eles teriam que adiar pelo menos uns dez vôos. Foi uma coisa de louco. E agora é que eles vão aplicar cola e o sinteko - eu disse.
E meia hora depois da metade da aplicação do sinteko eu tomava dois litros de leite.
Para encurtar a história, só hoje é que vamos todos dormir em casa. Estamos de assoalho novo. É tão lindo que parece um sonho.
domingo, 31 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Amy Winehouse

Achei a foto daí de cima em Hedi Slimane, graças a uma dica da Marina W.
A primeira música que ouvi de Amy Winehouse foi uma versão de "Will you still love me tomorrow". Minha admiração pela cantora e pela força de suas interpretações nasceu ali. Foi paixão imediata. Em poucos minutos, ela nos transporta para um turbilhão de sentimentos. Sua voz se eleva em agudos para o êxtase do amor incondicional e desce em graves para o medo e o desespero do amor perdido. Amy foi uma cantora com o coração dilacerado na garganta.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Três histórias de pescador
Fomos pescar a três horas e meia de Brasília. O lugar estava repleto de tucunarés. Os peixes deviam estar com muita fome, pois até eu trouxe cinco peixes. Meus filhos pescaram com caniços e trouxeram, cada um, dois tucunarés para casa. Só é permitido trazer tucunarés maiores de 35 cm. Minha filha, de seis anos, ainda pescou duas piranhas. Foi muito divertido e um pouquinho cansativo. As treze pessoas do grupo saíram em quatro barcos, quatro vezes. As duas saídas matutinas foram as mais produtivas.
Às cinco e trinta eu acordava as crianças para o café da manhã. Elas já dormiam com a roupa debaixo do pijama, para não demorarmos muito. Tirado o pijama, vinham os casacos e as galochas. As crianças insistiram e eu acabei comprando uns óculos escuros. Eles ficavam se sentindo astros do cinema debaixo dos bonés.
A melhor parte foi a ausência completa de telefone, video-games, TV, rádio e computador. Nem relógio eu levei.
No barco, ficava inventando histórias para as crianças.
Na primeira eu falava que tinha jogado a isca bem longe da canoa. Tão longe que eu nem escutei o barulho dela caindo dentro dágua. E esperei. Esperei. Esperei. Esperei. Esperei. Até cansar. Aí veio um puxão bem forte e eu puxei a vara com força, para fisgar o peixe bem fisgado. Aí eu ouvi um ruído bem forte, MUUUUUUUUUUUUUU. Qual era o nome do peixe? Era o peixe-boi, é claro.
Na segunda história, eu jogava a isca longe, mas nem tanto. Para se pescar o tucunaré é preciso paciência. Ele é um peixe predador que abre o bocão e engole a isca inteira. Mas a isca precisa estar viva. O tucunaré só come peixe vivo. E nesta segunda história eu jogava a isca quase do lado de um grande tucunaré da represa. O bicho ficou observando. Eu também. Quando ele deu o bote eu puxei com força e ali estava o tucunaré, fisgado, irremediavelmente fisgado. No meio da puxada, outra sacudida forte na linha e eu torno a fisgar o peixe, com um puxão muito forte. E aí começa uma luta para trazer o peixe para o barco. Quando eu vou olhar direito, a pouca distância do barco eu vejo a linha sumir na boca de um grande tucunaré e o peixe sumindo na boca enorme de um jacaré. Qual era o nome do peixe? Esse era o famoso Tucujaca.
Na terceira eu jogava a isca um pouco mais perto, eu escutava o barulho dela caindo dentro dágua, glub. E era a mesma coisa. Eu esperava, esperava, esperava, até cansar. E de repente, vinha um puxão bem forte e a minha resposta imediata, um puxão violento na vara de pesca para fisgar o peixe. E dessa vez não tinha barulho de boi e nem de vaca. Era peixe mesmo. E eu puxava o peixe e dava pra ver que era tucunaré. E dos grandes. Nossa Senhora, eu nunca tinha visto um peixe daquele tamanho, era coisa de cinema. O bicho tinha um bocão gigante. Quando o peixe estava a uns cinco metros do barco eu vejo o peixe abrir a bocarra. Parecia um túnel. E a água da represa começou a escorrer para dentro dele. Era tanta, mas tanta água, que logo, logo eu estava no meio de um redemoinho. Que peixe era esse? Também não sei, mas era maior do que o Tucujaca.
Às cinco e trinta eu acordava as crianças para o café da manhã. Elas já dormiam com a roupa debaixo do pijama, para não demorarmos muito. Tirado o pijama, vinham os casacos e as galochas. As crianças insistiram e eu acabei comprando uns óculos escuros. Eles ficavam se sentindo astros do cinema debaixo dos bonés.
A melhor parte foi a ausência completa de telefone, video-games, TV, rádio e computador. Nem relógio eu levei.
No barco, ficava inventando histórias para as crianças.
Na primeira eu falava que tinha jogado a isca bem longe da canoa. Tão longe que eu nem escutei o barulho dela caindo dentro dágua. E esperei. Esperei. Esperei. Esperei. Esperei. Até cansar. Aí veio um puxão bem forte e eu puxei a vara com força, para fisgar o peixe bem fisgado. Aí eu ouvi um ruído bem forte, MUUUUUUUUUUUUUU. Qual era o nome do peixe? Era o peixe-boi, é claro.
Na segunda história, eu jogava a isca longe, mas nem tanto. Para se pescar o tucunaré é preciso paciência. Ele é um peixe predador que abre o bocão e engole a isca inteira. Mas a isca precisa estar viva. O tucunaré só come peixe vivo. E nesta segunda história eu jogava a isca quase do lado de um grande tucunaré da represa. O bicho ficou observando. Eu também. Quando ele deu o bote eu puxei com força e ali estava o tucunaré, fisgado, irremediavelmente fisgado. No meio da puxada, outra sacudida forte na linha e eu torno a fisgar o peixe, com um puxão muito forte. E aí começa uma luta para trazer o peixe para o barco. Quando eu vou olhar direito, a pouca distância do barco eu vejo a linha sumir na boca de um grande tucunaré e o peixe sumindo na boca enorme de um jacaré. Qual era o nome do peixe? Esse era o famoso Tucujaca.
Na terceira eu jogava a isca um pouco mais perto, eu escutava o barulho dela caindo dentro dágua, glub. E era a mesma coisa. Eu esperava, esperava, esperava, até cansar. E de repente, vinha um puxão bem forte e a minha resposta imediata, um puxão violento na vara de pesca para fisgar o peixe. E dessa vez não tinha barulho de boi e nem de vaca. Era peixe mesmo. E eu puxava o peixe e dava pra ver que era tucunaré. E dos grandes. Nossa Senhora, eu nunca tinha visto um peixe daquele tamanho, era coisa de cinema. O bicho tinha um bocão gigante. Quando o peixe estava a uns cinco metros do barco eu vejo o peixe abrir a bocarra. Parecia um túnel. E a água da represa começou a escorrer para dentro dele. Era tanta, mas tanta água, que logo, logo eu estava no meio de um redemoinho. Que peixe era esse? Também não sei, mas era maior do que o Tucujaca.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Vamos pescar
Outro dia fiz um banco com uma tábua e estacas que estavam no sótão da casa. A tábua havia sido muito usada pelo pintor e seu ajudante para a pintura dos quartos e da sala. Durante a reforma decidimos pintar somente por dentro, já que não chegamos a um acordo sobre a cor da pintura externa.
O banco ficou bem rústico, mas está sendo bastante útil. Cortei estacas com 50 centímetros de altura para as crianças alcançarem a mesa sem problemas. No futuro, terei que cortar pelo menos cinco centímetros dos pés do banco.
Hoje encontrei uma tábua debaixo de uma tonelada de poeira no sótão e decidi fazer outro banco. Essa tábua tem 2,20 metros, é 30 centímetros maior do que a outra. Limpei bem a madeira e descobri que a cor dessa tábua é quase igual à do outro banco. Devo gastar meio dia para fazer o trabalho. As estacas são de pinus maciço e é preciso cuidado para colocar os parafusos e espaçadores, além de cola para prender cada parte com firmeza.
A quinta-feira, no entanto, estará lotada de atividades. Amanhã também estaremos no mutirão de preparação das varas de pescar. As crianças deverão praticar um pouco e decidir que tipo de varas levarão para os três dias na beira da lagoa. O menino e a menina parecem bem animados com a pescaria. Eles não têm a mínima idéia do que é ficar horas dentro de um barco estreito e talvez não gostem muito. Se isso acontecer, faremos a pesca de barranco, em terra. O mais importante é mudar de ares e estar disposto a fazer coisas novas.
Passei os primeiros anos da minha vida na beira do Rio Araguaia e talvez por isso encare com naturalidade as paisagens de rios e lagos. Mas as crianças sempre estiveram longe disso e talvez estranhem bastante.
Cada barco de pesca leva no máximo três passageiros e um barqueiro. A pescaria exige esforço físico e grande concentração. No barco não é permitido video game, cd player e TV. Vamos levar coletes, toneladas de repelente de insetos e protetor solar. Minha filha vai levar o George, um macaquinho de pelúcia. Meu filho quer levar um monte de coisas, mas já expliquei que se uma coisa cair dentro dágua, babau, nicolau. Também já mencionei a existência de piranhas na lagoa. Mesmo sem fazer muito alarde, os olhos do meu filho brilharam intensamente. Ele também me perguntou se lá existem plantas carnívoras e areia movediça. Acho que vai ser uma ótima aventura.
O banco ficou bem rústico, mas está sendo bastante útil. Cortei estacas com 50 centímetros de altura para as crianças alcançarem a mesa sem problemas. No futuro, terei que cortar pelo menos cinco centímetros dos pés do banco.
Hoje encontrei uma tábua debaixo de uma tonelada de poeira no sótão e decidi fazer outro banco. Essa tábua tem 2,20 metros, é 30 centímetros maior do que a outra. Limpei bem a madeira e descobri que a cor dessa tábua é quase igual à do outro banco. Devo gastar meio dia para fazer o trabalho. As estacas são de pinus maciço e é preciso cuidado para colocar os parafusos e espaçadores, além de cola para prender cada parte com firmeza.
A quinta-feira, no entanto, estará lotada de atividades. Amanhã também estaremos no mutirão de preparação das varas de pescar. As crianças deverão praticar um pouco e decidir que tipo de varas levarão para os três dias na beira da lagoa. O menino e a menina parecem bem animados com a pescaria. Eles não têm a mínima idéia do que é ficar horas dentro de um barco estreito e talvez não gostem muito. Se isso acontecer, faremos a pesca de barranco, em terra. O mais importante é mudar de ares e estar disposto a fazer coisas novas.
Passei os primeiros anos da minha vida na beira do Rio Araguaia e talvez por isso encare com naturalidade as paisagens de rios e lagos. Mas as crianças sempre estiveram longe disso e talvez estranhem bastante.
Cada barco de pesca leva no máximo três passageiros e um barqueiro. A pescaria exige esforço físico e grande concentração. No barco não é permitido video game, cd player e TV. Vamos levar coletes, toneladas de repelente de insetos e protetor solar. Minha filha vai levar o George, um macaquinho de pelúcia. Meu filho quer levar um monte de coisas, mas já expliquei que se uma coisa cair dentro dágua, babau, nicolau. Também já mencionei a existência de piranhas na lagoa. Mesmo sem fazer muito alarde, os olhos do meu filho brilharam intensamente. Ele também me perguntou se lá existem plantas carnívoras e areia movediça. Acho que vai ser uma ótima aventura.
terça-feira, 19 de julho de 2011
A faxina no escritório do Careca
Rose é a nossa cozinheira-babá-governanta-universitária. Desde que saímos do velho apê para a nova casa ficou decidido que teríamos uma faxineira pelo menos uma vez por semana. A casa é grande e estamos todos ficando mais velhos. De modo que contratamos a Dona Lú para uma faxina geral e irrestrita uma vez por semana. A Dona Lú(diminutivo de Lucimaura) tem um porte físico de porteiro de boate, deve ganhar de mim na queda de braço com facilidade. Desde o primeiro dia de trabalho, a Dona Lú fez questão de deixar bem claro que ela é de Marte e que se eu vacilasse ela chutava Vênus e Saturno juntos.
_Seu marido fica em casa? - ela disse, no primeiro dia.
_Sim, mas ele fica o tempo todo no escritório. Você deixa o escritório para o final, na hora da faxina é só você avisar - disse a minha mulher.
Mas o dia passou tranquilamente e a Dona Lú não me avisou. Quando percebi, eram seis da tarde e ela já estava no portão, com cara de Dunga da seleção.
_Ué, já vai embora? - eu disse, com imediato arrependimento.
_Está na minha hora - ela disse.
_E o escritório? A senhora nem pra me avisar...
_Avisei várias vezes, o senhor é que não prestou atenção - ela disse.
_Mas Dona Lú, eu não ouvi nada - eu disse.
_Eu tossi umas quatro vezes, conforme combinado - ela disse.
_Eu ouvi a tosse, mas não sabia que era o aviso da senhora.
_Era. Agora está na minha hora - ela disse.
E foi embora. O "conforme combinado" me deixou sem argumentos. Eu não me lembrava dessa combinação porque não havia prestado muita atenção quando ela e a minha mulher conversaram. Fiquei me sentindo culpado e pensando que deveria ter prestado mais atenção no aviso da Dona Lú.
Na semana seguinte, no dia da faxina eu fiquei no escritório, prestando muita atenção aos sons da casa, mas nada de tossidas. Acabei me distraindo e quando percebi a Dona Lú estava no portão, com cara de Mano da seleção.
_Ué, e o escritório? - eu disse.
_Vai me dizer que não me ouviu de novo?
_Vou. Dessa vez eu prestei muita atenção e não ouvi tossida nenhuma.
_Tossida? Quem falou em tosse? Eu bati palmas. Foi assim que nós combinamos da última vez. - ela disse.
Na terceira vez, eu perguntei antes para minha mulher se ela havia combinado algum sinal com a Dona Lú.
_Que sinal? Não sei do que você está falando - ela disse.
_Do sinal para a Dona Lú entrar no escritório e fazer a faxina, lembra?
_Não precisa de sinal. É só você sair e deixar ela trabalhar, ué.
Hoje a Dona Lú chegou em casa para fazer a faxina e eu saí, para fazer um monte de coisas. O escritório está limpo.
_Seu marido fica em casa? - ela disse, no primeiro dia.
_Sim, mas ele fica o tempo todo no escritório. Você deixa o escritório para o final, na hora da faxina é só você avisar - disse a minha mulher.
Mas o dia passou tranquilamente e a Dona Lú não me avisou. Quando percebi, eram seis da tarde e ela já estava no portão, com cara de Dunga da seleção.
_Ué, já vai embora? - eu disse, com imediato arrependimento.
_Está na minha hora - ela disse.
_E o escritório? A senhora nem pra me avisar...
_Avisei várias vezes, o senhor é que não prestou atenção - ela disse.
_Mas Dona Lú, eu não ouvi nada - eu disse.
_Eu tossi umas quatro vezes, conforme combinado - ela disse.
_Eu ouvi a tosse, mas não sabia que era o aviso da senhora.
_Era. Agora está na minha hora - ela disse.
E foi embora. O "conforme combinado" me deixou sem argumentos. Eu não me lembrava dessa combinação porque não havia prestado muita atenção quando ela e a minha mulher conversaram. Fiquei me sentindo culpado e pensando que deveria ter prestado mais atenção no aviso da Dona Lú.
Na semana seguinte, no dia da faxina eu fiquei no escritório, prestando muita atenção aos sons da casa, mas nada de tossidas. Acabei me distraindo e quando percebi a Dona Lú estava no portão, com cara de Mano da seleção.
_Ué, e o escritório? - eu disse.
_Vai me dizer que não me ouviu de novo?
_Vou. Dessa vez eu prestei muita atenção e não ouvi tossida nenhuma.
_Tossida? Quem falou em tosse? Eu bati palmas. Foi assim que nós combinamos da última vez. - ela disse.
Na terceira vez, eu perguntei antes para minha mulher se ela havia combinado algum sinal com a Dona Lú.
_Que sinal? Não sei do que você está falando - ela disse.
_Do sinal para a Dona Lú entrar no escritório e fazer a faxina, lembra?
_Não precisa de sinal. É só você sair e deixar ela trabalhar, ué.
Hoje a Dona Lú chegou em casa para fazer a faxina e eu saí, para fazer um monte de coisas. O escritório está limpo.
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