segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fazendo contas com Palófi

Cada dia que passa eu me convenço de que o Palhocci é inocente e não vendeu caro a influenza. Estou cada vez mais convicto de que o atual Manda-Chuva da Casa deve continuar no cargo, porque é uma pessoa que inspira confiança e credibilidade, atchim. Tenho absoluta certeza de que ele é uma pessoa honesta, com uma extraordinária capacidade para prestar serviços de consultoria muitíssimo bem pagos.

A verdade é que estamos nos acostumando tão rapidamente a números gigantescos que poucas vezes paramos para fazer as contas. O que são vinte milhões de reais? Divida por 365 e você terá R$54.794,52, um valor razoável para o dia trabalhado. E essa quantia, para um sujeito que trabalha dando conselho pelo telefone, como o Palólci, mal cobre as despesas. É bem verdade ainda que ninguém, a não ser o Papa, trabalha todos os dias do ano. Então, é bem natural que o Doutor Pailóssi cobre também pelos feriados, dias santos e finais de semana.

Sei. Você é do tipo rigoroso. Gosta de vírgulas e contar centavos. Então divida o butim de um dia por 24 e o valor será de R$2.283,10. Ou seja, cada hora de consultoria do Palossi custaria uma mixaria. Satisfeito agora? Viu que isso não passa de uma mera conta de restaurante.

É lógico que à primeira vista o valor parece absurdamente reduzido, tendo em vista a qualidade dos serviços prestados pelo Doutor P. Mas se você dividir vinte milhões por 12, o resultado é R$1.666.666,66. Oras, tem muito jogador de futebol que fatura mais do que isso por mês. E o Paiossi bate um bolão em economês.

Sinceramente, acho que as pessoas não deviam pegar no pé do Doutor Palófi. Honestidade chegou ali e parou, gente. E dividir vinte milhões pelo valor do salário mínimo é pura demagogia, não é por aí. Também não vale dividir por cestas básicas e nem por corrida de táxis. Pouco importa se com essa grana daria para comprar 408 Astras. Ninguém se lembra mais de que um presidente começou a ser impichado por causa de uma Fiat Elba. Ninguém se dá conta de que vinte milhões fazem exatos 400 pacotes de 50 mil reais, que não cabem mais numa cueca.

Não é o valor, não é o espírito da coisa, não é uma coisa de princípios. Ocorre é que eu acho o Palólfi muito esforçado em esclarecer as coisas e deixar tudo bem explicadinho. Quer dizer, tirante o confidencial. Tem coisa muito confidencial que é uma falta de respeito a gente contar pros outros. E eu já posso imaginar o Doutor Pê, depois de semanas estudando um assunto ligando para o cliente e dizendo que o relatório da consultoria já estava pronto e se auto-destruiria em vinte segundos.

_Pô, nem vai dar tempo de ler.

_Eu posso fassê um ressumo, se fossê quisser.

_Manda bala.

_Não fai rolar.

_Ué, e o resumo?

_Já fiss.

_Aaanhhh.

domingo, 29 de maio de 2011

Armários, gripe e um gol contra do Rafa

Estive muito gripado nos três últimos dias. Isso não impediu a montagem de alguns armários e outros pequenos trabalhos de marcenaria, mas atrapalhou um pouco. Resolvi montar eu mesmo dois dos três armários gigantes que estavam no quarto das crianças e que ficarão no quarto de hóspedes. É uma tarefa difícil porque as pessoas que desmontaram os armários não identificaram todas as partes. Então foi como montar um quebra cabeça gigante em três dimensões.

É lógico que cometi alguns erros e tive que refazer a montagem de algumas partes. Mas as gavetas encaixaram, bem como as portas e as barras de cabides. O terceiro armário foi transformado numa espécie de rack para TV. Ainda não sei o que fazer com as portas que sobraram.

Procurei manter as crianças longe, por causa da grande quantidade de pregos enferrujados dos fundos dos armários. Os caras deixaram todos os pregos onde estavam e sumiram com os parafusos. Vai entender. Felizmente encontrei todos os ferrolhos das dobradiças das portas. Quando varria o chão e estava seguro de que não havia prego nenhum no chão, eu chamava as crianças para me ajudar. Eles adoraram se sentir úteis.

São armários de aglomerado com um forro marrom, envernizados. Eram embutidos e algumas paredes laterais não são forradas. Por isso, as crianças acham que eu devo pintar os armários. Ainda estou em dúvida sobre o que fazer. De qualquer modo, com tudo montado, comecei a lixar os armários. Encontrei a velha lixadeira orbital no meio da tranqueira que trouxe do quartinho da garagem do velho apê. Ainda funciona direitinho.

Eu estava lixando o fundo de um armário quando olhei na direção do barulho que o Rafa estava fazendo. Percebi que ele havia pegado alguma coisa mas não dei muita trela, ele vive pegando coisas na garagem. Quando prestei mais atenção percebi que era um pássaro. Rafa é um caçador, quem diria.

Chamei o meu filho para ver cachorro e ele ficou chocado. Naturalmente, Rafa não deixou que eu tirasse o pássaro da sua boca. Ele tratou de fugir rapidinho para o fundo do quintal. Tive que correr atrás do cãozinho shi-tsu para capturá-lo e tirar o pássaro da sua boca. Rafa é um atleta como eu, se cansa rapidinho e acha correr um saco. O pássaro tinha virado uma massa de vísceras e penas, não consegui descobri que bicho era. Talvez fosse um beija-flor, dos grandes, pois as penas eram esverdeadas em alguns pontos.

Rafa ficou desapontado comigo. Meu filho ficou decepcionado com o Rafa e comigo, porque não impedi o "assassinato do beija-flor".

_Mas eu não sei se era um beija-flor. Podia ser um pardal, sei lá - eu disse.

_Não importa. Estou decepcionado - disse o meu filho.

_Mas filho, o Rafa é um bicho, o instinto animal dele é que fala mais alto - eu disse.

_É um malvado, isso sim - ele disse.

E não quis saber mais de conversa. Mais tarde, quando estava colocando as portas do futuro rack, Rafa se aproximou de mim e ficou deitado daquele jeito dele, parecendo um tapete. Ele nem se mexeu quando fiz carinho na sua cabeça. Amanhã não vai ter jeito, vou precisar de um remédio para a gripe.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Curicacas e garrafas de Gatorade

A curicaca é uma ciconiiforme da família Threskiornithidae. Seu nome popular é onomatopéico, semelhante ao som do seu canto. É uma ave comum na América do Sul. Tem cerca de 40 cm de altura e 70 cm de comprimento. O bico é curvo e fino. Essas aves são protegidas pelos agricultores, porque controlam o número de insetos.

As curicacas não têm nada em comum com as garrafas de Gatorade, a não ser que fazem parte desse post, que é um pedido de desculpas a duas pessoas diferentes. O primeiro é para o meu pai, porque duvidei do nome e da existência dessa ave.

_É curicaca - disse o meu pai.

_Tá, curicaca, acredito - eu disse.

_Está duvidando? É curicaca o nome desse bicho.

_Sei, ave rara, encontrada também na Patagônia, vista pela primeira vez pelo Dr. Livingstone no lago de Titicaca, quase extinta pela família Curi porque detestavam a associação com o nome.
_Nada disso, é ave comum, já vi muitas aqui no quintal.

E meu pai descreveu a curicaca exatamente como elas aparecem nas fotos que vi depois, pela internet. Também reconheci a ave que vi numa palmeira outro dia, passeando por lá. Bom, sorry, não tá mais aqui quem falou.

E as garrafas de Gatorade? Bom, uma vez, há centenas de posts neste blog, eu acusei injustamente a minha mulher de ter jogado fora minha coleção de garrafas de Gatorade. Lembro que na época, por volta do ano 2000, tivemos uma conversa mais ou menos assim.

_Eu? Não joguei fora coisa nenhuma, mas se por acaso eu encontrar essas garrafas elas vão para o lixo, sim, senhor. Nunca vi. Você guarda tudo, Careca. Até tampinha de cerveja - disse a minha mulher.

_Minha coleção de tampinhas? Onde está?

_Coleção, uma ova! Era um monte de tampinhas de uma única marca de cerveja.

_Da Devassa? Eram tampinhas do ano de lançamento, não fazem mais daquele jeito.

_Era um monte de tampinhas enferrujadas e sebentas. Foram para o lixo.

Ela,portanto, não disse que havia jogado as garrafas no lixo. Embora tenha admitido que poderia fazê-lo. Mesmo assim, presumi que ela havia jogado as garrafas fora. Lembro que fiquei chateado. Fiquei tão chateado que anos depois, quando comecei esse blog, fiz um post em que recriminava a minha mulher por ter jogado a minha coleção na sarjeta.

Exagero, podem pensar alguns. Mas comecei essa coleção em 1998, quando a bebida foi lançada e as garrafas eram de vidro, com letras em relevo e com duas partes jateadas. Coisa fina.

Hoje, enquanto esvaziava o quartinho da bagunça do velho apê me deparei com uma caixa enorme, cheia de garrafas. Era a minha coleção. Caramba! Depois de tanto tempo, devem valer uma nota no mercado dos colecionadores que são birutas como eu.

Bom, sorry, errei, tentarei não repetir.

Agora vou tentar registrar em foto uma curicaca.

Também vou procurar um lugar seguro para guardar a minha coleção de garrafas de Gatorade. Minha mulher tem memória de elefante.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O passo do tamanho das pernas


Fui fazer hoje uma faxina no velho apê para entrega à imobiliária. Além de diversos reparos, o apê foi pintado e escovado. Quando estava quase tudo pronto, resolvi experimentar um produto que prometia fazer milagres com o rejunte. Fiz um pequeno teste no chão do banheiro e resolvi usar.

Passei o Zap com cuidado, de acordo com as instruções do blister e também do frasco do produto. Ele realmente funciona muito bem. Só tem um problema. É melhor você ir limpando à medida que coloca o revitalizador do rejunte. Depois que a coisa seca, você vai ficar horas para tirar o excesso dos azulejos. Naturalmente foi isso que aconteceu comigo. Fiquei duas horas retirando os excessos de um produto que coloquei em dez minutos. Mas aprendi bem a lição. E o outro banheiro ficou razoavelmente revitalizado, rapidamente.

O dia foi proveitoso e amanhã o velho apê estará pronto para a entrega. Feitas as contas, foram onze anos e alguns meses morando ali.

A foto mostra a vista que eu tinha do lugar onde eu ficava mais tempo no velho apê: a varanda onde ficava o computador. Dá pra ver um pedaço da calçada onde eu passeava todos os dias com o Rafa.

Às vezes me dá um medo danado de estar dando um passo maior do que as minhas pernas, de sair de um apê onde vivia confortável e acomodado para uma casa onde os desafios e limites ainda são desconhecidos. Por outro lado, eu já havia atingido o "point of no return" quando aconteceu o desligamento imediato e seria até covardia recuar.

Os dias estão passando de forma muito rápida e de forma muito envolvente e intensa. E quando isso acontece eu quase sempre me sinto feliz.

Frase do dia