Meu filho estava com uma gripe leve, mas com dor de cabeça, na última quinta-feira. Por isso, fricou em casa. Na sexta-feira ele ainda estava resfriado. Mas visivelmente recuperado. No sábado, brincou até cansar. No domingo, ele já acordou preventivo.
_Pai, amanhã é melhor eu não ir para a escola.
_Mas por quê, filhote?
_É que eu acho que eu vou ter dor-de-cabeça, paiê!
_E daí?
_Daí que eu não quero passar minha dor-de-cabeça pros meus colegas!
domingo, 31 de maio de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
A frustração costumeira
Ele está dormindo no sofá. Os outros meninos estão deitados sobre vários colchões vendo Homem Aranha 3, projetado na parede. Eu passo por trás, para não atrapalhar a projeção. Consigo pescar o meu garoto. Tenho experiência e carregá-lo dormindo. Sei contrabalançar o peso. Consigo ajeitá-lo rapidamente, a cabeça apoiada no meu ombro. Ele apaga, quando dorme. E hoje, na casa desse amigo, deve ter corrido muito.
Eu o coloco com cuidado, no banco de trás, ajeito o cinto de segurança. Dirijo com cuidado, observo o trânsito. Diversas coisas já mudaram nos caminhos que faço. Já faz tempo que não dirijo à noite. Levo quase uma hora para voltar para casa.
Ao chegar, o adolescente do quarto andar segura a porta do elevador para mim. Caramba, o garoto vai sair agora. São onze e trinta e o garoto vai sair agora.
Fico pensando no meu menino, daqui a dez anos. Quando ele estiver com dezesseis, a que horas sairá?
Aos vinte, revolucionário. Aos quarenta, um conservador arbitrário. Na adolescência, incendiário. Bombeiro aos trinta. Como é mesmo o ditado?
Meu filho ligou lá pelas nove horas. Pediu para ficar na casa do amigo, para dormir. Eu não deixei. O combinado tinha sido de ficar na casa do amigo até as nove e meia, dez horas da noite. Depois eu iria buscar. Foi o que eu fiz.
Às vezes eu acho que tenho que manter todos os combinados.
Às vezes eu acho que não faz mal relaxar um pouquinho. Depois me arrependo de ter relaxado.
Uma vez um amigo me disse que o pai era psicólogo. Esse amigo era filho único.
_Pô, filho único é super-mimado, um tremendo reizinho – eu disse.
_Que nada, com o meu velho era só não. Ele sempre negava. Dizia que era pra me acostumar com frustração.
_E você se acostumou?
_Sim, com o tempo achei natural ele ser frustrante.
Eu o coloco com cuidado, no banco de trás, ajeito o cinto de segurança. Dirijo com cuidado, observo o trânsito. Diversas coisas já mudaram nos caminhos que faço. Já faz tempo que não dirijo à noite. Levo quase uma hora para voltar para casa.
Ao chegar, o adolescente do quarto andar segura a porta do elevador para mim. Caramba, o garoto vai sair agora. São onze e trinta e o garoto vai sair agora.
Fico pensando no meu menino, daqui a dez anos. Quando ele estiver com dezesseis, a que horas sairá?
Aos vinte, revolucionário. Aos quarenta, um conservador arbitrário. Na adolescência, incendiário. Bombeiro aos trinta. Como é mesmo o ditado?
Meu filho ligou lá pelas nove horas. Pediu para ficar na casa do amigo, para dormir. Eu não deixei. O combinado tinha sido de ficar na casa do amigo até as nove e meia, dez horas da noite. Depois eu iria buscar. Foi o que eu fiz.
Às vezes eu acho que tenho que manter todos os combinados.
Às vezes eu acho que não faz mal relaxar um pouquinho. Depois me arrependo de ter relaxado.
Uma vez um amigo me disse que o pai era psicólogo. Esse amigo era filho único.
_Pô, filho único é super-mimado, um tremendo reizinho – eu disse.
_Que nada, com o meu velho era só não. Ele sempre negava. Dizia que era pra me acostumar com frustração.
_E você se acostumou?
_Sim, com o tempo achei natural ele ser frustrante.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O motim no Bounty
Nem sei mais porque comprei esse livro da Caroline Alexander. Acho que não foi pelo tema, embora já conhecesse a história das versões do cinema. Vi uma versão com o Marlon Brando. E uma em preto e branco, acho que foi com o Humphrey Bogart. Gostei das duas. Do cinema, guardei na memória a impressão de que o filme retratava uma rebeldia contra as regras excessivamente rígidas da marinha da época. O filme seria um embate entre o que é novo e amante da liberdade e o que é conservador, severo, rígido e brutal.
A história do Bounty é muito diferente. Não é como a minha memória traiçoeira me fazia lembrar. Eu torci, eu lembro, para o Brando-Fletcher Christian, o jovem oficial que lidera os homens contra a brutalidade e rigidez do comandante Bligh. Não é nada disso. O livro de Caroline Alexander mostra por a mais b que não foi nada disso. Mas ainda assim é essa a versão que permanece.
Caroline Alexander escreveu Endurance. Conta a trajetória de Shackleton para chegar à Antartica. Foi um dos melhores livros sobre fatos históricos que eu jamais li. Conta a história real baseada em documentos e registros, tintim por tintim. É genial. Por causa do Endurance, reli Moby Dick e uma série de livros e autores que sempre adorei, de Melville a Maugham, de Conrad a Alexander.
E por causa desses livros e autores excelentes, comecei a montar barcos de madeira da Artesania Latina, Constructo, Midwest, Great Models e outros. Depois tive que parar, por causa de poeira, cola e alergia. E também porque é um hobby super caro. Tenho dois modelos inacabados. Um grande barco que precisa ser restaurado. E muita preguiça de começar.
Tantos livros e autores excelentes.
Às vezes dá vontade de ser só consumidor.
A história do Bounty é muito diferente. Não é como a minha memória traiçoeira me fazia lembrar. Eu torci, eu lembro, para o Brando-Fletcher Christian, o jovem oficial que lidera os homens contra a brutalidade e rigidez do comandante Bligh. Não é nada disso. O livro de Caroline Alexander mostra por a mais b que não foi nada disso. Mas ainda assim é essa a versão que permanece.
Caroline Alexander escreveu Endurance. Conta a trajetória de Shackleton para chegar à Antartica. Foi um dos melhores livros sobre fatos históricos que eu jamais li. Conta a história real baseada em documentos e registros, tintim por tintim. É genial. Por causa do Endurance, reli Moby Dick e uma série de livros e autores que sempre adorei, de Melville a Maugham, de Conrad a Alexander.
E por causa desses livros e autores excelentes, comecei a montar barcos de madeira da Artesania Latina, Constructo, Midwest, Great Models e outros. Depois tive que parar, por causa de poeira, cola e alergia. E também porque é um hobby super caro. Tenho dois modelos inacabados. Um grande barco que precisa ser restaurado. E muita preguiça de começar.
Tantos livros e autores excelentes.
Às vezes dá vontade de ser só consumidor.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Reunião de condomínio
Durante muito tempo eu me furtei de participar de reunião de condomínio.
Aí comecei a prestar atenção.
E parei de me furtar.
E também de me deixar ser furtado.
Hoje participo de todas.
E discuto com paixão todos os centavos extras que alguns querem cobrar.
A reunião de hoje acabou de acabar.
Aí comecei a prestar atenção.
E parei de me furtar.
E também de me deixar ser furtado.
Hoje participo de todas.
E discuto com paixão todos os centavos extras que alguns querem cobrar.
A reunião de hoje acabou de acabar.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Duas histórias dos outros
O caminho certo
Minha irmã me conta como foi difícil encontrar a panificadora onde comprou uma deliciosa torta de framboesa, recomendada por uma amiga.
_Achei o endereço na lista. Era uma sigla engraçada do Setor Sudoeste. Fiquei andando em círculos e nada de encontrar a loja. Liguei para o telefone da loja e uma mocinha foi me ensinando o caminho – e aqui, minha irmã faz a voz da mocinha ajudante.
_Está vendo uma entrada à esquerda, para um prédio cinza? Pois então, segue reto. Na placa de vire à direita, vire à esquerda. E aí é só olhar para frente, tem um prédio rosa, não é? Pois não é esse prédio não. Atrás tem outro prédio azul, também não é esse, e nem o que está do lado, que é xadrezinho. Mas dá para ver a curva, de frente para o prédio quadrado, onde tem uma árvore bem grande. Quando chegar lá, me liga de novo.
Por um milagre, minha irmã conseguiu encontrar a panificadora.
E a torta ficou mais saborosa com a história.
A educação das crianças
No trabalho, uma colega me conta o diálogo que teve com o filho, que vai fazer sete anos.
_Mãe, eu tirei 4 em português.
_Só quatro?!
_É, mas nem precisa brigar comigo, mãe, porque eu tirei dez em Educação Física.
_!
_Educação Física é bem difícil, mãe. Tem que dar dez voltas na quadra, correndo. E ainda tem que chutar bola.
Minha irmã me conta como foi difícil encontrar a panificadora onde comprou uma deliciosa torta de framboesa, recomendada por uma amiga.
_Achei o endereço na lista. Era uma sigla engraçada do Setor Sudoeste. Fiquei andando em círculos e nada de encontrar a loja. Liguei para o telefone da loja e uma mocinha foi me ensinando o caminho – e aqui, minha irmã faz a voz da mocinha ajudante.
_Está vendo uma entrada à esquerda, para um prédio cinza? Pois então, segue reto. Na placa de vire à direita, vire à esquerda. E aí é só olhar para frente, tem um prédio rosa, não é? Pois não é esse prédio não. Atrás tem outro prédio azul, também não é esse, e nem o que está do lado, que é xadrezinho. Mas dá para ver a curva, de frente para o prédio quadrado, onde tem uma árvore bem grande. Quando chegar lá, me liga de novo.
Por um milagre, minha irmã conseguiu encontrar a panificadora.
E a torta ficou mais saborosa com a história.
A educação das crianças
No trabalho, uma colega me conta o diálogo que teve com o filho, que vai fazer sete anos.
_Mãe, eu tirei 4 em português.
_Só quatro?!
_É, mas nem precisa brigar comigo, mãe, porque eu tirei dez em Educação Física.
_!
_Educação Física é bem difícil, mãe. Tem que dar dez voltas na quadra, correndo. E ainda tem que chutar bola.
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