Há muito tempo escrevi aqui que somente a letra da lei não adianta nada. Sem fiscalização, blitz, multa e cadeia, a lei seca iria chover no molhado.
É a educação, meu irmão
Todos estamos carecas de saber que esse é um problema central. Encontrar uma solução que fuja da valorização do professor não é uma solução.
O tigre branco
Sim, os indianos estão na moda. Mas esse livro do Aravind Adiga vale a pena. É super-engraçado.
Não sei o que acontece comigo. Toda vez que estou lendo alguma coisa engraçada e divertida fico sem vontade de escrever.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Vinte mil léguas submarinas
Trabalho duro
Apesar de ainda estar surfando na onda das mais de vinte mil visitas ao blog, hoje foi quarta-feira de cinzas, dia de trabalho duro. Depois das duas da tarde, fiquei organizando coisas para quinta e sexta.
Ivan Lessa, cadê você?
Tenho procurado as crônicas do Ivan Lessa, no site da BBC. Cadê o coroa? Ele é um velhinho chato pra caramba, com um olhar super-crítico para o País e o mundo. Por isso mesmo, é leitura indispensável. Ivan, sou seu fã. Volte.
Administrando expectativas
Sim, senhoras e senhores, apertem os cintos que a descida será longa.
Como tem caído avião, né?
É impressão minha ou aumentou o número de acidentes aéreos? Parece que todo dia agora cai um avião. E num instante já estamos saturados. Nem ligamos para os pilotos que fazem mágica e evitam centenas de mortos. Em matéria de heroísmo, nós somos olímpicos. Só nos interessa o medalha de ouro invicto. Não queremos saber do piloto que salva duzentos. Só aplaudimos o que não deixa nenhum se perder.
O melhor do carnaval
É cama.
Careca, quem você levaria para a Ilha de Páscoa?
Chocolates Kopennhagen, é claro.
Careca, como manter o sorriso no rosto nesses tempos de crise?
Pense nesses dias como os melhores da sua vida.
Careca, como encontrar o caminho da felicidade?
Me disseram que é fácil: basta seguir em frente, tomando cuidado para não bater o nariz.
Careca, por que você está fazendo perguntas para você mesmo?
Pô, os comentaristas do blog sumiram...
Apesar de ainda estar surfando na onda das mais de vinte mil visitas ao blog, hoje foi quarta-feira de cinzas, dia de trabalho duro. Depois das duas da tarde, fiquei organizando coisas para quinta e sexta.
Ivan Lessa, cadê você?
Tenho procurado as crônicas do Ivan Lessa, no site da BBC. Cadê o coroa? Ele é um velhinho chato pra caramba, com um olhar super-crítico para o País e o mundo. Por isso mesmo, é leitura indispensável. Ivan, sou seu fã. Volte.
Administrando expectativas
Sim, senhoras e senhores, apertem os cintos que a descida será longa.
Como tem caído avião, né?
É impressão minha ou aumentou o número de acidentes aéreos? Parece que todo dia agora cai um avião. E num instante já estamos saturados. Nem ligamos para os pilotos que fazem mágica e evitam centenas de mortos. Em matéria de heroísmo, nós somos olímpicos. Só nos interessa o medalha de ouro invicto. Não queremos saber do piloto que salva duzentos. Só aplaudimos o que não deixa nenhum se perder.
O melhor do carnaval
É cama.
Careca, quem você levaria para a Ilha de Páscoa?
Chocolates Kopennhagen, é claro.
Careca, como manter o sorriso no rosto nesses tempos de crise?
Pense nesses dias como os melhores da sua vida.
Careca, como encontrar o caminho da felicidade?
Me disseram que é fácil: basta seguir em frente, tomando cuidado para não bater o nariz.
Careca, por que você está fazendo perguntas para você mesmo?
Pô, os comentaristas do blog sumiram...
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
O cantor no banheiro 3
Um. A vida inteira eu fui obcecado com uma coisa de cada vez. Monomanias. Um time. Uma canção. Uma paixão. Um. Uma coisa de cada vez. É que para mim é quase impossível pensar mais de uma coisa de uma só vez. E eu queria que a minha vida fosse assim, linear como o pensamento. Lógica. Como a escrita de uma linha. Mas sempre foi diferente, é claro. Embora a cada instante das entrelinhas, só seja possível ser eu mesmo e um só. Ainda assim, a vida extravasa as minhas míseras capacidades. E sempre extravasou as minhas linhas. E por isso nunca fui só um. Embora sempre seja o que me escrevo. Mas é sempre diferente.
Outro dia estava folheando um livro da Taschen Editora. Era uma edição completa das obras de Van Gogh. Outra das minhas monomanias. Ao longo dos anos, já adquirir esse livro umas cinco vezes. Alguém me pede emprestado e ele desaparece. Em geral, é quando estou no meio de uma conclusão bastante animadora sobre a obra de Van Gogh. É como se o livro desaparecesse quando estou prestes a descobrir um sentido não somente para a vida de Van Gogh, mas também para a de Gauguin. E também para a minha. Embora eu não seja pintor. E nem mesmo seja artista. E nem me angustie tanto.
Fiquei muito tempo observando, por exemplo, os auto-retratos de Van Gogh neste livro. São dezenas de auto-retratos. A princípio eu considerei, erroneamente, que os inúmeros auto-retratos de Van Gogh derivassem de algum tipo de narcisismo. Uma espécie de monomania de si mesmo. Mas esse é o pensamento de um ignorante. Van Gogh era pobre. Não podia pagar modelos. Então pintava a si mesmo, olhando para um espelho. Às vezes, nem era um espelho. Era o reflexo na bacia dágua.
Assim, depois de muito tempo e observações, aperfeiçoei o meu juízo. Tantos auto-retratos derivavam da necessidade que Van Gogh sentia de pintar. Mais importante que o tema, o que importava era como ele estava se pintando. Mais importante que o como, era quando ele estava pintando. E mais importante que o como e o quando, eram as cores que Van Gogh estivesse usando. Céus! Mas isso só era possível descobrir depois de se ler algumas das mais de seiscentas cartas que ele trocou com o irmão caçula, Theo. E só depois disso, é que era possível saber que além da escolha absolutamente deliberada de cores, havia a grossura e a direção das pinceladas. Cada retrato ganha uma dimensão única, porque a cada um corresponde uma ou várias cartas, repletas de descrições e análises cuidadosas e de comparações com outros artistas e quadros, seguidas por comentários detalhados e sensatos do irmão Theo. E cada auto-retrato é a imagem fiel e fidedigna de Van Gogh.
Embora eu não tenha talento para a pintura, a vida de verdade, até mesmo a minha, é mais de uma. Ela é tantas vezes quanto os meus olhos que a observam. E em todas é diferente. Do mesmo modo, a verdade nunca é só uma. E um enredo é só um pretexto para se falar de qualquer coisa, menos daquilo que realmente nos aflige.
Foi com essas coisas na cabeça, debaixo do chuveiro, que outro dia, distraído, pude ouvir novamente o cantor no banheiro. Ele interpretou “O Sole Mio”. Eu só conhecia a versão do comercial da televisão: “Dá-me um corneto”. Foi uma bela interpretação. Ao final, terminei ajudando o cantor, com um assovio no refrão. Pelo duto da ventilação ouvi alguns aplausos de outros moradores. Tenho certeza de que alguém, lá no sexto andar, gritou : Bravo!
Outro dia estava folheando um livro da Taschen Editora. Era uma edição completa das obras de Van Gogh. Outra das minhas monomanias. Ao longo dos anos, já adquirir esse livro umas cinco vezes. Alguém me pede emprestado e ele desaparece. Em geral, é quando estou no meio de uma conclusão bastante animadora sobre a obra de Van Gogh. É como se o livro desaparecesse quando estou prestes a descobrir um sentido não somente para a vida de Van Gogh, mas também para a de Gauguin. E também para a minha. Embora eu não seja pintor. E nem mesmo seja artista. E nem me angustie tanto.
Fiquei muito tempo observando, por exemplo, os auto-retratos de Van Gogh neste livro. São dezenas de auto-retratos. A princípio eu considerei, erroneamente, que os inúmeros auto-retratos de Van Gogh derivassem de algum tipo de narcisismo. Uma espécie de monomania de si mesmo. Mas esse é o pensamento de um ignorante. Van Gogh era pobre. Não podia pagar modelos. Então pintava a si mesmo, olhando para um espelho. Às vezes, nem era um espelho. Era o reflexo na bacia dágua.
Assim, depois de muito tempo e observações, aperfeiçoei o meu juízo. Tantos auto-retratos derivavam da necessidade que Van Gogh sentia de pintar. Mais importante que o tema, o que importava era como ele estava se pintando. Mais importante que o como, era quando ele estava pintando. E mais importante que o como e o quando, eram as cores que Van Gogh estivesse usando. Céus! Mas isso só era possível descobrir depois de se ler algumas das mais de seiscentas cartas que ele trocou com o irmão caçula, Theo. E só depois disso, é que era possível saber que além da escolha absolutamente deliberada de cores, havia a grossura e a direção das pinceladas. Cada retrato ganha uma dimensão única, porque a cada um corresponde uma ou várias cartas, repletas de descrições e análises cuidadosas e de comparações com outros artistas e quadros, seguidas por comentários detalhados e sensatos do irmão Theo. E cada auto-retrato é a imagem fiel e fidedigna de Van Gogh.
Embora eu não tenha talento para a pintura, a vida de verdade, até mesmo a minha, é mais de uma. Ela é tantas vezes quanto os meus olhos que a observam. E em todas é diferente. Do mesmo modo, a verdade nunca é só uma. E um enredo é só um pretexto para se falar de qualquer coisa, menos daquilo que realmente nos aflige.
Foi com essas coisas na cabeça, debaixo do chuveiro, que outro dia, distraído, pude ouvir novamente o cantor no banheiro. Ele interpretou “O Sole Mio”. Eu só conhecia a versão do comercial da televisão: “Dá-me um corneto”. Foi uma bela interpretação. Ao final, terminei ajudando o cantor, com um assovio no refrão. Pelo duto da ventilação ouvi alguns aplausos de outros moradores. Tenho certeza de que alguém, lá no sexto andar, gritou : Bravo!
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
O cantor no banheiro 2
Ninguém liga a mínima para perdedores. Eu também não. Mesmo se a vitória acontecer numa disputa de músicas no banheiro. Não pensei mais na voz de ópera no banheiro. Assobia melhor quem assobia por último. Além disso, depois daquela discussão eu fiquei muito tempo sem sequer discordar da minha mulher. Fiquei sem mergulhar o rosto na pia, atento ao latejar nos tímpanos. E não prestei mais atenção a barulhos no banheiro.
Às vezes é possível superar algumas coisas com uma boa discussão. Na conversa. Outras vezes, quando os silêncios se tornam muito grandes, é melhor tentar outra coisa. Ou então desistir. O problema é que eu não gosto de desistir. E geralmente não desisto. Algumas pessoas chamam isso de teimosia. Eu mesmo chamo isso de burrice. Muitas vezes eu fui estúpido o bastante para continuar a fazer coisas que simplesmente não estavam mais dando certo. O mais incrível disso é que algumas dessas coisas, as mais importantes, de repente começavam a dar certo. Mas na maioria das vezes, essa teimosia terminava com a perda definitiva de algo que eu queria muito. Ou seja, as coisas aconteciam a despeito de qualquer coisa que eu fizesse. Às vezes eu tinha sorte. Era simples assim.
“O que não mata engorda”. Eu tinha uma teoria antiga que derivava desse e de outros ditados populares. “Vaso ruim não quebra”. “Pau que nasce torto”. De alguma forma, isso havia se transformado numa certeza de que não adiantava tentar mudar. Não adiantava perseguir um sonho. Não adiantava tentar me reinventar. Não adiantava fazer nada. O mundo era grande demais e a inércia das coisas acabaria dando fim das coisas que teriam fim. Mesmo assim era importante não ficar parado. Não dar sopa. Não apressar as coisas ficando parado.
Então foi numa dessas vezes, em que eu achava que minha vida estava dando uma guinada para baixo, a despeito de todos os meus esforços em fazer as coisas certas darem certo, que eu voltei a escutar a voz de ópera no banheiro.
Lá estava ele, o cantor de ópera. Ele cantava uma ária bonita e alegre. Sou um analfabeto de música clássica. Mas aquilo só podia ser as “Bodas de Fígaro”, de Mozart. Eu conheço de ouvir em desenhos animados. Tentei assobiar “Yellow Submarine” novamente, mas acabei me deixando envolver pela interpretação do Fígaro. (continua)
P.S: Agradeço a todos. Vinte mil visitas em menos de dois anos!!! Foram cerca de 40 mil pageviews em 14 meses. E em pleno carnaval! Desse jeito vou ter que arrumar um caminhão-cegonha para as minhas kombis de leitores...
Às vezes é possível superar algumas coisas com uma boa discussão. Na conversa. Outras vezes, quando os silêncios se tornam muito grandes, é melhor tentar outra coisa. Ou então desistir. O problema é que eu não gosto de desistir. E geralmente não desisto. Algumas pessoas chamam isso de teimosia. Eu mesmo chamo isso de burrice. Muitas vezes eu fui estúpido o bastante para continuar a fazer coisas que simplesmente não estavam mais dando certo. O mais incrível disso é que algumas dessas coisas, as mais importantes, de repente começavam a dar certo. Mas na maioria das vezes, essa teimosia terminava com a perda definitiva de algo que eu queria muito. Ou seja, as coisas aconteciam a despeito de qualquer coisa que eu fizesse. Às vezes eu tinha sorte. Era simples assim.
“O que não mata engorda”. Eu tinha uma teoria antiga que derivava desse e de outros ditados populares. “Vaso ruim não quebra”. “Pau que nasce torto”. De alguma forma, isso havia se transformado numa certeza de que não adiantava tentar mudar. Não adiantava perseguir um sonho. Não adiantava tentar me reinventar. Não adiantava fazer nada. O mundo era grande demais e a inércia das coisas acabaria dando fim das coisas que teriam fim. Mesmo assim era importante não ficar parado. Não dar sopa. Não apressar as coisas ficando parado.
Então foi numa dessas vezes, em que eu achava que minha vida estava dando uma guinada para baixo, a despeito de todos os meus esforços em fazer as coisas certas darem certo, que eu voltei a escutar a voz de ópera no banheiro.
Lá estava ele, o cantor de ópera. Ele cantava uma ária bonita e alegre. Sou um analfabeto de música clássica. Mas aquilo só podia ser as “Bodas de Fígaro”, de Mozart. Eu conheço de ouvir em desenhos animados. Tentei assobiar “Yellow Submarine” novamente, mas acabei me deixando envolver pela interpretação do Fígaro. (continua)
P.S: Agradeço a todos. Vinte mil visitas em menos de dois anos!!! Foram cerca de 40 mil pageviews em 14 meses. E em pleno carnaval! Desse jeito vou ter que arrumar um caminhão-cegonha para as minhas kombis de leitores...
domingo, 22 de fevereiro de 2009
O cantor no banheiro I
Na primeira vez que percebi que havia um sujeito que cantava no banheiro eu havia brigado com minha mulher. Entrei para lavar o rosto. Na verdade, todas as vezes em que entro numa discussão meu rosto fica em brasa. Só consigo me sentir bem depois de mergulhar o rosto por alguns segundos na pia cheia de água. Quando faço isso e sinto o sangue diminuir o latejar nos meus ouvidos é que começo a me sentir melhor. Aí levanto a cabeça e retomo a respiração normal, devagar, até que o meu rosto fique com a cor de sempre.
Acho que eu sou meio cinza-pálido. E eu demoro a voltar a ficar dessa cor. Algumas vezes a sensação de latejar nos ouvidos demora pouco mais de alguns minutos para desaparecer. Em outras, o latejar é tão forte que mergulhar o rosto é quase um afogamento. Tenho que ficar muito tempo mergulhado.
O banheiro do prédio onde eu moro tem um vão no banheiro. É um duto de ventilação, bloqueado com uma espécie de persiana de alumínio. Por esse duto, é possível escutar sons de todos os apartamentos, embora seja difícil dizer de qual apartamento venha cada som. Pois como eu dizia, foi nessa vez, depois de uma discussão forte, que eu percebi a canção vindo da persiana de alumínio.
Em algum lugar do prédio, um homem cantava uma canção numa língua que eu não conheço direito. O duto contribuía para distorcer a voz e embolar as palavras. Era alguma coisa tola sendo dita de uma maneira agressiva. Parecia alemão. Talvez italiano, porque era sem sombra de dúvida, um trecho de ópera.
Sempre achei cantar no banheiro uma coisa natural. Desde pequeno me acostumei a cantar debaixo dágua. Ou dentro dágua, se tenho a sorte de estar numa banheira. Canto rock, solfejo. Mas na maior parte das vezes, canto Beatles. Acho que Beatles combina muito com um chuveiro. Mas ópera? Quem diabos iria cantar ópera no banheiro?
Eu ainda estava um pouco irritado com a discussão e acho que foi isso que desencadeou tudo. Comecei a assoviar alto dentro do banheiro. Só quando estava na metade da música é que percebi o quanto é difícil assoviar Yellow Submarine. Seja como for, a voz de ópera sumiu. Aguardei mais alguns minutos, até porque a minha cor ainda não tinha voltado ao seu normal. Depois saí do banheiro, tal qual um vencedor. (continua)
Acho que eu sou meio cinza-pálido. E eu demoro a voltar a ficar dessa cor. Algumas vezes a sensação de latejar nos ouvidos demora pouco mais de alguns minutos para desaparecer. Em outras, o latejar é tão forte que mergulhar o rosto é quase um afogamento. Tenho que ficar muito tempo mergulhado.
O banheiro do prédio onde eu moro tem um vão no banheiro. É um duto de ventilação, bloqueado com uma espécie de persiana de alumínio. Por esse duto, é possível escutar sons de todos os apartamentos, embora seja difícil dizer de qual apartamento venha cada som. Pois como eu dizia, foi nessa vez, depois de uma discussão forte, que eu percebi a canção vindo da persiana de alumínio.
Em algum lugar do prédio, um homem cantava uma canção numa língua que eu não conheço direito. O duto contribuía para distorcer a voz e embolar as palavras. Era alguma coisa tola sendo dita de uma maneira agressiva. Parecia alemão. Talvez italiano, porque era sem sombra de dúvida, um trecho de ópera.
Sempre achei cantar no banheiro uma coisa natural. Desde pequeno me acostumei a cantar debaixo dágua. Ou dentro dágua, se tenho a sorte de estar numa banheira. Canto rock, solfejo. Mas na maior parte das vezes, canto Beatles. Acho que Beatles combina muito com um chuveiro. Mas ópera? Quem diabos iria cantar ópera no banheiro?
Eu ainda estava um pouco irritado com a discussão e acho que foi isso que desencadeou tudo. Comecei a assoviar alto dentro do banheiro. Só quando estava na metade da música é que percebi o quanto é difícil assoviar Yellow Submarine. Seja como for, a voz de ópera sumiu. Aguardei mais alguns minutos, até porque a minha cor ainda não tinha voltado ao seu normal. Depois saí do banheiro, tal qual um vencedor. (continua)
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