terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A todos os que aqui aportaram





Eu queria dizer uma coisa importante antes de fechar o ano.

Muito obrigado.

Tem sido muito fácil manter o blog sempre atualizado por causa de vocês, leitores da minha fiel Kombi de leitores. E pensar que comecei tudo isto com um Uno Mille.

Todos vocês deveriam realmente arrumar alguma coisa mais importante para fazer, mas já que estão por aqui poderiam ajudar com a louça? É sério. Recebemos um convidado grego aqui em casa e não sobrou muita coisa...

Não. É brincadeira. O piso da sala continua debaixo do tapete e estamos sem condições de recepcionar seres humanos, mesmo os de alto grau de parentesco. Além disso, estou economizando. É sério. Em 2009 já estabeleci uma meta de economia. Tudo pela metade.

A Patroa disse que eu já deixo tudo pela metade e que ao invés de prometer e não cumprir, eu deveria era me lembrar das minhas promessas. Prometo tentar me lembrar disso. Por enquanto, deixo o texto por aqui, conforme o prometido.

As sete curvas

Tive que viajar rapidamente com os meus pais e irmãs. Fiz o antigo papel de motorista do carro da família. E foi estranho perceber que, adultos, nós cinco ainda cabíamos num único carro. É bem verdade que meu irmão não estava. E ele ocupa um bom de espaço.

Fiquei reparando nas mudanças da estrada. A pista está duplicada no trajeto Brasília-Goiânia. As famosas Sete Curvas não existem mais. Agora são apenas seis. E são curvas suaves.

Era um dos pontos mais perigosos da viagem, especialmente se você estivesse dirigindo à noite. Sete curvas fechadas corcoveando um morro e desembocando numa cabeceira de ponte. Dezenas de pessoas morriam ali, todos os anos, em acidentes provocados pela imprudência de uns e pela engenharia perversa de outros. Agora os acidentes no local são raros.

A paisagem mudou radicalmente. Quase não existem mais trechos sem plantações. O campo perdeu o ar de abandono. As coisas parecem mais bem cuidadas. O interior do país parece melhor. Mas as pessoas me pareceram mais tristes, menos espontâneas.

Outro dia, conversando num boteco, um amigo comentou que nós queremos ser um país desenvolvido, com empregada em casa. Nós queremos eliminar desigualdades, desde que elas não interfiram com a nossa comodidade. Queremos ter juízo e manter a inocência.

Eu disse a ele que talvez fosse isso mesmo. Não tenho muita certeza de nada, hoje em dia. Na verdade, cuido da minha vida e dos meus da melhor maneira que posso. Sobre o resto, não tenho muito o que dizer.

Um outro amigo disse, em seguida, que não se importava de perder uma curva, se isso poupasse vidas.

Nesse instante, eu decidi que era hora de voltar para casa.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Lego na manhã de sábado



A manhã de sábado foi dedicada à montagem de uma nave espacial de Guerra nas Estrelas, que custou a nós três, eu e as crianças, quase três horas de dedicação exclusiva. Foram horas bem despendidas. Eu e meus filhos desenvolvemos uma metodologia de montagem de Lego baseada em boas práticas internacionalmente reconhecidas: nós seguimos o manual à risca.

A metodologia demorou a ser assimilada, devo deixar claro. Sou meio avesso a ler manuais. E os meus filhos ainda não sabem ler. Por isso, os primeiros Legos foram montados com base no instinto. Devido ao número reduzidíssimo de peças, isso não produzia efeitos muito desastrosos. Exceto por uma vez, quando uma motoca ficou muito parecida com uma miniatura de máquina de lavar roupa. Para resolver esse problema foi que abri o manual e percebi que não era preciso saber ler para entender a coisa. O manual da Lego é super bem-feito, só com ilustrações.

À medida que as caixas foram aumentando, os manuais se tornaram indispensáveis. Hoje em dia, nós não bancamos mais os espertinhos. Nós sentamos em volta da mesa, separamos as peças por cores e começamos a montar. As crianças disputam o manual por alguns minutos, mas nada que uma boa divisão de tarefas não resolva.

_Filho, você vai olhar o manual e dizer quais são as peças da vez. Filha, você encontra as peças na mesa. Eu monto. Combinado? – eu digo, todo esperto.
_Não, eu é que vou montar. O Lego é meu – reclama o meu filho.
_Ok, eu leio o manual, a Princesa pega as peças e você monta – eu digo, pacificador.
_Não, eu é que vou montar – reclama a minha filha.
_Meninas não sabem montar Lego – emenda o menino.
_Peraí, peraí. Meninas sabem fazer tudo o que os meninos sabem fazer – eu digo, tentando eliminar o preconceito de gênero na raiz.
_Não, pai, meninas não sabem montar Lego.
_Claro que sabem, filho.
_É, sabem sim – diz a minha filha.
_Não sabem. Meninas são “ruins” de Lego. É ruim, hem?
_Meninos é que são.
_Meninas.
_Me-ni-nos – diz a Princesa, geniosa.
_Muito bem, para acabar a briga e começar logo, vamos dividir as tarefas. Eu leio o manual, eu pego as peças e eu monto.
_Mas pai, assim você faz tudo!! – eles protestam.
_Tá bom, tá bom. Você, filho, lê o manual. E você, filha, pega as peças. Combinado?
_E quem vai montar? – pergunta o meu filho, ressabiado.
_Cada hora é um. A gente vai revezar, cada um faz uma página.
_Primeiro, eu! – grita a menina.
_Não, eu começo! – berra o filhote.
_Peraí, peraí...

A nave ficou super bonita. Embora eu não me lembre de ver nada parecido em nenhum filme da série. Por outro lado, todo mundo sabe que George Lucas é um gênio, e se a nave ainda não apareceu, um dia ainda irá aparecer em um novo filme da série.

Mas agora estou pensando. Deveriam ampliar os manuais dos Legos. Eles deveriam vir com instruções para os pais.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Quadrado, bola, triângulo

Meu filho adora jogar video-game. Como somos uma família super-ajustada e reguladora, nós limitamos o número de horas que ele pode jogar. São duas horas por dia, no máximo. De preferência, uma hora por período. Como ele está de férias e a Patroa também, fica fácil controlar. De vez em quando eu chego em casa depois do trabalho e lá está ele à minha espera.

_Pai, economizei as minhas duas horas para jogar Play com você. Vamos? – e me olha com a cara de pidão mais bem elaborada que eu já vi. Sabe aquela cena de Shreck dois, quando o Gato de Botas faz aquela cara de “por favor” ? Pois é melhor. Mal comparando, ele faz a mesma cara de bichos de estimação nas gaiolas de lojas de animais. É um pedido de adoção, aquela cara. Então eu também não resisto. Jogo o paletó em cima da cadeira e corro para o quarto, onde jogamos duas horas de video-game marcadas no relógio da Patroa. Mesmo se quiséssemos não poderíamos jogar mais. A Patroa é implacável.

Foi com o meu filho que aprendi a importância da seqüência de comandos no controle do video-game. Em diversos jogos, a seqüência tem um significado especial, que torna o herói ou heroína do game capaz de realizar golpes e movimentos espetaculares. Depois que aprendi essa verdade essencial dos controles de games, minha vida sofreu um salto qualitativo. Eu sei que posso passar para fases mais adiantadas e espetaculares. Eu sinto que posso saltar, atirar, rolar e fazer mais em menos tempo, gastando menos vida. Mas será que é possível economizar vida? E o que é que vou fazer com essa vida extra no fim do jogo?

Deixa pra lá. Filosofia e videogame não combinam direito. Quando se juntam, o estômago embrulha. Talvez seja uma questão de configuração. E nos games, a configuração faz toda a diferença.

No controle do videogame do meu filho, existem os seguintes símbolos: quadrado, bola, xis e triângulo. Em geral, o Xis é o controle dos golpes ou dos saltos. O quadrado é um movimento especial, abaixar ou curvar. Bola, em geral, significa acelerar para frente. Mas nada disso é regra. Às vezes a configuração é totalmente diferente, pois você sempre pode personalizar os comandos de acordo com a sua própria vontade. É por isso que as seqüências são tão importantes. A ordem dos fatores, nesse caso, faz toda a diferença.

Num dos jogos favoritos do meu filho, um dos mais extraordinários é o comando “bola-quadrado”. Parece simples, mas apertar o polegar direito no botão da esquerda e depois no botão da direita, rapidamente, nem sempre é uma tarefa fácil. Esse comando produz efeitos espetaculares nos games. Os heróis aplicam golpes secretos, descobrem segredos, desfrutam de vantagens incomensuráveis quando você, com esse breve comando, altera o destino do seu personagem.

Desde que aprendi essas coisas básicas, eu me sinto capaz de realizar grandes feitos fora dos games. Só preciso me lembrar da seqüência correta. Ultimamente, tenho insistido muito com o quadrado, triângulo, quadrado e quadrado. Graças a esse comando, sou capaz de correr de um lado para outro, sem parecer ofegante e sem chegar atrasado. Tem me mantido vivo, o que já é grande coisa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal



Mais de dez mil monges rezaram juntos.
Milhares de muçulmanos também.
E toda a turma de católicos foi para a Igreja.
Uns caras meio carrancudos ficaram parados, quietinhos.
Eu, que não sou melhor do que ninguém, fiz como os outros.
Feliz Natal. Amém.

Frase do dia