terça-feira, 30 de setembro de 2008

Está difícil, esse calor

A língua, unida, jamais será vencida
Caramba, essa cidade está sob um calor infernal. E as madrugadas estão super-frias. Aprendi hoje que uma das poucas regras que a nova língua portuguesa unificada é a do hífen. Super-qualquer coisa deverá ser escrito com hífen. Hiper-mercado também. Dizem que as novas regras de português unido, jamais será vencido, cabem numa colinha de mão, fácil, fácil. Vai ser mole decorar. Super-mole.

Enchente de assunto
Estou passando por um terrível período de enchentes de temas. Quero falar sobre tanta coisa, que acabo iniciando um monte de coisas e deixando tudo pela metade. Aí depois fico com preguiça de retomar. Comecei nessa semana, por exemplo, um Moleskine com o tema "Monstros". Está ficando horrível.

domingo, 28 de setembro de 2008

A largada foi Massa

O Massa começou a estilingar e o Box da Ferrari cortou o meu barato. Acho que é a terceira vez que fazem o cara tropeçar, só nessa temporada. Isso estimula a minha paranóia. Acho que é sacanagem. Besteira, né? Mas afeta. E aí o resto do domingo ficou mais xoxo.

sábado, 27 de setembro de 2008

Sobre debates



Tudo que sei sobre debates pode ser resumido em uma única palavra: nada. Eu sou sentimental quanto a debates. Não uso a cabeça. Sou torcedor. É raro ver um debate onde eu já não tenha um lado definido, alguém para torcer. Mas, se isso acontece, se já não tenho um lado definido, acabo torcendo para quem está levando mais pancadas. E, no final, acabo por achar que os caras que estavam batendo estavam absolutamente certos.

Pode parecer contraditório, é verdade, mas é assim que funciona comigo. Durante o debate torço para o galinho branco, que é um galo bom, nunca fez mal a ninguém. Fico contra o galo preto, que é um galo perverso, batedor e sempre ganha por nocaute. Mas depois do debate, é preciso reconhecer que o galo preto é o melhor debatedor. Na clássica comparação com o futebol, debates são como finais da Libertadores da América. A gente torce para o time brasileiro, que acaba fazendo um papelão e depois somos obrigados a reconhecer que o Boca Juniors mereceu a vitória. Ou numa comparação metida a Wittgenstein, é como aquela figura do pato que vira coelho e do coelho que vira pato. No final, não é nada disso. É só um rabisco onde projetamos nossas próprias impressões.

Acho que sempre tive uma expectativa exagerada em relação a debates em rede nacional. Quando eu assisto, eu secretamente acredito que alguma coisa muito especial acontecerá. Nunca acontece. Nunca ouvi falar de debates onde candidatos, depois de duas horas de conversas, apertem as mãos e um deles resolva desistir da campanha porque o outro é bem melhor.

_Olha, bicho, você é dez, deu um show de bola, vou colaborar com a sua campanha – diria o vencido.

Ou então:

_Atendendo a pedidos do auditório, vou declarar meu voto ao meu adversário. E também vou mudar para o partido dele. Cara, você é bom demais – diria o derrotado.

Ou ainda:

_Caramba, xará, você sabe do que está falando e não vai desperdiçar dinheiro público. Eu só queria gastar dinheiro que não é meu e pendurar uns amigos em cabides – diria outro derrotado.

E pra encerrar:

_Amigo, vou falar para todo mundo lá de casa votar em você. Pessoal, esse cara aqui é demais, é político com p maiúsculo, dá até vergonha de chegar perto. Votem nele, sim.

É lógico que nada disso acontece. Mas eu fico na expectativa.

Eu gostaria que os debatedores não fossem meros captadores das opiniões que estão por aí, flutuando no ar. Por outro lado, se eles não conseguem captar nada, então o debate é uma droga. Sem ver o debate entre McCain e Obama, sei que o Obama venceu. Ele vencerá todos os debates, se não vacilar. Mas apenas um vacilo lhe custará tudo. Um erro e ele porá tudo a perder. Pois McCain irá explorar esse erro até torrar a paciência. Mas é por causa dessa possibilidade que ainda acho que a eleição nos EUA ainda não está garantida.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O que é bom, muda

Nem sempre para melhor, mas é verdade. O hotmail mudou. E ficou esquisito. Diferente. E agora nem dá para manter a versão clássica. Mas não foi por isso que eu não postei, ontem. Aqui estava uma chuva de relâmpagos e trovões. E como eu vou precisar usar o computador nesse final de semana, nem quis arriscar a postar. Da última vez que fiz isso, perdi a fonte e quase morri de medo de ter perdido o PC.


Histórias para o pai dormir
Estive lendo um monte de historinhas para a minha filha dormir. E acabei ficando com o maior sono.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A volta do Monstro do Cabide



Quando chego em casa, os dois disputam a minha atenção com todas as forças. O menino vem mostrar as novidades, um corte no dedão, um esfolado na perna. É incrível a quantidade de hematomas e feridas que ele consegue produzir em si mesmo, em apenas doze horas. A menina corre para se esconder e brincar. Ela não coleciona machucados com tanto afinco, mas também não é uma santinha.

Hoje, logo que a Patroa chegou, a menina se machucou ao tentar reprisar, com ela, a brincadeira de se esconder de quem chega. Às vezes os dois querem se esconder e fogem em disparada, ao mesmo tempo, e acabam se chocando. É uma trapalhada comum, como se fosse uma brincadeira de barata voa. Eles repetem, repetem, repetem. Às vezes, essa rotina é cansativa. Mas na maior parte das vezes, se eu não encaro como rotina, as noites passam voando.

E quando a Patroa chega, é quase impossível conversar qualquer coisa. Os dois me abandonam depressa, só querem saber da mãe. Se eu estou cansado, eu me deixo ficar abandonado, no sofá. Já faz muito tempo que desisti de ver o noticiário da TV. Prefiro ler os jornais, na Internet. Se fico sabendo de alguma notícia importante ou interessante, vou buscar o canal de notícias. Mas, em geral, se fico na frente da TV é para acompanhar as crianças, colocar um vídeo, ver um desenho ou série legal, junto com eles. O absurdamente incrível é que não me sinto infantilizado.

Mais cedo, eu estava junto com a princesa e a Patroa no sofá, vendo um filme do Teletubbies. É terrível, eu sei, mas é inevitável. Os vídeos dos teletubbies são os filmes mais baratos que os criadores de vídeos já fizeram. A certa altura, um daqueles monstrinhos fala “De novo, de novo”, e eles repetem exatamente a mesma coisa que acabaram de mostrar. Desse modo, se um filme tem meia hora de duração, na verdade ele tem apenas dez minutos de cenas originais, com vinte minutos de repetição. Um horror, mas é a melhor coisa que inventaram para dar sono no ser humano. Com apenas dois minutos de filme, a princesinha já cochilava. Mais dois minutos e ela estava completamente apagada.

Eu fiquei admirando a minha menina, que agora tem quatro anos. Ela está bem comprida e tem muita pressa para falar. Às vezes engole as palavras. E hesita em escolher o tom de voz mais adequado para conversar. Eu e a Patroa combinamos de estimular uma fala de menina, para conter a voz de bonequinha mimada e engraçadinha. Ela gosta de fazer charme e está abusando da voz de dengosa. A Patroa diz que eu sou mais condescendente com ela do que jamais fui com o filho mais velho. Talvez seja verdade. Mas não me preocupo muito com isso. Também sei suavizar um bocado com o menino. Os dois têm uma grande capacidade de captar tendências maternas e paternas. Eles gostam de testar os limites o tempo todo. Encontrar um meio termo é bem difícil, às vezes. É bem mais cômodo ficar somente no papel de durão e sabe-tudo.

Mas comodismo também cansa. Por isso, depois de várias semanas sem aparecer, hoje eu trouxe de volta o Monstro do Cabide. Eu coloco um cabide nas costas, debaixo da camiseta, apago a luz e vou andando feito uma múmia manca pelo apartamento:

_Eu soou o moooonnnstro do cabiide. Do cabiiiiiideee!

E eles adoram fingir que ficam com medo. E depois correm feito zebras. Até que realmente ficam com medo, especialmente a menina, e então eu paro. Acendo a luz, tiro o cabide das costas, pisco os olhos com força e faço como o Doutor Banner, depois de deixar de ser o incrível Hulk:

_Nossa, onde estou? O que aconteceu? De quem será esse cabide? E o que ele está fazendo na minha mão? Será que esse cabide serve nas minhas costas, dentro da camisa? Será? Deixa eu ver. Oh, não! Estou me transformando! Será que vou virar monstro novamente? Socorro! Help!

E os dois desaparecem rapidamente enquanto apago a luz e digo, com voz bem cavernosa:

_Eu soou o moooonnnstro do cabiide. Do cabiiiiiideee!

Eu sou pior que os Teletubbies. Eu repito sem que eles digam “de novo, de novo”. E as noites passam voando, voando.

Frase do dia