Um dos primeiros discos que eu comprei foi Some Girls, dos Rolling Stones. Fui de ônibus até a Discodil do Conjunto Nacional, o maior shopping de Brasília no final dos anos setenta. A Discodil era a melhor discoteca do centro da cidade. Lembro que fiquei com medo de que o dinheiro economizado da mesada não desse conta do recado, então fiz o máximo que pude para garantir os possíveis centavos faltantes. Comecei pela passagem de ônibus. Havia uma regra nos ônibus da cidade. A criança que passasse debaixo da roleta não precisava pagar a passagem. Pouco tempo depois esse costume seria abolido e as roletas dos ônibus passariam a ser chamadas de borboletas, por conta da enorme asa que passaria a ser incorporada a cada barra. Sim, sou mais velho do que a asa de borboleta das roletas dos ônibus. Mas naqueles dias eu ainda tinha uns 13 anos e o tamanho de uma criança de onze anos.
Eu achava que os meus óculos ajudavam a diminuir a minha idade, mas o trocador do ônibus achava o contrário. Depois que eu me arrastei por debaixo da roleta ele me disse que eu deveria pagar a passagem porque tinha cara de mais de dez anos. Era verdade e portanto, eu paguei. Reparei também que ele não colocou o dinheiro em caixa e nem girou a roleta. Simplesmente embolsou a grana na maior cara dura.
_O que foi? - ele me disse.
Eu não disse nada, é lógico. E tratei de ir para um dos primeiros bancos do ônibus. Para meu azar, era um Grande Circular, que fazia as asas sul e norte do Plano Piloto. Ou seja, se tivesse pegado um Asa Sul, eu desceria no mesmo ponto de ônibus e pagaria metade da passagem. Ao invés de poupar, eu havia possivelmente comprometido a minha compra de disco. No caminho eu pensava em maneiras de negociar o preço do disco, embora isso fosse realmente impossível. Na minha percepção, os vendedores de discos eram criaturas gananciosas e absurdamente emproadas, que se mostravam irritadiços e absolutamente impacientes com meninos e meninas, especialmente com os meninos como eu, que não pareciam ser grandes o suficiente para carregar dinheiro.
Quando desci na plataforma superior da rodoviária do Plano Piloto, de frente para a Esplanada dos Ministérios, eu passei rapidamente pelos vendedores ambulantes e mendigos que ajudavam a entupir as calçadas. Quando entrei na Discodil eu já sabia exatamente qual era o disco que eu queria, mas fiz questão de levar um monte de discos para uma das 4 cabines individuais, com fone e toca-discos, que a loja colocava à disposição dos fregueses. Eu adorava aquela discoteca. E naquele dia do ano da graça de 1978, eu já havia passado por lá várias vezes para olhar os discos quentes que chegavam. E eram muitos. Eu ouvi a trilha de Saturday Night Fever e de Grease. Ouvi Who are You - The Who, The Album - ABBA, News of the World - Queen, e a versão ao vivo de Last Dance no álbum duplo Live and More, da Donna Summer. Também escutei coisas do balacobaco como Get Off do Fox, You're In My Heart - Rod Stuart, Wonderful Tonight - Eric Clapton, It's a Heartache - Bonnie Tyler , Sweet Talkin' Woman - Eletric Light Orchestra e More than a Feeling - Boston, Psycho Killer - Talking Heads e Follow You, Follow Me do Gênesis. É lógico que eu não tinha dinheiro para tudo. Dava para um disco e, contando as moedas e voltando para casa a pé, conseguiria comprar uma fita cassete original da gravadora.
Eu vivia um embate profundo na época. Discoteca ou Rock? O disco Some Girls seria a minha solução temporária para a dúvida. Os roqueiros torciam o nariz para Miss You, mas gostavam do resto. Eu gostava de Miss You e também gostava das outras, para mim é um dos melhores discos dos Stones até hoje. Mas os dois grupos começavam a se mostrar incompatíveis. Em breve, com uma rápida olhadela seria possível distinguir com precisão quem andava com os rockeiros e quem era da turma da discoteca. Os adolescentes que se achavam feios, escrotos, fedidos, burros, incapazes de arrumar uma garota, deslocados e desajustados rapidamente se alinharam com a rebeldia sem causa do rock. E em alguns meses, lá estava eu, junto com todos eles.
quinta-feira, 13 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Um pires
Eu gostaria de ser diferente. Sempre vejo um monte de gente falando que faria tudo igual, que não se arrepende e coisa e tal, e que não importa, que faria tudo exatamente como fizera antes. Eu não. Eu vacilei um bocado. Em algumas ocasiões, fui arrogante. Em outras, fui humilde. Se pudesse voltar talvez tivesse invertido as coisas. Seria humilde na arrogância e arrogante nos períodos em acho que dei mancada sendo humilde. Ou talvez substituísse tudo só pela arrogância permanente. Tenho quase certeza de que descartaria a opção da humildade. Tive menos problemas sendo arrogante.
A verdade é que a humildade traz muitos problemas. E dor nas costas. Não é fácil ser humilde. Não tem o menor glamour, é chinfrim pacas. E mesmo assim fui ensinado a acreditar que o humilde, só por ser humilde, será de alguma maneira recompensado no final. O grande problema é que ninguém nunca poderá saber quando será o final. E se for amanhã? Ou daqui a 10 minutos?
Fiquei prestando atenção nos últimos cinco minutos e posso garantir que se o fim estivesse realmente acontecendo, eu não me sentiria muito recompensado. Por outro lado, é verdade também que não tenho sido muito humilde, o que justifica a pouca recompensa, não é mesmo?
Babacas arrogantes, em geral, são mais felizes. Repara. Numa boa. Você não vê babaca em crise. Se vir, seria uma babaquice sua, não é mesmo? É impossível dizer “olha lá, o babaca está em crise”, se você não for um babaca! Não, crise e babacas não andam juntos. Até porque se sentir o máximo é o que faz do babaca, um tremendo babaca. E um babaca quando reconhece um outro, não perde tempo com babaquice.
Por outro lado, todo arrogante é um babaca. Mas por incrível que pareça, nem todo babaca é arrogante. Existe uma infinidade de subtipos de babacas. Mas o último e mais surpreendente de todos é o babaca humilde. Existem babacas tão humildes, humílimos mesmo, que chegam a despertar na gente um pouco de piedade. Eu mesmo conheço um monte de caras que chegam a dar pena, de tão babacas. Você não? Ah, coitado.
Tudo isso é pra dizer que uma das coisas em que gostaria de ser diferente é quanto à minha superficialidade. Eu gostaria de ser mais profundo e intenso. Mas depois de tanto tempo eu já percebi que sou superficial e frívolo. Dou um valor exagerado às aparências e chamo isso de senso estético acentuado.
Aqui estou eu. Profundo como um pires.
A verdade é que a humildade traz muitos problemas. E dor nas costas. Não é fácil ser humilde. Não tem o menor glamour, é chinfrim pacas. E mesmo assim fui ensinado a acreditar que o humilde, só por ser humilde, será de alguma maneira recompensado no final. O grande problema é que ninguém nunca poderá saber quando será o final. E se for amanhã? Ou daqui a 10 minutos?
Fiquei prestando atenção nos últimos cinco minutos e posso garantir que se o fim estivesse realmente acontecendo, eu não me sentiria muito recompensado. Por outro lado, é verdade também que não tenho sido muito humilde, o que justifica a pouca recompensa, não é mesmo?
Babacas arrogantes, em geral, são mais felizes. Repara. Numa boa. Você não vê babaca em crise. Se vir, seria uma babaquice sua, não é mesmo? É impossível dizer “olha lá, o babaca está em crise”, se você não for um babaca! Não, crise e babacas não andam juntos. Até porque se sentir o máximo é o que faz do babaca, um tremendo babaca. E um babaca quando reconhece um outro, não perde tempo com babaquice.
Por outro lado, todo arrogante é um babaca. Mas por incrível que pareça, nem todo babaca é arrogante. Existe uma infinidade de subtipos de babacas. Mas o último e mais surpreendente de todos é o babaca humilde. Existem babacas tão humildes, humílimos mesmo, que chegam a despertar na gente um pouco de piedade. Eu mesmo conheço um monte de caras que chegam a dar pena, de tão babacas. Você não? Ah, coitado.
Tudo isso é pra dizer que uma das coisas em que gostaria de ser diferente é quanto à minha superficialidade. Eu gostaria de ser mais profundo e intenso. Mas depois de tanto tempo eu já percebi que sou superficial e frívolo. Dou um valor exagerado às aparências e chamo isso de senso estético acentuado.
Aqui estou eu. Profundo como um pires.
terça-feira, 11 de março de 2014
Ameixas
É agora que as ameixas estão mais gostosas. É na segunda semana de março que as ameixas chegam do jeito que eu mais gosto, doces mas com um traço ácido bem no final da mordida. Também é agora que não estão nem macias e suculentas demais e nem esponjosas e insípidas. Estão perfeitas, cada naco tem a consistência e o sabor que despertam boas sensações e lembranças.
Sempre comi ameixas. Quando criança, havia de dois tipos. Aquela amarela, de pele bem fina e aveludada, com umas sementes marrons gomadas por dentro. No quintal da casa da minha avó materna cansei de subir nos pés de ameixas e passar horas no meio da árvore, comendo até me cansar. Ou até ser atingido por uma mamona ou manga verde atirada por um primo ciumento de ameixa. Eu era miúdo e leve, ninguém mais conseguia subir nas árvores sem quebrar galhos e estragar as fruteiras que minha avó tanto gostava. Quando me cansava, descia com um cacho ou dois, não mais, para repetir tudo no dia seguinte, exaurindo árvore por árvore. A outra ameixa era a preta, tirada da lata, seca ou em calda, presente nos pudins, no olho-de-sogra, na farofa com passas, no recheio caprichado de alguns peixes, nos bolos e no frango assado de domingos bem especiais.
Agora os supermercados oferecem aquela mesma ameixa só que fresca, in natura, importadas ou nacionais. Prefiro as que se parecem com uma bola pequena. Algumas vezes estão grandes demais, ficam parecendo aquelas bolas de maçaneta. Dessas eu não compro, quase sempre estão com a casca dura e enegrecida, se estragam rapidamente por dentro, embora ainda conservem uma relativa boa aparência externa. As minhas preferidas estão com a casca vermelho escuro, quase amarronzada, mas com trechos de um vermelho vivo brilhante. Examino cada uma com cuidado antes da compra. Não podem estar amassadas, pois não duram mais que dois dias se estiverem machucadas.
Gosto de deixar as ameixas na bandeja de frutas, junto com as maçãs vermelhas, peras e bananas. Todas as vezes digo para mim mesmo que vou tirar uma foto para depois desenhar uma natureza morta, mas sempre esqueço de pegar a máquina. Quando dou por mim, lá estou eu com duas ameixas frescas e bem lavadas, olhando para o quintal. O gramado está bem aparado, a primavera da pérgula está repleta de flores e até o paredão de hera está bem cuidado. Está na hora de começar um novo projeto.
P.S.: Ultimamente a internet tem caído todas as noites, perto da hora em que termino o texto (que escrevo on-line) para postagem. As quedas me obrigam a retomar o hábito de escrever o texto em planilha para depois fazer o copy/paste. O grande problema é que não consigo simplesmente copiar e colar, fico remexendo o texto e isso muitas vezes torna tudo ininteligível.
Sempre comi ameixas. Quando criança, havia de dois tipos. Aquela amarela, de pele bem fina e aveludada, com umas sementes marrons gomadas por dentro. No quintal da casa da minha avó materna cansei de subir nos pés de ameixas e passar horas no meio da árvore, comendo até me cansar. Ou até ser atingido por uma mamona ou manga verde atirada por um primo ciumento de ameixa. Eu era miúdo e leve, ninguém mais conseguia subir nas árvores sem quebrar galhos e estragar as fruteiras que minha avó tanto gostava. Quando me cansava, descia com um cacho ou dois, não mais, para repetir tudo no dia seguinte, exaurindo árvore por árvore. A outra ameixa era a preta, tirada da lata, seca ou em calda, presente nos pudins, no olho-de-sogra, na farofa com passas, no recheio caprichado de alguns peixes, nos bolos e no frango assado de domingos bem especiais.
Agora os supermercados oferecem aquela mesma ameixa só que fresca, in natura, importadas ou nacionais. Prefiro as que se parecem com uma bola pequena. Algumas vezes estão grandes demais, ficam parecendo aquelas bolas de maçaneta. Dessas eu não compro, quase sempre estão com a casca dura e enegrecida, se estragam rapidamente por dentro, embora ainda conservem uma relativa boa aparência externa. As minhas preferidas estão com a casca vermelho escuro, quase amarronzada, mas com trechos de um vermelho vivo brilhante. Examino cada uma com cuidado antes da compra. Não podem estar amassadas, pois não duram mais que dois dias se estiverem machucadas.
Gosto de deixar as ameixas na bandeja de frutas, junto com as maçãs vermelhas, peras e bananas. Todas as vezes digo para mim mesmo que vou tirar uma foto para depois desenhar uma natureza morta, mas sempre esqueço de pegar a máquina. Quando dou por mim, lá estou eu com duas ameixas frescas e bem lavadas, olhando para o quintal. O gramado está bem aparado, a primavera da pérgula está repleta de flores e até o paredão de hera está bem cuidado. Está na hora de começar um novo projeto.
P.S.: Ultimamente a internet tem caído todas as noites, perto da hora em que termino o texto (que escrevo on-line) para postagem. As quedas me obrigam a retomar o hábito de escrever o texto em planilha para depois fazer o copy/paste. O grande problema é que não consigo simplesmente copiar e colar, fico remexendo o texto e isso muitas vezes torna tudo ininteligível.
sábado, 8 de março de 2014
A Arma Zeta 08 de março - FIM
Estou observando a margem do lago desta cidade. Vejo tudo de uma residência particular, confortavelmente instalado numa cadeira de fibra trançada. É uma propriedade grande, mas sem luxos. À frente, um gramado bem cuidado e um píer pequeno, com postes de luz e tartarugas de sinalização. É um belo local a qualquer hora do dia, mas é singularmente belo à noite.
Vindo do lado direito, surge um pescador com um molinete. Houve uma época em que era muito comum aparecer alguém com caniços e tarrafas. Agora só aparecem sujeitos com molinetes reluzentes, máquinas high-tech que não conseguem operar corretamente. Os caras lançam iscas a dois metros com um equipamento projetado para lançamentos de 20 a 25 metros. Se ele soltasse a linha e atirasse o anzol iscado com a mão obteria uma distância muito maior. O pescador está adernando para a direita, tropeça, pragueja gesticulando e cai sentado sobre o fio d´água, o que me leva a concluir que está chapado.
Ainda adernando, o pescador encontra um grande pedaço de isopor. Desta distância não consigo descobrir que tipo de isopor é aquele, mas parece ser grande o bastante para alguém subir em cima. É o que o pescador pretende fazer. Ele espetou o molinete numa extremidade e procura um jeito de se acomodar sentado sobre o isopor. Começa a ficar engraçado. É impossível ficar sobre o bloco sem que a coisa vire. O pescador já levou dois tombos mas ainda insiste. A vara de pesca continua espetada, por milagre.
O sujeito não vai desistir agora. Ele decidiu se abraçar ao isopor, como se fosse uma prancha de surf. Começa a se movimentar para uma área mais profunda do lago e perde o pé, já não tem apoio. A situação instável fica perigosa, ele está uns 50 metros da margem. A vara se inclina e é puxada repentinamente. O pescador afunda sob o isopor. Quando emerge, a vara se foi. O sujeito se agarra desesperado ao isopor e começa a bater os pés. Ele vai conseguir. Vai sobreviver. Ou não.
Caleb mira cuidadosamente e dispara a arma Zeta. Tudo o que consigo perceber é um pequeno círculo de ondas que se dispersa rapidamente. O pescador continua a bater os pés.
No acordo que fizemos, famílias à parte, cada um usa a arma Zeta como quiser, sem a interferência do outro. Caleb também concordou em responder todas as minhas perguntas, desde que eu só fizesse uma única pergunta por dia. Ele só conseguiu acertar o pescador depois de nove disparos. Não parece preocupado. Tem todo o tempo do mundo para melhorar a mira. E eu tenho um monte de perguntas para serem respondidas.
FIM
Vindo do lado direito, surge um pescador com um molinete. Houve uma época em que era muito comum aparecer alguém com caniços e tarrafas. Agora só aparecem sujeitos com molinetes reluzentes, máquinas high-tech que não conseguem operar corretamente. Os caras lançam iscas a dois metros com um equipamento projetado para lançamentos de 20 a 25 metros. Se ele soltasse a linha e atirasse o anzol iscado com a mão obteria uma distância muito maior. O pescador está adernando para a direita, tropeça, pragueja gesticulando e cai sentado sobre o fio d´água, o que me leva a concluir que está chapado.
Ainda adernando, o pescador encontra um grande pedaço de isopor. Desta distância não consigo descobrir que tipo de isopor é aquele, mas parece ser grande o bastante para alguém subir em cima. É o que o pescador pretende fazer. Ele espetou o molinete numa extremidade e procura um jeito de se acomodar sentado sobre o isopor. Começa a ficar engraçado. É impossível ficar sobre o bloco sem que a coisa vire. O pescador já levou dois tombos mas ainda insiste. A vara de pesca continua espetada, por milagre.
O sujeito não vai desistir agora. Ele decidiu se abraçar ao isopor, como se fosse uma prancha de surf. Começa a se movimentar para uma área mais profunda do lago e perde o pé, já não tem apoio. A situação instável fica perigosa, ele está uns 50 metros da margem. A vara se inclina e é puxada repentinamente. O pescador afunda sob o isopor. Quando emerge, a vara se foi. O sujeito se agarra desesperado ao isopor e começa a bater os pés. Ele vai conseguir. Vai sobreviver. Ou não.
Caleb mira cuidadosamente e dispara a arma Zeta. Tudo o que consigo perceber é um pequeno círculo de ondas que se dispersa rapidamente. O pescador continua a bater os pés.
No acordo que fizemos, famílias à parte, cada um usa a arma Zeta como quiser, sem a interferência do outro. Caleb também concordou em responder todas as minhas perguntas, desde que eu só fizesse uma única pergunta por dia. Ele só conseguiu acertar o pescador depois de nove disparos. Não parece preocupado. Tem todo o tempo do mundo para melhorar a mira. E eu tenho um monte de perguntas para serem respondidas.
FIM
A arma Zeta 07 de março
Não havia harmonia de pensamentos entre eu e Caleb. Não deliberamos em conjunto. Eu desconsidero qualquer aprovação da parte dele e não preciso de sua permissão para fazer o que eu quero. Mesmo assim fizemos um acordo, buscamos um meio termo entre vontades. Existem pessoas que não admitiriam a possibilidade de fazer um acordo sob a ameaça de ser desintegrado. Obviamente, eu não sou uma delas.
Caleb diz que é imortal. Eu não acredito. Mas também não duvido. A única coisa que sei de fato é que não virei um montinho de roupas porque Manoela acionou o campo de força da arma Zeta. Sim, a arma Zeta é capaz de gerar um campo de força.
_Isso é tecnologia alienígena, meu caro, quase tudo pode acontecer – disse Manoela.
_Então a arma Zeta veio de outro planeta? – eu disse.
_Veja bem... – disse ela.
Ficamos um tempão dentro do campo de força, até que Caleb fez uma pausa para ir ao banheiro. Quando ele voltou foi a minha vez de disparar contra o campo de força de Caleb. Achei bem legal disparar com a arma Zeta. É como se você segurasse um ferro de solda sem fagulhas, mas com todo aquele brilho. Manoela sugeriu uma nova pausa e um acordo para que tivéssemos melhor qualidade de vida.
_Estou cansada de raios disso, raios daquilo, campos de força. Vamos fazer outra coisa. Que tal? – disse Manoela.
Caleb pensou um pouco e depois abaixou a arma Zeta. Era diferente da minha. Parecia um daqueles ganchos para pendurar sacolas plásticas de supermercado. Ou então um cabo de guarda-chuva.
_Tudo bem. Vamos fazer uma trégua até o jantar. Estou com fome – disse Caleb.
Mas a trégua acabou se prolongando. Depois de alguns dias, fui convidado para jantar. Só aceitei porque Manoela me garantiu que eles não tinham nada a ver com a morte do meu primo Vini.
_E os coveiros? E as pessoas no cemitério?
_Caleb tem uma mira ruim, sorte sua. Olha, Toni, ele quer propor um acordo, o que passou, passou – disse Manoela.
_Anistia ampla, geral e irrestrita – eu disse.
_É. Só mais uma coisa. Prometeu, tem que cumprir. Ele não suporta traição.
Caleb diz que é imortal. Eu não acredito. Mas também não duvido. A única coisa que sei de fato é que não virei um montinho de roupas porque Manoela acionou o campo de força da arma Zeta. Sim, a arma Zeta é capaz de gerar um campo de força.
_Isso é tecnologia alienígena, meu caro, quase tudo pode acontecer – disse Manoela.
_Então a arma Zeta veio de outro planeta? – eu disse.
_Veja bem... – disse ela.
Ficamos um tempão dentro do campo de força, até que Caleb fez uma pausa para ir ao banheiro. Quando ele voltou foi a minha vez de disparar contra o campo de força de Caleb. Achei bem legal disparar com a arma Zeta. É como se você segurasse um ferro de solda sem fagulhas, mas com todo aquele brilho. Manoela sugeriu uma nova pausa e um acordo para que tivéssemos melhor qualidade de vida.
_Estou cansada de raios disso, raios daquilo, campos de força. Vamos fazer outra coisa. Que tal? – disse Manoela.
Caleb pensou um pouco e depois abaixou a arma Zeta. Era diferente da minha. Parecia um daqueles ganchos para pendurar sacolas plásticas de supermercado. Ou então um cabo de guarda-chuva.
_Tudo bem. Vamos fazer uma trégua até o jantar. Estou com fome – disse Caleb.
Mas a trégua acabou se prolongando. Depois de alguns dias, fui convidado para jantar. Só aceitei porque Manoela me garantiu que eles não tinham nada a ver com a morte do meu primo Vini.
_E os coveiros? E as pessoas no cemitério?
_Caleb tem uma mira ruim, sorte sua. Olha, Toni, ele quer propor um acordo, o que passou, passou – disse Manoela.
_Anistia ampla, geral e irrestrita – eu disse.
_É. Só mais uma coisa. Prometeu, tem que cumprir. Ele não suporta traição.
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