_Montinhos de roupas? Que ridículo – disse Manoela.
_Também acho, mas não sou eu que estou disparando essa coisa. É você. Se dependesse de mim, eu desintegrava tudo – eu disse.
_Eu não estou disparando nada. Isso é tudo coisa da sua cabeça, Toni.
_ Toni? Você vivia me chamando de Sam. Agora é Toni?
_É tão bom quanto Manú. E você sempre me chama de Manú – ela disse.
_Tudo bem, Manú. Se as pessoas não estão desaparecendo, se você não tem nada a ver com a morte do meu primo Vini, pode me explicar o que está fazendo aqui, no cemitério?
_Eu poderia mentir sobre isso, Toni.
_Eu sei, Manu. Você faz isso o tempo todo. Mas você também poderia dizer a verdade.
_Tudo bem. Vou dizer a verdade. Por onde você quer que eu comece?
_Pela arma Zeta.
_Por isso aqui? É só um pedaço de lixo, já te disse muitas vezes. Tome, é inofensivo – disse Manoela, estendendo a arma Zeta para mim. Eu a agarrei imediatamente.
_ Esta é a arma de todas as armas, você mesmo me disse. E também já me contou uma história louca, do seu trisavô, índios, traições e nazistas.
_ Eu menti daquela vez. Uma única vez. Era carnaval. Você estava muito louco. Eu também. Foi uma brincadeira. Sua imaginação fez o resto. Mas desde então vivo repetindo a verdade. Não existe arma Zeta. Isso é só um enfeite de mesa. Mas você sempre prefere a mentira. Eu digo que é um brinquedo velho, você diz que é um artefato bélico. É uma questão de caráter.
_Você se feriu, sua mãe ficou louca, Caleb a usou ...
_Caleb é meu pai! Ele jamais nos machucaria. Foi você que pirou e passou mal, Toni. A história da arma Zeta de algum modo fez você entrar em curto-circuito. Cuidamos de você até que seus pais chegaram de viagem. Mas depois você se tornou um chato, não saía lá de casa...
_ E por quê você deixou esta chave para mim? – eu disse, segurando a chave no colar e apontando a arma Zeta para Manoela.
Com os olhos arregalados, Manoela emudeceu.
_Eu não deixei nada para você. Por favor, me devolva o brinquedo – ela disse.
_Então foi Brigite, não importa. Eu demorei a entender, Manu, que a arma de todas as armas deveria ter um gatilho especial. E o que seria mais especial do que um gatilho externo que não se parecesse com um gatilho? Bacana, não é? Mas foi só o início. Depois eu remoí a memória e descobri que você me deu uma dica e tanto quando disse que só você poderia disparar a sua arma Zeta. Você também disse que existem várias armas Zeta em circulação. Eu não sou muito inteligente, mas ficou óbvio que para cada uma das armas haveria também um único e exclusivo gatilho. Uma chave, um anel, um colar, um brinco, um pingente... Coisas que uma exímia artesã poderia fazer em casa.
_É tarde demais, Toni.
E sem que ela me dissesse eu sabia que Caleb estava às minhas custas.
quinta-feira, 6 de março de 2014
quarta-feira, 5 de março de 2014
A arma Zeta 04 de março
Na quarta-feira de cinzas, o enterro do meu primo Vini foi rápido. Não havia quase ninguém. Os dois coveiros fizeram um serviço displicente. Nos filmes nós vemos os americanos em ternos e vestidos impecáveis, as covas geometricamente abertas em gramados perfeitos, se despedindo dos falecidos com elegância e sobriedade. Não se vê barro e lama, há orações e música da melhor qualidade. Nada poderia ser mais contrastante com nossa realidade. Por aqui os coveiros espalham terra para todo lado, o caixão fica imundo antes de descer à cova, não existe um lugar para se pisar que não seja grudento. As pessoas em suas roupas de supermercado se despedaçam em lágrimas e desespero. Berram súplicas desesperadas em direção ao céu.
Eu fitava os pombos entre os túmulos. Ninguém sabe quem inventou o conceito de síndrome do pombo enxadrista. O que não diminui a genialidade embutida nessa definição. De acordo com essa situação hipotética, discutir com algumas pessoas é como jogar xadrez com um pombo. A ave derruba e espalha as peças do jogo, defeca no tabuleiro e estraga a partida. No final, o pombo ainda sai cantando vitória, aos arrulhos, com o peito estufado. Rru, rru.
Eu era um pombo quando discutia com Manoela. Mesmo assim, ela sempre conseguia me convencer do que dizia. Eu fazia tudo o que ela queria. Eu era o pombo enxadrista que perdia todas. Ou talvez estivesse vendo as coisas sob um prisma errado. Quem poderia saber como seria uma partida de xadrez entre dois pombos?
Os coveiros terminaram o serviço e saíram lentamente arrastando as pás. Ao olhar para um canto mais distante de onde estávamos, julguei ter visto Manoela fantasiada de índia. Os coveiros desapareceram. Manoela ria de mim e apontava a arma Zeta para onde eu estava. Uma a uma, todas as pessoas presentes ao enterro viraram fumaça, até que só restaram pequenos montinhos de roupas e eu.
Eu fitava os pombos entre os túmulos. Ninguém sabe quem inventou o conceito de síndrome do pombo enxadrista. O que não diminui a genialidade embutida nessa definição. De acordo com essa situação hipotética, discutir com algumas pessoas é como jogar xadrez com um pombo. A ave derruba e espalha as peças do jogo, defeca no tabuleiro e estraga a partida. No final, o pombo ainda sai cantando vitória, aos arrulhos, com o peito estufado. Rru, rru.
Eu era um pombo quando discutia com Manoela. Mesmo assim, ela sempre conseguia me convencer do que dizia. Eu fazia tudo o que ela queria. Eu era o pombo enxadrista que perdia todas. Ou talvez estivesse vendo as coisas sob um prisma errado. Quem poderia saber como seria uma partida de xadrez entre dois pombos?
Os coveiros terminaram o serviço e saíram lentamente arrastando as pás. Ao olhar para um canto mais distante de onde estávamos, julguei ter visto Manoela fantasiada de índia. Os coveiros desapareceram. Manoela ria de mim e apontava a arma Zeta para onde eu estava. Uma a uma, todas as pessoas presentes ao enterro viraram fumaça, até que só restaram pequenos montinhos de roupas e eu.
segunda-feira, 3 de março de 2014
A Arma Zeta 03 de março
Uma vez vi um filme sobre um sujeito que inventava um colírio para melhorar a visão. O cara era um médico que estava quase cego e o colírio, além de salvá-lo da cegueira, de algum modo começou a fazer com que ele desenvolvesse uma visão super-aguçada. Esse sujeito começou então a enxergar tudo e mais um pouco, ele começou a ver os órgãos das pessoas. E no início essa visão fantástica o ajudou no trabalho, a pessoa entrava para uma consulta e ele dava uma mirada no esôfago do sujeito e já localizava o tumor. Outra pessoa entrava e ele olhava para o estômago do cara e lá estava uma úlcera enorme, o problema com o pâncreas, o intestino, o coração.
O tal médico era uma abreugrafia autônoma, um scanner tomógrafo-computadorizado vivo. Ele fazia consulta-relâmpago, com exame, diagnóstico e receituário imediato, na lata, não precisava esperar nada. E até aí você fica achando que o cara vai se dar bem, não há como dar errado. E é exatamente o que começa a acontecer no filme. Ele fica milionário. Todo mundo quer se consultar com ele, é uma loucura.
Mas tudo que é bom dura pouco, o cara não para de trabalhar e começa a usar colírio demais. Ele não consegue dormir porque as pálpebras já não protegem os olhos da luz, ele vê através delas. Para ter algum tipo de descanso ele inventa uns tapa-olhos, mas isso também não adianta muito. Logo, logo, a clientela começa a ficar com medo do médico, porque os olhos dele vão ficando esquisitos, com uma cor escura. E porque ele não dorme, o cara fica maluco e agressivo, num instante todos os pacientes se mandam.
Aí a próxima cena que você vê é esse médico numa lona, sendo anunciado como uma aberração de circo, num espetáculo de adivinhação. Acontece que o médico desenvolveu uma visão de raio-x e os olhos dele estão vendo mais do que o esqueleto, ele está vendo a alma das pessoas. Ele consegue saber quem é bom, quem é ruim, quem fez a coisa certa e quem errou. Acontece mais alguma coisa, há uma cena que eu não lembro direito, ele vê um bebê no útero da mãe. A última cena mostra o sujeito vagando pelo deserto, com o rosto ensanguentado. A última fala do médico no filme é "Se o teu olho o ofende, arranca-o."
Lembrei dessa coisa toda enquanto ligava para o meu primo Vini. Ele era o único que poderia confirmar a informação. Pelo o que eu sabia, a arma Zeta não poderia transformar ligações telefônicas.
_Vini? Vini? É você? - eu disse várias vezes.
Mas não era. A pessoa que atendeu disse que alguém havia atropelado meu primo e que ele estava no hospital. E quando cheguei ao hospital ele já estava morto. Eu gostava do primo Vini. Se aquele médico do filme o tivesse visto diria que ele tinha uma boa alma.
domingo, 2 de março de 2014
A Arma Zeta 2 de março
As razões são constituídas de fatos. O que é verdadeiro não pode, ao mesmo tempo, ser percebido como falso. Quando isso acontece, ocorre a confusão e a loucura. A verdade não varia de indivíduo para indivíduo, de acordo com a percepção de A ou B. Isso seria absurdo. Assim, só é possível ter um único tipo de relação com a verdade, o verdadeiro. Qualquer outro tipo é falso. Para Kant, a mentira prejudica a humanidade em geral. Para Montaigne, os mentirosos deveriam ser consumidos pelas chamas.
Muitas pessoas se entregam a mentiras e a outros tipos de comportamento avesso à verdade. Isso não dificulta a conversa ou o convívio proveitoso com essas pessoas. Significa apenas que temos que ser mais cautelosos. Podemos nos sair muito bem num ambiente de fraude e de falsidade, desde que possamos contar com nossa própria capacidade de discernir entre os diferentes tipos de casos. Existem aqueles casos em que as pessoas estão deturpando as coisas para nós. Existem também os casos em que estão nos tratando com sinceridade. O único problema é que existem mais complicadores para cada uma dessas situações. As pessoas que estão deturpando as coisas, por exemplo, podem estar sinceramente convencidas de que não estão mentindo, embora o estejam. Por outro lado, podem ser mentirosos contumazes subitamente convencidos de que é melhor falar a verdade. É difícil saber. Quase sempre, somos apenas levados a acreditar em quem nos desperta maior confiança. No final das contas, as pessoas acreditam em qualquer coisa que queiram acreditar ditas pelas pessoas em quem confiam.
A variedade é grande. Existem pessoas que duvidam que o astronauta Neil Armstrong esteve na lua com o Apollo 11. Foram truques fotográficos. Outras pessoas conseguem provar que as torres gêmeas foram destruídas por explosivos cuidadosamente plantados e não porque aviões se chocaram contra os edifícios. Tudo teria sido fruto da ação de agentes do próprio governo para justificar ataques a países do Oriente Médio. Hitler teria morrido de velho na Argentina. Elvis não morreu, só se cansou da coisa toda. Obama é o verdadeiro Yuri, o comunista infiltrado pela extinta União Soviética que desmontará a América por dentro. Deus ainda não veio. Deus não veio, mas mandou o Filho, que foi morto cruelmente. Deus virá. Deus vem todos os dias. Deus não precisa vir. Eu só verei Deus se fizer as coisas ditas pelos caras que conversam com Ele.
Quem está certo? Quem está com a verdade? As pessoas acreditam no que precisam acreditar. E aquilo em que acreditam é a única verdade. Até que descubram que a verdade em que tanto acreditam, ditas pelas pessoas em quem tanto confiam é, na realidade, uma mentira.
Naquele momento, eu tive certeza de que Manoela não estava dizendo a verdade. Mas não sabia até que ponto ela estava mentindo.
_Então me devolva aquele brinquedo velho – eu disse.
_Aquilo é parte da sua mania. É o seu Elmo de Mambrino – disse Manoela.
_Besteira. Eu não sou nenhum Quixote.
_Não? Pois parece. Está aí, montado na sua motoca, de capacete, caçando moinhos de vento. E com a ajuda do seu primo barrigudo, o Sancho Pança Vini.
_Foi você que me falou da arma Zeta!
_Lá vem a sua loucura novamente. Eu jamais falei coisa alguma sobre essa sua fantasia. Eu me arrependo amargamente de ter ajudado meus pais a socorrer você, desmaiando de bebida no corredor do apartamento, naquele carnaval.
_Você não vai conseguir me confundir. Não adianta. Você é uma Mondego. Filha de Rosalvo Alencar Mondego.
_Meu nome é Manoela Caleb. Meu pai se chama Victor Caleb. Minha mãe se chama Brigite Eleonor Caleb. Passei um ano da minha vida repetindo a mesma coisa para você.
_Não é isso que está escrito aqui, ditado pelo meu primo Vini – eu disse, enquanto arrancava o pedaço de papel do bolso e olhava a minha anotação. Foi então que, sem nenhuma surpresa da minha parte, vi as letras da minha caligrafia se estreitando e se alongando, numa rápida reorganização. Agora era possível ler VICTOR CALEB, em letras maiúsculas. Eu sabia, eu sabia. Alguém, em algum lugar, havia acabado de disparar a arma Zeta na minha anotação.
Muitas pessoas se entregam a mentiras e a outros tipos de comportamento avesso à verdade. Isso não dificulta a conversa ou o convívio proveitoso com essas pessoas. Significa apenas que temos que ser mais cautelosos. Podemos nos sair muito bem num ambiente de fraude e de falsidade, desde que possamos contar com nossa própria capacidade de discernir entre os diferentes tipos de casos. Existem aqueles casos em que as pessoas estão deturpando as coisas para nós. Existem também os casos em que estão nos tratando com sinceridade. O único problema é que existem mais complicadores para cada uma dessas situações. As pessoas que estão deturpando as coisas, por exemplo, podem estar sinceramente convencidas de que não estão mentindo, embora o estejam. Por outro lado, podem ser mentirosos contumazes subitamente convencidos de que é melhor falar a verdade. É difícil saber. Quase sempre, somos apenas levados a acreditar em quem nos desperta maior confiança. No final das contas, as pessoas acreditam em qualquer coisa que queiram acreditar ditas pelas pessoas em quem confiam.
A variedade é grande. Existem pessoas que duvidam que o astronauta Neil Armstrong esteve na lua com o Apollo 11. Foram truques fotográficos. Outras pessoas conseguem provar que as torres gêmeas foram destruídas por explosivos cuidadosamente plantados e não porque aviões se chocaram contra os edifícios. Tudo teria sido fruto da ação de agentes do próprio governo para justificar ataques a países do Oriente Médio. Hitler teria morrido de velho na Argentina. Elvis não morreu, só se cansou da coisa toda. Obama é o verdadeiro Yuri, o comunista infiltrado pela extinta União Soviética que desmontará a América por dentro. Deus ainda não veio. Deus não veio, mas mandou o Filho, que foi morto cruelmente. Deus virá. Deus vem todos os dias. Deus não precisa vir. Eu só verei Deus se fizer as coisas ditas pelos caras que conversam com Ele.
Quem está certo? Quem está com a verdade? As pessoas acreditam no que precisam acreditar. E aquilo em que acreditam é a única verdade. Até que descubram que a verdade em que tanto acreditam, ditas pelas pessoas em quem tanto confiam é, na realidade, uma mentira.
Naquele momento, eu tive certeza de que Manoela não estava dizendo a verdade. Mas não sabia até que ponto ela estava mentindo.
_Então me devolva aquele brinquedo velho – eu disse.
_Aquilo é parte da sua mania. É o seu Elmo de Mambrino – disse Manoela.
_Besteira. Eu não sou nenhum Quixote.
_Não? Pois parece. Está aí, montado na sua motoca, de capacete, caçando moinhos de vento. E com a ajuda do seu primo barrigudo, o Sancho Pança Vini.
_Foi você que me falou da arma Zeta!
_Lá vem a sua loucura novamente. Eu jamais falei coisa alguma sobre essa sua fantasia. Eu me arrependo amargamente de ter ajudado meus pais a socorrer você, desmaiando de bebida no corredor do apartamento, naquele carnaval.
_Você não vai conseguir me confundir. Não adianta. Você é uma Mondego. Filha de Rosalvo Alencar Mondego.
_Meu nome é Manoela Caleb. Meu pai se chama Victor Caleb. Minha mãe se chama Brigite Eleonor Caleb. Passei um ano da minha vida repetindo a mesma coisa para você.
_Não é isso que está escrito aqui, ditado pelo meu primo Vini – eu disse, enquanto arrancava o pedaço de papel do bolso e olhava a minha anotação. Foi então que, sem nenhuma surpresa da minha parte, vi as letras da minha caligrafia se estreitando e se alongando, numa rápida reorganização. Agora era possível ler VICTOR CALEB, em letras maiúsculas. Eu sabia, eu sabia. Alguém, em algum lugar, havia acabado de disparar a arma Zeta na minha anotação.
sábado, 1 de março de 2014
A Arma Zeta 01 de março
Levei um susto, é claro. Mas eu estava de capacete e casaco, era impossível ver o meu rosto debaixo daquilo tudo. Era sexta-feira pré-carnaval. Eu estava irreconhecível, tinha certeza disso.
_Sei que é você. Nós o vimos no parque da cidade. Você até que conseguiu descobrir onde estávamos bem rápido. Aposto como foi aquele seu primo do Detran que ajudou. Como é mesmo o nome dele? – disse Manoela.
_Vinícius – eu disse, tirando o capacete. Mil dias começaram a subir sobre os meus ombros.
_O primo Vini, isso mesmo, você me contou. Ficou devendo um favor a ele, não foi?
_Não. Ele não cobra quando o assunto é de família.
_Uma ova. Qualquer dia ele apresenta a conta, você mesmo me disse.
_Resolvi que valia a pena – eu disse.
_Não vale, acredite. Eu gostaria que você não me procurasse mais. Já faz mais de ano, foi no outro carnaval. Esqueça tudo – disse Manoela.
_Não consigo. Fico vendo a poça de sangue se formando debaixo da sua barriga.
_Isso nunca existiu. Nunca aconteceu. É coisa da sua cabeça, seus pais falaram com a gente. Minha mãe se cansou depressa, perdeu a paciência. Eu também, por diversas vezes perdi a paciência. Eu sou a sua monomania, a pessoa que desperta suas fantasias. Faço você imaginar coisas, construir moinhos de vento. Mas eu não sou Dulcinéia. Nada disso é real. Procure outra pessoa, por favor. Onde está aquele médico? Me deixe em paz. Ou serei obrigada a chamar a polícia. Meu pai...
_Rosalvo Alencar Mondego – eu disse.
_Victor Caleb – disse Manoela. Meu pai, Victor Caleb, deve chegar a qualquer momento. Vá embora. Será melhor para você. Todas as vezes que se encontram acabam brigando. É melhor você não se verem.
_E onde está a arma Zeta? – eu disse.
_O enfeite de mesa? Aquele brinquedo velho? É nisso que você pensa? É só um brinquedo antigo – disse Manoela.
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