segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Refazendo Dobbie e outros devaneios



Arctic Monkeys - Reckless Serenade

É começo de ano e existe uma longa, bem longa, lista de coisas a fazer. Mas comecei ainda no ano passado. A primeira foi refazer a cabeça de Dobbie com a resina plástica que não seca. Só me custou uns dez minutos e lá estava Dobbie refeito. Ficou parecido. À distância, com boa vontade. Fechando um dos olhos. Com muita boa vontade. Mas foi ótimo para devanear. Sempre penso em Alexander Calder quando estou mexendo com a resina plástica que não seca. Ele inventou o móbile e aquelas esculturas metálicas pesadíssimas que parecem leves e frágeis feito papel. Só que não. Em Chicago, na frente do edifício IBM, lá estava uma delas, um troço imponente e vermelho, uma forma tão intraduzível e incompreensível para mim quanto uma coreografia de balé. Sempre devaneio quando desenho, brinco de carpinteiro ou me meto a consertar coisas que não sei consertar. Mas neste ano, lá está na terceira posição, eu me comprometi a devanear menos. Não devanearás, eu escrevi. Então eu trato de não devanear.

Está quase tudo pronto para a grande viagem, está quase tudo pronto. Revisão. Checagem. Plano e roteiro. Vamos improvisar, improvisar e abusar da hospitalidade alheia. E, talvez, quem sabe, curtir uma praia lá mesmo, em Ubachuva.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Revisão para viagem

Este ano fugirei do caos dos aeroportos. Vou viajar de carro e curtir o caos rodoviário. Sai mais em conta.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Não contem com a minha solidariedade

Cansei das tragédias das chuvas. Todo ano se repetem. As causas são bem conhecidas. Deslizamentos e enchentes, sempre nos mesmos locais, por falta de ação do poder público e também por ignorância, comodismo e idiotice das pessoas que mesmo sabendo que nada foi feito como trabalho preventivo continuam em áreas de risco(morros e margens de rios) e votando nos mesmos mentirosos que dizem que vão fazer alguma coisa e não fazem nada. Cansei dos programas de TV, dos jornais, do tom de voz dos apresentadores nos programas. Em todos eles, há um reboliço para encontrar um jeito de isentar as autoridades de qualquer responsabilidade, de clamar por solidariedade para quem não arreda pé da zona de risco e transforma a sua vida e a da sua família em moeda eleitoral encurralada.

Isso existe em todo canto. O mané que se curva e se deixa empalar para conseguir um pretenso benefício(uma obra de contenção jamais realizada na beira de um rio ou na encosta de um morro). Não vai rolar, amigo. Não vai rolar, minha amiga. Está tudo lá no Mark Twain, no conto sobre os elefantes que sumiram do circo e da criação do departamento de procura aos elefantes que sumiram. Nossos burocratas são especialistas em perpetuação e multiplicação de programas para abrigar mais burocratas. Também não me esqueci do que fizeram com a minha solidariedade nos anos anteriores, quando todos nós ficamos sabendo do desvio de doações, da bandalheira, da estocagem e venda de doações, e do desperdício e do obsceno despejo de roupas e alimentos em meio à lama de deslizamentos.

Doei, mas agora a minha solidariedade não vai muito além do meu portão, onde vejo o rosto e posso sentir de perto e ao vivo a gratidão de quem não tem outra alternativa a não ser pedir ajuda. É pouco, está bem abaixo no radar das solidariedades com o próximo e nem sequer possui um programa específico em rede nacional. Não rende sequer um minuto de assunto nas conversas de fim de ano, mas é só o que posso fazer no momento. Cansei da solidariedade em rede, não quero saber quantas toneladas de doações estão sendo reunidas nos últimos dias. Para mim, (sim, é uma reação pessoal), isso apenas prova que estamos longe de conseguir colocar no poder representantes que conseguem implantar soluções para problemas crônicos. Estamos longe disso. O melhor que conseguimos ainda é o histórico e histriônico "ele rouba, mas faz". Nos últimos anos, com o mensalão, houve uma retração. O padrão passou para "ele não sabe de nada", o que é uma grande verdade, os caras não sabem ser honestos e não conhecem a expressão "ter vergonha na cara".

Pois é. Cansei dessa choramingação anual e me recuso a fazer parte do coro do falso luto das carpideiras em rede. Estou fora.

Frase do dia