sábado, 7 de julho de 2012

O Careca e a Suíça



Robbie Williams - Radio

Terminei o recamier/banco de ripas. Só o que precisava era de uma broca nova. A velha estava desgastada e demorava demais a concluir os furos. Foi só trocar que fiz todos os furos em 15 minutos. Usei a barra roscada 3/8 para unir as 9 travas de ipê. Para apertar bem, usei pequenos pedaços de madeira como espaçadores entre as travas.

Não consegui um alinhamento total, eu sabia que não teria jeito, já que todas as travas eram de espessuras diferentes e usei uma furadeira na mão, não foi de bancada. Desse jeito, por maior que seja o cuidado na marcação dos pontos de furos, na hora "h" a máquina sempre desliza um pouco. Com dezenove furos de cada lado, no final a diferença é expressiva, foi preciso bater forte na barra roscada.

Depois de ter os dois lados bem unidos e a seco, apertei umas porcas de segurança nas extremidades. Tinha comprado as porcas no ano passado para outra coisa que acabei não fazendo. Fiz o acabamento em cera depois do almoço. Gostei do resultado.

Queria ser perfeccionista, mas não sou. Tenho a maior pressa em terminar as coisas, o que muitas vezes compromete a qualidade, eu sei. Mas sei também que o meu entusiasmo é curto, gosto de emendar um projeto no outro, enquanto estou no pique. Muitas vezes errei por excesso de cuidados, uma vez estraguei um desenho bacana porque fui apagar uma coisinha de nada e borrei um grande pedaço do desenho. Nessas horas me sinto bem Larry King, uma coisinha besta à tôa gera uma consequência desastrosa. Isso também acontece com os textos, é claro. Nunca sei a hora de parar e às vezes acabo indo para umas direções esquisitas, então volto tudo e apago. O melhor é começar do zero, pelo menos para mim.

Uma pessoa muito inteligente disse que é um clichê de pseudo-artista dizer que o maior defeito é ser perfeccionista e que perfeccionismo não é defeito. Há controvérsias. É possível até argumentar que o perfeccionista perde muito tempo com preparativos e organização, mas mesmo isso é questionável. A verdade é que os preparativos e a organização são partes essenciais de qualquer projeto. E a mais pura verdade é que, sendo defeito ou qualidade, eu gostaria de ser perfeccionista.

Em primeiro lugar, isso fica super-bem em legenda de foto. "Fulano de tal, o perfeccionista, comemora a grana preta na conta bancária". Lindo, né? Ou então, "Careca brinda a chegada de 2013 na Torre Eiffel". Nem precisa dizer que isso seria perfeito, né?

Em segundo lugar, bom, não tem segundo lugar. Perfeccionista que se preza não admite o segundo lugar, detesta o terceiro lugar e morre de raiva da quarta colocação.

De qualquer forma, qual seria o antônimo de perfeccionista? O google traz relaxado como primeiro resultado. Relaxado? Felizmente ou infelizmente não me sinto relaxado, nem acomodado e nem satisfeito. Mas também não me sinto o contrário de nada disso. Estou neutro. Mas sem apatia. Como a Suíça.

É o feijão, estúpido!


O governo comprova a eficácia das suas políticas: já importamos feijão da China.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não cruze os dedos agora, por favor




Beethoven: "für Elise"

Não é só em mim. Eu também fico procurando personagens nas pessoas. Às vezes me pego olhando para um tipo qualquer tentando adivinhar o que ele está pensando, como foi o seu dia até aquele instante. A moça que errou o troco na padaria, por exemplo. Como será que ela fez para chegar no trabalho com a greve de ônibus? Ela se levantou a que horas? Percebi que ela se enganou e me deu o troco a mais. Mas não sorriu quando devolvi o excedente. Ela daria um bom personagem? Não, é claro, quem se importa com a moça do caixa da padaria? Ela não é bonita, nem nada. E nem sorri quando lhe devolvemos o troco errado. Seria preciso que algo extraordinário acontecesse à moça do caixa da padaria. Ou talvez algo já tivesse acontecido. Quem liga?

O moço que entrega o gás seria um bom personagem? Ele dirige uma espécie de mini-kombi, carrega seis botijões pequenos. Na frente do carrinho parece que só cabe o motorista. Um cd toca Pour Elise, de Beethoven. Meu filho disse que essa é a música que ele mais escutou na vida. Talvez seja verdade, os carros de gás passam todos os dias, diversas vezes ao dia. Todos tocam Pour Elise. Parece ser a música oficial do gás em Brasília. Os cachorros choram quando os carros de gás passam. O moço que entrega o gás grudou um imã de geladeira na caixa de correio do portão da minha casa. Todos os dias limpo a caixa de correio. Acho que vou começar a colecionar os imãs de geladeira das empresas que vendem gás onde eu moro.

Evolui lentamente o projeto do recamier. Já consegui os pés do móvel, mas ainda falta muita lixação e perfuração. Decidi colocar uma barra roscada para unir as ripas do móvel. Serão necessários trinta e seis furos de 10 mm. Hoje, depois de uma hora ininterrupta de trabalho, conseguir fazer a metade.

Depois eu pensei um pouco e cheguei a uma questão importante: quem se importa com o que acontece comigo? Provavelmente umas cinco ou seis pessoas. Contando comigo, é claro. E mais tarde é que cheguei a uma pergunta também muito importante: quem eu gostaria que se importasse com o que acontece comigo?

A vaia ambulante



Twisted Sister - We're Not Gonna Take It


Outro dia mesmo, quando disse que sentia falta de entrevistas coletivas periódicas, também falei que os governantes entendiam vaias. Por coincidência, um presidente pôs o pé na calçada e elas começaram a acontecer.

Augusto Nunes explica o fenômeno, é só clicar no trecho abaixo:

Como são poucos, esses inimigos da pátria resolveram fantasiar-se de estudantes para desmoralizar a UNE, piorar o humor da presidente e, sobretudo, reduzir os lucros dos fabricantes de estatísticas com a invenção de outra brasileirice: a vaia ambulante.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Visita ao zoo



Arctic Monkeys - R U Mine?

Fomos ao zoológico no quinto dia de férias das crianças. É um dos melhores programas da cidade, sempre foi. Quando eu visito o zoo, eu também viro criança, revisito o eterno fascínio com os animais da África, o assombro com os bichos brasileiros.

Fomos de jaula em jaula, correndo, pulando, as crianças sem conter o entusiasmo. Eu fingia que não estava empolgado, mas também apertava o passo para ver o máximo possível. Mas não adiantou nada, o tempo passou voando.

Sempre fico com pena dos animais presos, as crianças também. Mas o fascínio de estar próximo dos bichos é sempre maior. Desta vez tivemos sorte e pudemos ver um dos elefantes bem de perto. Mas as girafas estavam bem distantes e os hipopótamos também. O rinoceronte estava dormindo por volta das onze e meia. Estava coberto de poeira e parecia uma grande estátua de pedra. Os leões e leoas dormiam pesadamente. O tigre albino fez uma pose caprichada, mostrou os dentes. O outro tigre, o da Ásia, lambia as patas e as garras esticado num jirau gigantesco.

Minha filha correu para onde existem milhares de borboletas, mas já era meio-dia e estava fechado. Meu filho pediu pressa para ir ao serpentário. Na saída, vimos um macaco enorme pendurado na cerca do zoológico, pelo lado de fora. Ele procurava uma brecha nas telas e no arame farpado. Não queria saber de cerrado. Queria voltar.

Frase do dia