quinta-feira, 5 de julho de 2012

A marolinha II: o mundo vai acabar de novo


Kenneth Maxwell fala sobre o mais recente escândalo bancário que aflora na Inglaterra. Além do Barclays, outros 18 bancos estão sob investigação.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Fora Mercosul, viva Mercosanostra



Screeching Weasel - Cool Kids


Formado por parceiros que vivem tentando enganar uns aos outros, o Mercosul era, até esta sexta-feira, uma inutilidade controlada por três patetas. Agora são quatro.

Com um pequeno artigo, Augusto Nunes chutou o cadáver insepulto do Mercosul, morto de morte matada por duas presidentes sabichonas e pelo menos dois tiranos eleitos. Oremos. Como agora o mercado tem um parceiro do norte, convém, no mínimo, tirar o sul da reta, digo, do nome.

Mesmo assim, caso queiram manter o zumbi andando para garantir almoços, jantares e coquetéis diversos, é preciso ter algumas cartas na manga para justificar tantas viagens e hospedagens, não é mesmo?

A parceria com o Uruguai dispensa comentários, então não os farei.

A parceria com o Paraguai, provada improdutiva pela presidente que ajudou a expulsar o país do clube, parecia valer a pena, já que, entre outras coisitas, 30% da energia consumida no Brasil vem de lá. Temos também alguns 500 mil brasiguaios produtores agrícolas na fronteira, mas quem liga pra isso? O importante é que chutaram o Paraguai para fora do clube e bateram a porta.

Nossa parceria com a Argentina sempre foi muito produtiva, é claro. Eles gostam de produzir e nós gostamos de comprar. Eles fazem um doce de leite sensacional e são campeões da parrilada, ninguém pode negar. Também são bons de bola, têm filmes muito bons e ninguém faz um tango como eles. Creio que também teríamos muito a aprender sobre a recuperação de ilhas remotas e participação em shows do AC-DC no estádio do River Plate. A parceria com o Brasil sempre veio a calhar. Quando não calha, eles encalham. Temos muitíssimo em comum com nossos hermanos, inclusive presidentes com penteados estranhos.

A principal vantagem de termos a Venezuela como parceiro estratégico será a transferência tecnológica. Com nossos vizinhos vamos aprender a desindustrializar o país de vez e ainda, de quebra, sucatear ainda mais rapidamente a petroleira da casa. A oposição brasileira, sempre ela, há muito se espelha no modelo venezuelano e vem caprichando em pusilanimidade há pelo menos 12 anos.

Agora que temos a Venezuela no Mercosanostra(sim, é a minha sugestão para o rebatismo) o próximo país a entrar no clube deveria ser Cuba. Sim, a marchinha de carnaval veio logo pra minha cabeça. Todo mundo quer ver Cuba lançar.







terça-feira, 3 de julho de 2012

Visita ao Banco Central



Arctic Monkeys - Crying Lightning

Estive hoje com quatro crianças no Museu de Valores do Banco Central. Fomos eu, meus filhos, dois amiguinhos das crianças que vieram da Bahia e uma babá, que também veio de lá. A primeira dificuldade foi estacionar. A capital da República é uma cidade feita para se andar de automóvel, mas que não possui estacionamentos. Esse problema é inversamente proporcional à necessidade. Quanto mais você precisa de uma vaga mais difícil ela se torna de achar. O Museu funciona no primeiro subsolo do Banco Central, que fica no centro do plano piloto de Brasília, no Setor Bancário Sul. Dei duas voltas no setor sem encontrar nem uma esperança de vaga. Entrei numa superquadra ao lado. Nada. Para não voltar para casa, fiz o que muita gente faz: subi no gramado com o carro e inventei uma vaga debaixo de uma árvore. O efeito manada foi imediato. Bastou eu parar o carro ali que em trinta segundos todo o gramado foi ocupado por carros sedentos de estacionamento. Fiz uma oração silenciosa para que o carro não fosse multado, não estou podendo.

Desci com as crianças sob um sol de rachar mamona e um vento seco de trincar os dentes. Todos de mãos dadas e com uma série de instruções bem decoradas. Não correr. Não gritar. Não berrar. Não cutucar. Não enfiar o dedo no nariz. Não batucar nos vidros. Não melecar os vidros. Não chatear os guardas. Não dar birra. Não sumir de vista e andar sempre junto. Falar comigo antes de qualquer coisa.

Entramos pela entrada principal do edifício, que é bem imponente. Passamos por uma porta giratória. Cada criança por vez. Duas fizeram questão de inverter o sentido de rotação quando passavam, o que provocou uma pequena confusão e uma narigada, minha, no vidro da porta giratória.

A entrada para o Museu é gratuita. Os adultos só precisam apresentar a identidade. O problema foi que a babá não havia trazido o documento. Então eu entrei com os quatro dentro do Museu. A moça da portaria entregou um crachá magnético para cada um e lá fomos nós, na maior empolgação. Demoramos cinco minutos na roleta. As crianças fizeram questão de testar todas as possibilidades de leitura dos cartões magnéticos e além disso se esqueciam de empurrar a catraca. Quando uma pequena fila de funcionários começou a se formar, o guarda da roleta abriu a portinhola para que eu pudesse passar com as crianças.

Agora só precisávamos esperar o elevador e subir até o primeiro subsolo. Confesso que eu estava meio confuso, já que havíamos entrado pelo térreo. Mas depois descobri que o térreo na verdade era o segundo sub-solo e por isso é que deveríamos subir. Esperamos outros cinco minutos e nada de elevador. As crianças não se aguentavam mais de ansiedade. Estavam loucas para ir logo para a sala do ouro, onde sabiam que estava a maior e mais pesada pepita de ouro de todo o mundo. Sim, meu filho há conhecia o museu de uma visita da escola e incendiara a imaginação dos outros com um relato fantástico das moedas e das barras de ouro e prata do museu. Então subimos dois lances da escada da saída de emergência e chegamos à entrada da exposição permanente.

O tempo passou voando dentro do museu. E logo ocorreu o inevitável, uma das crianças precisou ir ao banheiro. Por definição, em todos os prédios públicos de Brasília o banheiro é longe, pequeno, fica depois de um lance de escadas à direita e está sempre ocupado. Mesmo assim perguntei onde ficava, só por garantia. Era lá mesmo.

De volta à exposição, encontramos as outras crianças comodamente sentadas. Conferimos novamente a moeda mais valiosa da coleção(uma das 64 moedas criadas para a comemoração da coroa de D.Pedro I), a maior pepita de ouro, barras e lingotes e os bilhões em reais de notas picotadas e guardadas em caixas de vidro. As crianças gostaram.

Na saída, o guarda da roleta já se apressou em abrir a portinhola para que passássemos depressa. Mas não seria tão fácil. Cada criança demorou pelo menos um minuto para entregar o crachá magnético. Um deles achou o crachá tão bonito que queria tirar uma foto. Só então lembramos que a máquina tinha ficado em casa. Uma pena. Mas felizmente, não havia nenhuma multa grudada no pára-brisa quando voltamos ao carro.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Oh, não! Oh, não! Oh, não!



Arctic Monkeys - Brianstorm Live

Meu novo projeto é um recamier ou um banco de ripas para colocar em frente à cama. Desde é claro, que passe pelo controle de qualidade. Comecei hoje mesmo. Estou usando nove ripas de ipê, que já estão lixadas. Ainda não tenho madeira para os pés, vou preparar com o que encontrar.

Usei máscara durante a tarde para o processo de lixação. E luvas. Daqui a pouco vou começar a usar protetor de ouvido. O barulho da máquina é cansativo. A nuvem de pó é assustadora. Meu vizinho deve me odiar, vai pó para tudo quanto é lado. Mas uso um aspirador razoável e deixo tudo limpo antes de trancar as ferramentas no armário. Alguém me disse, há tempos, que é muito importante limpar todas as ferramentas que usarmos antes de guardá-las. É uma regra que não admite exceção. Se você deixar para o dia seguinte, a sujeira gruda e o esforço para retirar tudo é muito maior.

Gosto de usar os equipamentos de segurança. Tenho sempre luvas de reserva. Também pretendo comprar um capacete parecido com aquelas proteções de soldador, só que transparente, para a lixação. Pensava que aquilo fosse pesado, mas é leve e protege o rosto inteiro, é bem melhor do que um óculos.

Tento organizar e dar um rumo novo para a minha vida. É difícil. Felizmente não estou doente e nem acho que tenho um problema qualquer. Tem muita gente dizendo que tem TOC, eu acho que não tenho nada. Estou perfeitamente saudável. Quer dizer, de vez em quando eu me pego falando com o espelho, dizendo coisas como "Oh, não! Oh, não! Oh, não!".

Uma vez minha mulher também me pegou falando com o espelho do banheiro.

_Você está falando sozinho? - ela disse, com um risinho no canto da boca.

_Não. Eu estava cantando - eu disse.

_Parecia um monólogo na frente do espelho.

_Às vezes eu só recito os versos, é por isso - eu disse.

_Você não precisa ter vergonha, muita gente fala sozinho com o espelho - ela disse. Mas eu não caio nesse truque velho.

_Eu não falo com o espelho - eu disse.

_Parecia que você estava falando "Oh, não! Oh, não! Oh, não!".

_Impressão sua, amor.

Eu olho novamente para o espelho, depois que ela saiu, balançando a cabeça. O sujeito no espelho faz a mímica com a boca, exagerando os movimentos: oh, não, oh, não, oh, não.

domingo, 1 de julho de 2012

Planos mirabolantes antes do almoço



Arctic Monkeys - Suck It And See

Fiz duas bandejas grandes para as mesas da casa. Em uma delas, usei sobras de madeira, cola e um verniz à base de água, cor de ipê. Para a outra usei duas pranchas de 80 por 30 de pinus reaproveitado. Tive que fazer o acabamento duas vezes. Na primeira vez, usei o mesmo verniz da outra e não ficou legal. Na segunda vez, depois de lixar tudo novamente, usei cera. Ficou melhor.

Durante o trabalho com madeira, às vezes me perco num turbilhão de pensamentos. Existem alguns recorrentes. Coisas que deveria ter feito, frases que eu poderia ter dito, arrependimentos, planos de invenções mirabolantes, esperanças enormes e esperanças miúdas, decepções, frustrações, erros crassos, bobagens e mais planos mirabolantes. Não sei vocês, mas eu tenho montes de planos de invenções mirabolantes todos os dias, idéias que servirão para fazer o meu pé-de-meia e me livrar da fila humilhante da aposentadoria mínima.

Um desses planos é o meu ventilador especial acoplado na balança do banheiro. O ventilador é capaz soprar um vento forte para auxiliar a secagem das reentrâncias dos dedos dos pés, ajudando o ser humano a se livrar de frieiras, por exemplo. Na versão mais requintada, a balança também é equipada com um massageador para a sola dos pés e um martelo de borracha preso a um braço articulado. O massageador começa a funcionar com uma leve pressão dos dedões. O braço articulado, por sua vez, é pré-programado para se auto-acionar todas as vezes que o indivíduo estiver acima do peso. Tum. Ou tum-tum, para os reincidentes.

Outro plano de invenção sensacional é a minha cadeira de paletó. Explico. Em todos os lugares em que trabalhei sempre havia um sujeito que detestava usar terno, que achava aquilo um saco. Esses caras sempre deixavam o paletó do terno pendurado na cadeira, às vezes por dois ou três semestres, quando apareciam. As peças ficavam ali, expostas ao sol, ao ranço de escritório, ao cheiro de detergente e dos produtos de limpeza que usavam. No final do período, o terno estava inutilizado, desbotado e cheirando a escritório azedo. A minha invenção, é claro, evitaria tudo isso, já que terno e encosto seriam feitos do mesmo material impermeável, que não desbota e nem gruda cheiro. Tenho certeza de que seria um grande sucesso no setor público, onde alguns caras penduram o paletó e se mandam.

A máquina de bater no bumbum também é outro plano de invenção que sempre me assalta durante as manhãs. Sabemos que a legislação ficou muito severa e intrometida, não se pode mais dar palmada no bumbum das crianças nem quando elas quebram o aquário e estragam a tv, chutando bola dentro de casa. Não, senhor. A palmada está proibida. Mas eu acho que não há nada na lei que proíba a utilização do DRADI - Dispositivo Robô Auxiliar de Disciplina Infantil, que é como chamo a minha máquina. O nome é bem legal, né, acho que tem tudo para ser um campeão de vendas.







Frase do dia