É verdade. No cinema, ninguém faz abraço de pai tão emocionante quanto os americanos. Acho que foi o João Ubaldo que falou isso numa crônica antiga. Ou foi o Ruy Castro, não lembro. Sei que é verdade.
E então eu procurei um abraço emocionante do cinema no You Tube. E achei o vídeo abaixo.
Feliz Dia dos Pais!
domingo, 14 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Carta nada exemplar para o meu sobrinho
Querido Sobrinho,
Você é uma espécie de herói lá em casa. Não é uma coisa que acontece naturalmente, você sabe. Os heróis têm que batalhar muito, é dureza. Você é o sobrinho mais velho, o primo mais experiente, maior e mais forte. E as coisas acontecem primeiro com você. Isso começou, eu acho, com as fraldas. Você foi o primeiro a usar fraldas descartáveis na família. E também o primeiro a deixar as fraldas. O que foi ótimo. Seu tio demorou muito mais tempo com as fraldas, pelo menos dois anos a mais. Você também foi o primeiro a ganhar aquela famosa bola que faz barulho de presente. Você sabe, aquela bola maluca. Ela solta uns barulhos esquisitos quando muda de posição. E ela sempre muda de posição. Parece o anúncio de uma invasão planetária, a explosão de um sapo reclamando. Você foi o primeiro bebê da família a ganhar aquela bola. E também foi o primeiro a fazer todo mundo enjoar dela, em menos de uma hora. Felizmente, eu mandei a bola para o seu tio, que a enterrou no quintal.
Isso aconteceu mais vezes, esse pioneirismo. O lance das fraldas, por exemplo, foi bem interessante. Sua mãe, que é minha irmã, a pretexto de ensinar aos irmãos as coisas que todos nós deveríamos saber, fez questão que trocássemos pelo menos uma fralda sua. Pra valer. Com conteúdo. A experiência foi muito gratificante. E, sem dúvida nenhuma, me inspirou a demorar a ter filhos. O que foi um erro. Eu deveria ter iniciado logo a minha produção de filhos e feito a sua mãe trocar pelo menos umas dez fraldas, com conteúdo, em represália. Hoje tenho uma saudade danada dos tempos dos bebês. Você mesmo era um bebê muito bacana, gostava de morder o dedão do próprio pé. Era muito inspirador. Seu tio também gostava de morder o dedão do pé, dos outros.
Você é o sobrinho mais velho, o primeiro, o exemplo. Embora não tenha pedido para ser o exemplo, você não tem fugido dessa responsabilidade, o que é ótimo. E tem se saído super-bem, o que é melhor ainda. Você é um bom exemplo. Seu tio, para citar um outro tipo de exemplo, sempre foi mais refratário a enfrentar corajosamente as situações. Talvez isso tenha acontecido porque nós gostávamos de deixá-lo um pouco confuso. Era fácil, muito fácil.
_Foi você! – a gente dizia para seu tio.
_Eu? Eu o quê? – ele perguntava, aturdido.
_Nem vem dar uma de santo, foi você! Foi sim! – a gente insistia. E depois de algum tempo, nós o convencíamos de que havia sido mesmo ele. Qualquer coisa. Era fácil, muito fácil. Teve também uma época em que a gente o convencia de que além de adotado, ele, na verdade, era ela.
_Sim, você é uma menina. Vá pegar a sua boneca. Por quê está sem o vestidinho cor-de-rosa? Como andam as aulas de balé? E esse cabelo? Vem cá, deixa eu fazer uma trança.
É difícil ser exemplar. Todo mundo presta muita atenção, não se pode enfiar o dedo no nariz, coçar alguns lugares. É um saco, às vezes. O mais chato de ser “exemplo” é também o mais legal. Você tem imitadores. Seguidores. Exerce uma liderança. Influência. E você tem sido uma influência positiva. Mas tudo isso também pode ser bastante embaraçoso se você não estiver a fim de ser imitado, ou se não quiser influenciar ninguém. É verdade. Mas ninguém tem muita certeza de nada. Às vezes é bom ter dúvidas. Dívidas, não. Encontramos respostas a vida inteira. O difícil é entender as perguntas.
Bom, nós amamos você. Continue a fazer coisas boas. Você é do bem.
(Entregue ao meu sobrinho em setembro de 2009)
Você é uma espécie de herói lá em casa. Não é uma coisa que acontece naturalmente, você sabe. Os heróis têm que batalhar muito, é dureza. Você é o sobrinho mais velho, o primo mais experiente, maior e mais forte. E as coisas acontecem primeiro com você. Isso começou, eu acho, com as fraldas. Você foi o primeiro a usar fraldas descartáveis na família. E também o primeiro a deixar as fraldas. O que foi ótimo. Seu tio demorou muito mais tempo com as fraldas, pelo menos dois anos a mais. Você também foi o primeiro a ganhar aquela famosa bola que faz barulho de presente. Você sabe, aquela bola maluca. Ela solta uns barulhos esquisitos quando muda de posição. E ela sempre muda de posição. Parece o anúncio de uma invasão planetária, a explosão de um sapo reclamando. Você foi o primeiro bebê da família a ganhar aquela bola. E também foi o primeiro a fazer todo mundo enjoar dela, em menos de uma hora. Felizmente, eu mandei a bola para o seu tio, que a enterrou no quintal.
Isso aconteceu mais vezes, esse pioneirismo. O lance das fraldas, por exemplo, foi bem interessante. Sua mãe, que é minha irmã, a pretexto de ensinar aos irmãos as coisas que todos nós deveríamos saber, fez questão que trocássemos pelo menos uma fralda sua. Pra valer. Com conteúdo. A experiência foi muito gratificante. E, sem dúvida nenhuma, me inspirou a demorar a ter filhos. O que foi um erro. Eu deveria ter iniciado logo a minha produção de filhos e feito a sua mãe trocar pelo menos umas dez fraldas, com conteúdo, em represália. Hoje tenho uma saudade danada dos tempos dos bebês. Você mesmo era um bebê muito bacana, gostava de morder o dedão do próprio pé. Era muito inspirador. Seu tio também gostava de morder o dedão do pé, dos outros.
Você é o sobrinho mais velho, o primeiro, o exemplo. Embora não tenha pedido para ser o exemplo, você não tem fugido dessa responsabilidade, o que é ótimo. E tem se saído super-bem, o que é melhor ainda. Você é um bom exemplo. Seu tio, para citar um outro tipo de exemplo, sempre foi mais refratário a enfrentar corajosamente as situações. Talvez isso tenha acontecido porque nós gostávamos de deixá-lo um pouco confuso. Era fácil, muito fácil.
_Foi você! – a gente dizia para seu tio.
_Eu? Eu o quê? – ele perguntava, aturdido.
_Nem vem dar uma de santo, foi você! Foi sim! – a gente insistia. E depois de algum tempo, nós o convencíamos de que havia sido mesmo ele. Qualquer coisa. Era fácil, muito fácil. Teve também uma época em que a gente o convencia de que além de adotado, ele, na verdade, era ela.
_Sim, você é uma menina. Vá pegar a sua boneca. Por quê está sem o vestidinho cor-de-rosa? Como andam as aulas de balé? E esse cabelo? Vem cá, deixa eu fazer uma trança.
É difícil ser exemplar. Todo mundo presta muita atenção, não se pode enfiar o dedo no nariz, coçar alguns lugares. É um saco, às vezes. O mais chato de ser “exemplo” é também o mais legal. Você tem imitadores. Seguidores. Exerce uma liderança. Influência. E você tem sido uma influência positiva. Mas tudo isso também pode ser bastante embaraçoso se você não estiver a fim de ser imitado, ou se não quiser influenciar ninguém. É verdade. Mas ninguém tem muita certeza de nada. Às vezes é bom ter dúvidas. Dívidas, não. Encontramos respostas a vida inteira. O difícil é entender as perguntas.
Bom, nós amamos você. Continue a fazer coisas boas. Você é do bem.
(Entregue ao meu sobrinho em setembro de 2009)
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Ditados, ditados
Não é prego, nem bem de raiz
Não enche barriga
Corta mais do que a espada
Tem mel e tem ferrão
Na boca do mentiroso, até o mais certo é duvidoso
Nem todas as verdades são pra ser ditas
Na boca de quem não presta, quem é bom não tem valia
Não diga ao velho que se deite nem ao menino que se levante
Na seda mais fina é que a mancha pega
Palavra demais só custa dinheiro em telegrama
Até peixe morto parece nadar rio abaixo
Em caminho calcado, não cresce erva
Nem é com vinagre que se apanha moscas
Não há conta que não se pague
Nem ditado velho, se dito em tempo
Não há domingo sem missa, nem segunda sem preguiça
Em pescoço de criança não se acha cabeça de Matusalém
Não há feio sem graça, nem bonito sem senão
Nem fome que não dê em fartura
E não existe guerra de mais aparato do que muitas mãos no mesmo prato
Não há fumaça sem fogo
Nem madeira sem nó
Não há mal que bem não traga e sempre dure
Nem bem que nunca se ature
Não há manjar que não enfastie, nem vício que não enfade
Não há marcas que o tempo não apague.
Não há mau piloto, quando o tempo é bom
Não ponhas todos os ovos no mesmo cesto
Não há melhor mestra que a necessidade
Não há mezinha que cure a dor da separação
Não há moço doente nem velho são
Não há nada tão antigo que não tenha sido novo
E não existe nenhum remédio para curar ódio
Não há fumaça sem fogo, nem roca sem fuso,
não há rosa sem espinho e nem regra sem exceção
Não existe mulher sem senão, sábado sem sol, domingo sem missa
e segunda sem preguiça
Não há pior cego do que aquele que não quer ver
Nem jardim sem flores, velhos sem dores e moças sem amores
Não há sabão que lave a alma da inveja
Nem vitória sem luta
Não passe o carro na frente dos bois
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu
Quem pisa no rabo do cachorro, quer ser mordido
Ninguém esconde o amor, o fogo e a tosse
Não se amarra cachorro com lingüiça
E ninguém caça lebres tocando tambor
Não se procura sovaco em cobra
Não se tira leite de pedra
Não se vê veado baleado que não seja grande e gordo
O faminto não será tentado dando-lhe pão a cortar
Não tira bom resultado, quem vai onde não é chamado
Nas asas do tempo, a tristeza voa
Nas costas dos outros se vêm as nossas
Nas curvas da vida, entre devagar
Nem só de pão vive o homem.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Nem toda sede nos leva ao pote
Na cauda é que está o veneno
Notícia ruim chega a cavalo
Não enche barriga
Corta mais do que a espada
Tem mel e tem ferrão
Na boca do mentiroso, até o mais certo é duvidoso
Nem todas as verdades são pra ser ditas
Na boca de quem não presta, quem é bom não tem valia
Não diga ao velho que se deite nem ao menino que se levante
Na seda mais fina é que a mancha pega
Palavra demais só custa dinheiro em telegrama
Até peixe morto parece nadar rio abaixo
Em caminho calcado, não cresce erva
Nem é com vinagre que se apanha moscas
Não há conta que não se pague
Nem ditado velho, se dito em tempo
Não há domingo sem missa, nem segunda sem preguiça
Em pescoço de criança não se acha cabeça de Matusalém
Não há feio sem graça, nem bonito sem senão
Nem fome que não dê em fartura
E não existe guerra de mais aparato do que muitas mãos no mesmo prato
Não há fumaça sem fogo
Nem madeira sem nó
Não há mal que bem não traga e sempre dure
Nem bem que nunca se ature
Não há manjar que não enfastie, nem vício que não enfade
Não há marcas que o tempo não apague.
Não há mau piloto, quando o tempo é bom
Não ponhas todos os ovos no mesmo cesto
Não há melhor mestra que a necessidade
Não há mezinha que cure a dor da separação
Não há moço doente nem velho são
Não há nada tão antigo que não tenha sido novo
E não existe nenhum remédio para curar ódio
Não há fumaça sem fogo, nem roca sem fuso,
não há rosa sem espinho e nem regra sem exceção
Não existe mulher sem senão, sábado sem sol, domingo sem missa
e segunda sem preguiça
Não há pior cego do que aquele que não quer ver
Nem jardim sem flores, velhos sem dores e moças sem amores
Não há sabão que lave a alma da inveja
Nem vitória sem luta
Não passe o carro na frente dos bois
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu
Quem pisa no rabo do cachorro, quer ser mordido
Ninguém esconde o amor, o fogo e a tosse
Não se amarra cachorro com lingüiça
E ninguém caça lebres tocando tambor
Não se procura sovaco em cobra
Não se tira leite de pedra
Não se vê veado baleado que não seja grande e gordo
O faminto não será tentado dando-lhe pão a cortar
Não tira bom resultado, quem vai onde não é chamado
Nas asas do tempo, a tristeza voa
Nas costas dos outros se vêm as nossas
Nas curvas da vida, entre devagar
Nem só de pão vive o homem.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Nem toda sede nos leva ao pote
Na cauda é que está o veneno
Notícia ruim chega a cavalo
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Uma segunda-feira de doer
Londres está em chamas e a bolsa caiu como em 2008. Tudo está no seu lugar?
Vale até um repeteco - The Decemberists - Don´t Carry It All.
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