Em casa, não somos de muita folia. Aproveitamos o feriado para descansar da rotina e começar outras. Desta vez começamos bem cedo. Desde a última sexta-feira, estivemos a postos a partir das seis da manhã. Há seis dias, o relógio despertou um dos meus vizinhos às seis da manhã, com a Rádio Senado tocando "Nessa noite não", do Lobão, em grande volume.
Bacana, gosto do Lobão. Ele lançou um biografia que dizem ser muito bem escrita e bem maluca. Estou curioso. Tenho alguns CDs do Lobão aqui em casa, em algum lugar. Eu comprei numa banca de revista o CD "A vida é doce". É um disco com uma história intensa, de rebeldia contra gravadoras e de luta por direito autoral. Está aqui em casa, em algum lugar.
Embora eu pretendesse dormir mais um pouco, não teve jeito. Utilizei a minha técnica do sanduíche de travesseiro com recheio de cabeça, mas não consegui abafar o rádio. Diversos minutos se passaram e então o barulho do rádio foi substituído por um bip-bip irritante que durou uma eternidade. Nessa altura, todo mundo já tinha desistido de dormir e começamos o dia.
Foi um dia intenso.
No sábado, o alarme sonoro do vizinho atacou novamente, dessa vez com a Marina interpretando "Lanterna dos Afogados". Grande Marina. Uma vez vi um show da Marina em que ela usava uma daquelas calças pretas de borracha bem coladas, parecia uma mergulhadora. Tenho um CD de "O melhor de Marina" aqui em casa, em algum lugar.
Dessa vez fiquei tentando localizar o andar e o apartamento gerador do barulho do alarme, mas sem sucesso. Moro num prédio onde é possível escutar uma pessoa escovar os 28 dentes, um por um, mas é impossível saber em qual banheiro isso está acontecendo.
Deixei prá lá. No sábado fizemos grandes coisas.
No domingo, na segunda, na terça e hoje, quarta-feira, o alarme nos despertou no horário. No domingo a Rádio Senado tocou Alagados, dos Paralamas. Na segunda, tocou uma música chata da Maria Rita. E na terça, soltaram "Bem que se quis" da Marisa Monte. Não lembro o que tocou nesta quarta-feira, porque acordar de mau-humor estraga a memória das pessoas.
Amanhã retomo uma nova velha rotina revisitada. Dizem que depois do carnaval é que as coisas começam a funcionar neste país. Eu torço para que comecem mesmo. Agora eu olho pela janela e vejo que não existem mais vagas no estacionamento do prédio. Sinal de que todo mundo já voltou das festas.
Felizmente, amanhã usarei o meu próprio alarme para acordar às seis da manhã.
quarta-feira, 9 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Ainda desligado
Bons empregos são raros. Os bons empregos estão cada vez mais difíceis de manter. O mundo vive uma crise de empregos. Se você encontrar um bom emprego, agarre-o com unhas e dentes. Todos os lugares comuns sobre emprego e empregabilidade atravessam a sua cabeça quando você recebe a notícia do seu desligamento imediato. Comigo também foi assim.
A primeira coisa em que pensei foi na reforma. Pô, eu estou no meio de uma reforma e sou desligado. Cacetada! Depois eu pensei nos pré-datados. Caramba, estou com um monte de pré-datados fabulosos até o mês de maio. Aí pensei no cheque especial.
Mas depois pensei que para tudo há solução. E como nesta noite começa o carnaval e todo mundo começa a voltar ao normal somente na quarta-feira, resolvi adiar os planos salvadores até lá.
A primeira coisa em que pensei foi na reforma. Pô, eu estou no meio de uma reforma e sou desligado. Cacetada! Depois eu pensei nos pré-datados. Caramba, estou com um monte de pré-datados fabulosos até o mês de maio. Aí pensei no cheque especial.
Mas depois pensei que para tudo há solução. E como nesta noite começa o carnaval e todo mundo começa a voltar ao normal somente na quarta-feira, resolvi adiar os planos salvadores até lá.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Empacotando tudo rapidinho
Se você sentiu o cheiro da sua própria pele fritando no trabalho, deixe as gavetas prontas para serem esvaziadas rapidinho. O melhor mesmo é não juntar aquele monte de tranqueiras durante o seu período de trabalho. Mas eu sei o quanto é difícil manter o bom senso e evitar se apegar aos lugares, aos cubículos, às máquinas de capuccino e até àquela conversa fiada prazeirosa dos momentos de descontração e relaxamento.
Dessa vez eu evitei levar as tranqueiras embora. Fiz uma seleção de itens de algum valor monetário e desprezei solenemente toda a tranqueira sentimental. Os bonecos da Família Sympson(brindes da lanchonete), os robôs de papel cuidadosamente montados e colados, dois brinquedos de kinder ovo e um imã de geladeira que ganhei de lembrança de alguém que foi a Aracaju. Joguei tudo no lixo. Também joguei fora a minha coleção de jogos da mega-sena e deixei para trás a minha lata de moedas de troco para emergências. As dezenas de figurinhas de chicletes também foram para a lixeira. Só depois que fui embora é que me lembrei que tinha pelo menos três reais em moedas de cinco e dez centavos na lata.
Desprezei a papelada. Já houve um tempo em que tratava de recolher exemplos interessantes de trabalhos realizados, publicações, cds, etc. Mas depois de algum tempo eu finalmente percebi que ninguém, até hoje, me contratou porque fui capaz de fazer algumas coisas, mas por acreditar que eu seria capaz de fazer outras mais e melhores.
Ao esvaziar uma gaveta no local de trabalho é fundamental se perguntar se vai valer a pena carregar todo aquele peso até a porta de saída. É preciso calcular mentalmente a distância a ser percorrida e multiplicar o esforço físico por quatro, porque o peso das coisas aumenta uma enormidade até o tapete de entrada. Ou saída.
Dessa vez eu fiz o cálculo a tempo. Mesmo depois da minha seleção criteriosa, eu havia colocado um monte de coisas numa pequena caixa de papelão. Felizmente percebi que não queria ser visto com aquele trambolho nas mãos. Despejei a caixa de papelão no lixo. Eram só coisas que eu não queria mais ver.
Quando eu saí, a guardete se levantou para me dar um abraço e dizer que lamentava muito.
_Tenho certeza de que logo, logo, o senhor arruma uma outra colocação - ela disse.
E foi só então que eu comecei a ficar realmente muito preocupado. Mas enquanto eu ainda estava no elevador intelectual do edifício meio burrinho, eu já sabia que teria que escrever sobre a minha demissão durante esta semana. Amanhã eu conto mais um pouco.
Dessa vez eu evitei levar as tranqueiras embora. Fiz uma seleção de itens de algum valor monetário e desprezei solenemente toda a tranqueira sentimental. Os bonecos da Família Sympson(brindes da lanchonete), os robôs de papel cuidadosamente montados e colados, dois brinquedos de kinder ovo e um imã de geladeira que ganhei de lembrança de alguém que foi a Aracaju. Joguei tudo no lixo. Também joguei fora a minha coleção de jogos da mega-sena e deixei para trás a minha lata de moedas de troco para emergências. As dezenas de figurinhas de chicletes também foram para a lixeira. Só depois que fui embora é que me lembrei que tinha pelo menos três reais em moedas de cinco e dez centavos na lata.
Desprezei a papelada. Já houve um tempo em que tratava de recolher exemplos interessantes de trabalhos realizados, publicações, cds, etc. Mas depois de algum tempo eu finalmente percebi que ninguém, até hoje, me contratou porque fui capaz de fazer algumas coisas, mas por acreditar que eu seria capaz de fazer outras mais e melhores.
Ao esvaziar uma gaveta no local de trabalho é fundamental se perguntar se vai valer a pena carregar todo aquele peso até a porta de saída. É preciso calcular mentalmente a distância a ser percorrida e multiplicar o esforço físico por quatro, porque o peso das coisas aumenta uma enormidade até o tapete de entrada. Ou saída.
Dessa vez eu fiz o cálculo a tempo. Mesmo depois da minha seleção criteriosa, eu havia colocado um monte de coisas numa pequena caixa de papelão. Felizmente percebi que não queria ser visto com aquele trambolho nas mãos. Despejei a caixa de papelão no lixo. Eram só coisas que eu não queria mais ver.
Quando eu saí, a guardete se levantou para me dar um abraço e dizer que lamentava muito.
_Tenho certeza de que logo, logo, o senhor arruma uma outra colocação - ela disse.
E foi só então que eu comecei a ficar realmente muito preocupado. Mas enquanto eu ainda estava no elevador intelectual do edifício meio burrinho, eu já sabia que teria que escrever sobre a minha demissão durante esta semana. Amanhã eu conto mais um pouco.
quarta-feira, 2 de março de 2011
A mensagem adequada
Muitas pessoas, ao serem demitidas, acham de bom tom enviar uma mensagem final por e-mail aos colegas. Algumas preparam longos textos filosóficos, enaltecendo amizades e ressaltando episódios engraçados e bons momentos vividos ao lado dos colegas. Já vi até powerpoints super-elaborados de despedida. Uma vez um cara mandou um filminho de adeus e entupiu o meu e-mail.
Outras pessoas relembram passagens tocantes, em que fulano e beltrano contribuíram decisivamente para que um grande obstáculo fosse superado, para que uma meta fosse atingida, para que um bônus fosse alcançado. Não tenho nada contra esse tipo de mensagem, desde que ela tenha um caráter privado, particular e não extrapole a capacidade da minha caixa de mensagens.
Às vezes, no entanto, a pessoa é muito extrovertida e ao invés de enviar uma mensagem em caráter individual ou para um grupo bem restrito de pessoas, manda para a caixa de todos os funcionários da empresa. Em geral, ela convida todo mundo para uma despedida no boteco. Usa palavras singelas. "Não perca o meu bota-fora". "Conto com você para encher a cara no dia em que levei um chute na lata". "Vamos lá, Manezada, eu reservei a mesa mas vocês é que vão pagar a conta".
Já vi umas despedidas bem malucas e divertidas, mas acho os convites para "pé-na-bunda" umas coisas constrangedoras e embaraçosas. Por mais que a pessoa extrovertida seja um sucesso e uma campeã popular, a mensagem será lida com indiferença pela maioria dos destinatários. Isso acontecerá porque a partir do momento em que você se despede, a maioria das pessoas passará a tratá-lo como você é, ou seja, como um ex-colega. Poucas pessoas convivem com naturalidade com um ex-colega, sem demonstrar paternalismo ou um disfarçado desdém. No final do dia, alguém vai dizer que faltou uma vírgula ou um acento na sua mensagem e que você foi demitido, entre outras coisas, pelo seu péssimo português.
Por isso, acho mais importante mandar uma mensagem curta e bem direta para alguns poucos escolhidos, pessoas com quem você sempre contou durante aqueles anos de trabalho. Deixe o telefone e o e-mail. Não é preciso lembrar de todos os bons companheiros e amigas. Na saída, o melhor é errar por pouco. Mande a mensagem individualmente ou com cópia oculta para o pequeno grupo dos "escolhidos". Não mande para todos os funcionários da empresa. Os amigos, durante toda a vida, contamos nos dedos das mãos. Se temos sorte, colocamos na conta os dedos dos pés. A mensagem adequada, acredite, nunca é remetida por e-mail.
Mas não é apenas a despedida eletrônica que pode se tornar uma chatice melosa ou um incômodo imprevisto. Também acho embaraçosa e confusa a hora da despedida pessoal. Existem algumas pessoas em que é inevitável um abraço apertado ou um forte aperto de mão. É muito importante, nessa hora, manter o olhar firme e segurar a emoção. Desconfie das pessoas que se descabelam na hora da despedida. Grave na memória os que se prestarão a indicar seus erros e a lhe dar conselhos. Muitas pessoas, por mais juras que façam de que vão ligar e manter contato, jamais tornarão a vê-lo ou ouví-lo. Algumas do pequeno círculo de "escolhidos" não se lembrarão do seu nome ao fim de um mês.
As pessoas amigas ficam curiosas para saber o motivo do seu desligamento imediato, por mais obscuro que esse motivo seja para você mesmo. Os ex-colegas querem saber o motivo principalmente, e isso é super natural e válido, para auto-proteção. Muitos querem saber onde você errou para que não cometam os mesmos erros. Outros querem saber com quem você discutiu, para evitar problemas com o seu provável antagonista. Uns poucos acham que a organização onde trabalham se parece muito com um macaco que confunde o próprio rabo com uma banana. Jamais fale mal de um ex-colega, mesmo daquele que o traiu vexaminosamente. O mundo dá muitas e muitas voltas.
É preciso ter uma coisa bem clara na cabeça. Ninguém é chamado à sala de gerência de pessoal impunemente. Ou é coisa boa, ou é coisa ruim.
Eu não queria alarmar ninguém, mas neste ano, as coisas ruins deverão ser mais comuns.
Por mais que você seja um excelente ator, receber a notícia do desligamento imediato é sempre uma paulada na moleira. Então, ao sair da sala de recursos humanos, não adianta encher o peito e prender a respiração, as pessoas vão perceber os seus ombros caídos e aquele tremor involuntário da sobrancelha esquerda. Quer saber? No final das contas, não existem despedidas felizes. Apenas saia depressa e vá arrumar as suas coisas. É importante não deixar entulho para trás. Mas isso é assunto para amanhã.
Outras pessoas relembram passagens tocantes, em que fulano e beltrano contribuíram decisivamente para que um grande obstáculo fosse superado, para que uma meta fosse atingida, para que um bônus fosse alcançado. Não tenho nada contra esse tipo de mensagem, desde que ela tenha um caráter privado, particular e não extrapole a capacidade da minha caixa de mensagens.
Às vezes, no entanto, a pessoa é muito extrovertida e ao invés de enviar uma mensagem em caráter individual ou para um grupo bem restrito de pessoas, manda para a caixa de todos os funcionários da empresa. Em geral, ela convida todo mundo para uma despedida no boteco. Usa palavras singelas. "Não perca o meu bota-fora". "Conto com você para encher a cara no dia em que levei um chute na lata". "Vamos lá, Manezada, eu reservei a mesa mas vocês é que vão pagar a conta".
Já vi umas despedidas bem malucas e divertidas, mas acho os convites para "pé-na-bunda" umas coisas constrangedoras e embaraçosas. Por mais que a pessoa extrovertida seja um sucesso e uma campeã popular, a mensagem será lida com indiferença pela maioria dos destinatários. Isso acontecerá porque a partir do momento em que você se despede, a maioria das pessoas passará a tratá-lo como você é, ou seja, como um ex-colega. Poucas pessoas convivem com naturalidade com um ex-colega, sem demonstrar paternalismo ou um disfarçado desdém. No final do dia, alguém vai dizer que faltou uma vírgula ou um acento na sua mensagem e que você foi demitido, entre outras coisas, pelo seu péssimo português.
Por isso, acho mais importante mandar uma mensagem curta e bem direta para alguns poucos escolhidos, pessoas com quem você sempre contou durante aqueles anos de trabalho. Deixe o telefone e o e-mail. Não é preciso lembrar de todos os bons companheiros e amigas. Na saída, o melhor é errar por pouco. Mande a mensagem individualmente ou com cópia oculta para o pequeno grupo dos "escolhidos". Não mande para todos os funcionários da empresa. Os amigos, durante toda a vida, contamos nos dedos das mãos. Se temos sorte, colocamos na conta os dedos dos pés. A mensagem adequada, acredite, nunca é remetida por e-mail.
Mas não é apenas a despedida eletrônica que pode se tornar uma chatice melosa ou um incômodo imprevisto. Também acho embaraçosa e confusa a hora da despedida pessoal. Existem algumas pessoas em que é inevitável um abraço apertado ou um forte aperto de mão. É muito importante, nessa hora, manter o olhar firme e segurar a emoção. Desconfie das pessoas que se descabelam na hora da despedida. Grave na memória os que se prestarão a indicar seus erros e a lhe dar conselhos. Muitas pessoas, por mais juras que façam de que vão ligar e manter contato, jamais tornarão a vê-lo ou ouví-lo. Algumas do pequeno círculo de "escolhidos" não se lembrarão do seu nome ao fim de um mês.
As pessoas amigas ficam curiosas para saber o motivo do seu desligamento imediato, por mais obscuro que esse motivo seja para você mesmo. Os ex-colegas querem saber o motivo principalmente, e isso é super natural e válido, para auto-proteção. Muitos querem saber onde você errou para que não cometam os mesmos erros. Outros querem saber com quem você discutiu, para evitar problemas com o seu provável antagonista. Uns poucos acham que a organização onde trabalham se parece muito com um macaco que confunde o próprio rabo com uma banana. Jamais fale mal de um ex-colega, mesmo daquele que o traiu vexaminosamente. O mundo dá muitas e muitas voltas.
É preciso ter uma coisa bem clara na cabeça. Ninguém é chamado à sala de gerência de pessoal impunemente. Ou é coisa boa, ou é coisa ruim.
Eu não queria alarmar ninguém, mas neste ano, as coisas ruins deverão ser mais comuns.
Por mais que você seja um excelente ator, receber a notícia do desligamento imediato é sempre uma paulada na moleira. Então, ao sair da sala de recursos humanos, não adianta encher o peito e prender a respiração, as pessoas vão perceber os seus ombros caídos e aquele tremor involuntário da sobrancelha esquerda. Quer saber? No final das contas, não existem despedidas felizes. Apenas saia depressa e vá arrumar as suas coisas. É importante não deixar entulho para trás. Mas isso é assunto para amanhã.
terça-feira, 1 de março de 2011
Desligamento imediato
O despojamento é a primeira evidência do seu desligamento imediato. É assim que eles falam hoje em dia, quando você fica sabendo que perdeu o emprego. Quando você é chamado ao Departamento de Pessoal, a primeira coisa que lhe pedem é o crachá de acesso ao edifício. Em seguida, vem o recolhimento dos cartões de saúde, do plano dentário e as chaves dos armários. Caso você tenha um cartão de garagem, você também é chamado a devolvê-lo. Ah, e se houver um telefone blackberry da empresa, você também é convidado a retorná-lo.
Tudo é muito polido, sereno e cheio de verbos e pronomes oblíquos quando você é demitido. Eles também te comunicam que o seu acesso à rede será bloqueado em alguns minutos, durante aquela conversa. Mas se você quiser gravar alguma coisa, poderá fazer uma solicitação para isso, mais tarde. Muito mais tarde. E é lógico que você não quer saber de gravar nada e só pensa em dar o fora dali o mais rapidamente possível.
Você é comunicado de um bocado de coisas quando é desligado de imediato. E por um
tempo, você se sente uma máquina que foi desligada de uma maneira bem impessoal, como se alguém apenas tivesse apertado um botão. Você se sente uma máquina desnecessária que deseja se mandar dali o mais depressa possível. Por mais que a gerência de pessoal seja bem educada e se esforce para lhe dar a impressão de que não tem nada a ver com aquilo. E até lhe garanta que está tão surpresa quanto você.
Tudo é muito polido, sereno e cheio de verbos e pronomes oblíquos quando você é demitido. Eles também te comunicam que o seu acesso à rede será bloqueado em alguns minutos, durante aquela conversa. Mas se você quiser gravar alguma coisa, poderá fazer uma solicitação para isso, mais tarde. Muito mais tarde. E é lógico que você não quer saber de gravar nada e só pensa em dar o fora dali o mais rapidamente possível.
Você é comunicado de um bocado de coisas quando é desligado de imediato. E por um
tempo, você se sente uma máquina que foi desligada de uma maneira bem impessoal, como se alguém apenas tivesse apertado um botão. Você se sente uma máquina desnecessária que deseja se mandar dali o mais depressa possível. Por mais que a gerência de pessoal seja bem educada e se esforce para lhe dar a impressão de que não tem nada a ver com aquilo. E até lhe garanta que está tão surpresa quanto você.
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