As chuvas castigam um pouco e voltamos a falar de mortes. Todos os anos. Como sempre, chove mais do que deveria ter chovido em determinado período de tempo. E todo mundo trata logo de encostar o bumbum na parede: a Defesa Civil, os governos municipais, estaduais e federal. Os moradores de encostas, os sujeitos de boa fé que constroem em áreas de deslizamentos pagam o preço duplo da imprevidência: choram suas vítimas e lamentam ter acreditado em quem prometeu solução rápida para o que já era precário. Os outros cidadãos também se lamentam. Muitos temem que o descalabro também os atinja no próximo ano, já que o desmando, o desmanzelo, o desarranjo e a precariedade se espraiam pelas cidades.
Não tenho a pretensão de ter uma solução na manga para esses problemas. Mas tenho certeza de que passa pelo exercício pleno da cidadania de todos os lados. Do cidadão, que não pode invadir e construir onde bem entender, além de também contribuir para a preservação da área onde vive tendo cuidado, por exemplo, com o seu lixo. Também implica exercício pleno dos poderes públicos, com a oferta de serviços adequados, inclusive no que se refere ao lixo e ambiente, e também no rigor e combate a novas invasões e construções.
Onde o mal já está feito, é preciso seriedade para encontrar uma solução mais rápida e definitiva sobre o assunto, com a regularização das áreas e compromisso público para assegurar sua salubridade sob qualquer tipo de tempo, com a quantidade de chuva que for. Isso exige participação ativa dos moradores da cidade e atuação vigilante dos seus representantes. Os pactos devem ser construídos publicamente, com prestações de contas igualmente públicas.
Já cansei de ver anúncio de governo, de que milhões serão investidos nisso e naquilo outro e as notícias trágicas se repetirem. Acho até que pioraram com o passar do tempo. De fato, sem mobilização organizada e ativa para que essas soluções sejam pactuadas, receio que tudo poderá se repetir com novas vítimas nos próximos temporais.
E todo o resto também: a mobilização solidária inicial, a organização de um gigantesco arranjo de instituições para recolher, organizar e remeter doações, o furto desordenado e descalibrado das doações ou sua mera apropriação indébita, a fatura política de aproveitadores, etc.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Dinossauros

Meu filho adora dinossauros. Ele devora enciclopédias sobre os dinos e absorve uma quantidade enorme de informações sobre os grandes lagartos.
_Pai, se você fosse um dinossauro, você queria ser qual?
_Um tiranossauro rex, é claro.
_Não, pai. O melhor é ser um espinhossauro. Eles eram muito mais bravos. Além disso, os braços do Rex são muito curtos, não dão pra nada.
_E os braços do espinhossauro, como eram?
_Eram fortes. E as garras eram bem grandes.
_Então eu queria ser espinhossauro.
_Mas e se você fosse um composognato? - ele disse.
_O que é um composognato?
_É um dino dos pequenos, pai. Bem pequenos.
_Se eu fosse um dos compos, eu queria ser bem rápido.
_Eles corriam muito, pai. Senão eram devorados pelos outros.
_Então eu queria ser um dos mais velozes.
_Os pequenos também conseguiam se esconder bem depressa - ele disse.
_Então eu queria ser um dos menores, para me esconder ainda melhor. Não. Eu queria ser daqueles que lançam veneno, igual aquele do Jurassic Park, lembra? Ou então um tricerátops. Como chama aquele com umas placas nas costas? Estegossauro? Pois então, eu queria ser estegossauro. Ou então o pterodáctilo, voando e atacando os lagartos gigantes, vrum. Não, não, eu queria ser era aquele nervoso, com uma garra enorme na pata, o ...
_Chega, pai.
_Nós, dinossauros, lutamos muito pela sobrevivência...
_Chega.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
A imprensa golpista e o Careca
Eu procuro a imprensa golpista desde que a expressão foi cunhada por aquele jornalista que foi da Grobo. Eu passo todos os dias na banca e fico lendo as manchetes dos jornais e não encontro a imprensa golpista. Mas acho fácil, muito fácil, um monte de jornais e revistas cheios de manchetes bajuladoras e artigos baba-ovo.
No meio de cadernos e mais cadernos de folhas derivadas de press-releases e de artigos lambedores, de vez em quando leio uma coluna modesta e humilde com alguma conexão com a realidade. Mas, na maioria das vezes, ler os jornais é um exercício de abandono à propaganda oficial ou ao simples jabaculê de interesses mercantis.
Não tenho nada contra os interesses mercantis, por sinal. Considero muitos deles legítimos. O que mais encontro e acho chato é o jabaculê, a mentira descarada sobre uma coisa ou alguém que sabidamente não vale o que o gato enterra. Com alguma sorte encontro um simulacro de informação precisa e bem apresentada. É bem melhor do que nada. Em geral, no entanto, é só casquinha de notícia, fulano disse, beltrano falou, não valem um nariz de cera furado com piercing.
Estou sempre mal-informado, mas otimamente desinformado e contra-informado. A imprensa golpista, penso eu, poderia me ajudar a desvendar os mistérios de tantos interesses ocultos e o motivo de tanta coisa estar sendo apresentada sem eira nem beira, sem que se procure localizar os porquês, causas, motivos e consequências. Essa imprensa desnudaria a verdade sobre um monte de coisas, revelaria dossiês inauditos. Sem nenhum pudor, a imprensa golpista despojaria mitos e exibiria orgulhosamente as partes mais íntimas de complôs e insurreições.
Eu procuro a imprensa golpista com essa esperança, mas acho que para encontrá-la é necessário adotar algum tipo de procedimento especial ou um utensílio diferente.
Outro dia vi numa loja uma TV 3D, com óculos especiais. Fiquei encantado. Pensei comigo que talvez a imprensa golpista só fosse visível com um óculos especial desse tipo, bem escuro ou em 4D. Mas é lógico que fantasiei. A imprensa golpista existe e é uma coisa bem palpável, um monte de gente no governo vive se referindo a ela. Alguns caras do governo, os mais espertos e sagazes, conseguem enxergá-la muito bem nas entrelinhas do que não consigo ver nem ler. Eu sou um pateta, é claro. Nessas horas em que os sujeitos mais geniais do governo - ou mesmo experientes jornalistas avessos ao jabaculê e ao patrocínio estatal - apontam para a imprensa golpista eu corro para ver se pego a danada.
_Isso é coisa da imprensa golpista - disse, outro dia, um sujeito muito importante do governo num telejornal.
Eu olhei, olhei, olhei e não vi nada. Mas eu estava longe da TV quando a notícia começou. Por isso, esperei outro telejornal para ver a mesma reportagem em outro canal. Lá estava o mesmo figurão muito importante falando da imprensa golpista. Eu olhei e nada. No último telejornal da noite eu estava lá, firme. E novamente, o figurão dizia alhos e bugalhos sobre a imprensa golpista. Não consegui ver nada da imprensa golpista. Nem rastro. Ou então eu sou míope de golpismo.
Comecei a pensar que só vou ver essa imprensa quando ela me acertar um karatê ou me passar uma rasteira. Depois percebi que só gente do governo ou quem é governista que fala da imprensa golpista, já viu, ouviu, leu e não gostou e sabe que ela existe de verdade. E é terrível. Avassaladora. Mentirosa. Traiçoeira. Gostosa! Caramba! Com um bom photoshop, tenho certeza de que ainda vou vê-la nas páginas centrais de uma revista masculina. De outro país, é claro.
No meio de cadernos e mais cadernos de folhas derivadas de press-releases e de artigos lambedores, de vez em quando leio uma coluna modesta e humilde com alguma conexão com a realidade. Mas, na maioria das vezes, ler os jornais é um exercício de abandono à propaganda oficial ou ao simples jabaculê de interesses mercantis.
Não tenho nada contra os interesses mercantis, por sinal. Considero muitos deles legítimos. O que mais encontro e acho chato é o jabaculê, a mentira descarada sobre uma coisa ou alguém que sabidamente não vale o que o gato enterra. Com alguma sorte encontro um simulacro de informação precisa e bem apresentada. É bem melhor do que nada. Em geral, no entanto, é só casquinha de notícia, fulano disse, beltrano falou, não valem um nariz de cera furado com piercing.
Estou sempre mal-informado, mas otimamente desinformado e contra-informado. A imprensa golpista, penso eu, poderia me ajudar a desvendar os mistérios de tantos interesses ocultos e o motivo de tanta coisa estar sendo apresentada sem eira nem beira, sem que se procure localizar os porquês, causas, motivos e consequências. Essa imprensa desnudaria a verdade sobre um monte de coisas, revelaria dossiês inauditos. Sem nenhum pudor, a imprensa golpista despojaria mitos e exibiria orgulhosamente as partes mais íntimas de complôs e insurreições.
Eu procuro a imprensa golpista com essa esperança, mas acho que para encontrá-la é necessário adotar algum tipo de procedimento especial ou um utensílio diferente.
Outro dia vi numa loja uma TV 3D, com óculos especiais. Fiquei encantado. Pensei comigo que talvez a imprensa golpista só fosse visível com um óculos especial desse tipo, bem escuro ou em 4D. Mas é lógico que fantasiei. A imprensa golpista existe e é uma coisa bem palpável, um monte de gente no governo vive se referindo a ela. Alguns caras do governo, os mais espertos e sagazes, conseguem enxergá-la muito bem nas entrelinhas do que não consigo ver nem ler. Eu sou um pateta, é claro. Nessas horas em que os sujeitos mais geniais do governo - ou mesmo experientes jornalistas avessos ao jabaculê e ao patrocínio estatal - apontam para a imprensa golpista eu corro para ver se pego a danada.
_Isso é coisa da imprensa golpista - disse, outro dia, um sujeito muito importante do governo num telejornal.
Eu olhei, olhei, olhei e não vi nada. Mas eu estava longe da TV quando a notícia começou. Por isso, esperei outro telejornal para ver a mesma reportagem em outro canal. Lá estava o mesmo figurão muito importante falando da imprensa golpista. Eu olhei e nada. No último telejornal da noite eu estava lá, firme. E novamente, o figurão dizia alhos e bugalhos sobre a imprensa golpista. Não consegui ver nada da imprensa golpista. Nem rastro. Ou então eu sou míope de golpismo.
Comecei a pensar que só vou ver essa imprensa quando ela me acertar um karatê ou me passar uma rasteira. Depois percebi que só gente do governo ou quem é governista que fala da imprensa golpista, já viu, ouviu, leu e não gostou e sabe que ela existe de verdade. E é terrível. Avassaladora. Mentirosa. Traiçoeira. Gostosa! Caramba! Com um bom photoshop, tenho certeza de que ainda vou vê-la nas páginas centrais de uma revista masculina. De outro país, é claro.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Um guarda-chuva velho
Uma das melhores fontes de pequenas hastes metálicas que existem são os guarda-chuvas. E outro dia eu vi um guarda-chuva num contêiner de obra. Sem pensar muito, peguei a coisa e tratei de começar a retirar os arames e as varetas. Desse modo, consegui obter o material para a reconstrução do trem de pouso de um triplano que montei há uns quinze anos. O avião estava com o balanço todo empenado e coberto de diferentes tipos de cola. Tive que limpar tudo com cuidado e só depois disso é que descobri que foram tantas colagens e recolagens que as peças já não existiam, eram apenas superbonder e pequenos pedacinhos de plástico que formavam a estrutura.
Não era de se admirar que o aviãozinho estivesse tão torto e fragilizado. O eixo das rodas também era uma mistura de alfinetes e estilhaços, uma barafunda torta que alguém tinha pintado de vermelho. Tudo precário e ruim. Tratei de substituir o eixo por uma vareta do guarda-chuva, que cortei na medida certa com um alicate.
Eu poderia ter jogado o triplano no lixo, mas prefiro resgatá-lo aos poucos, com cuidado. O triplano não é o marco de um momento especial da minha vida, nem possui um significado simbólico para mim. É só um avião que montei, numa época em que eu gostava muito de ficar montando aviões de plástico e de madeira balsa com papel de seda.
Não estou querendo resgatar esse período da minha vida, nem ao menos reviver emoções e pensamentos. Não existe um motivo específico para que eu esteja fazendo isso. Talvez não seja muito fácil encontrar biplanos e triplanos nas lojas da cidade, mas hoje a internet facilita a aquisição de qualquer coisa. Eu poderia comprar outro triplano usando o cartão de crédito. Mas tenho o maior interesse em garantir uma aparência mais sólida para esse triplano específico. Acho que as partes de metal que tirei do guarda-chuva vão proporcionar essa sensação de solidez. Penso em deixar as hastes da cor em que as encontrei, prateadas. Talvez tenha que refazer algumas junções com massa e substituir algumas linhas partidas, vou ter avaliar isso mais tarde.
Não sei o que acontece quando estou em meio a algumas atividades. Lixar, cortar, pintar, desenhar e escrever sempre me deixaram um pouco inebriado, talvez eu tenha facilidade para a introspecção e a abstração.
Não era de se admirar que o aviãozinho estivesse tão torto e fragilizado. O eixo das rodas também era uma mistura de alfinetes e estilhaços, uma barafunda torta que alguém tinha pintado de vermelho. Tudo precário e ruim. Tratei de substituir o eixo por uma vareta do guarda-chuva, que cortei na medida certa com um alicate.
Eu poderia ter jogado o triplano no lixo, mas prefiro resgatá-lo aos poucos, com cuidado. O triplano não é o marco de um momento especial da minha vida, nem possui um significado simbólico para mim. É só um avião que montei, numa época em que eu gostava muito de ficar montando aviões de plástico e de madeira balsa com papel de seda.
Não estou querendo resgatar esse período da minha vida, nem ao menos reviver emoções e pensamentos. Não existe um motivo específico para que eu esteja fazendo isso. Talvez não seja muito fácil encontrar biplanos e triplanos nas lojas da cidade, mas hoje a internet facilita a aquisição de qualquer coisa. Eu poderia comprar outro triplano usando o cartão de crédito. Mas tenho o maior interesse em garantir uma aparência mais sólida para esse triplano específico. Acho que as partes de metal que tirei do guarda-chuva vão proporcionar essa sensação de solidez. Penso em deixar as hastes da cor em que as encontrei, prateadas. Talvez tenha que refazer algumas junções com massa e substituir algumas linhas partidas, vou ter avaliar isso mais tarde.
Não sei o que acontece quando estou em meio a algumas atividades. Lixar, cortar, pintar, desenhar e escrever sempre me deixaram um pouco inebriado, talvez eu tenha facilidade para a introspecção e a abstração.
sábado, 8 de janeiro de 2011
O furto do Papai Noel
Hoje descobrimos que alguém furtou o Papai Noel que havíamos grudado na porta. É a segunda vez que furtam o nosso enfeite de Natal. Tudo bem, oito de janeiro é o dia de desmontar a árvore, começar a guardar as coisas e deveríamos mesmo ter feito tudo isso. Ao invés disso, resolvemos começar o dia produtivamente planejando reformas e outras formas de gastar dinheiro com os nossos caprichos.
Ao voltarmos de um exaustivo dia de festejos e folguedos, não encontramos mais o enfeite. Era de madeira recortada e pintada. Nada muito caro, mas de bom gosto. Um velhinho de barba branca desejando Feliz Natal a todos e boas festas. Tão tradicional quanto pinguim de geladeira.
Tenho absoluta certeza de que uma pessoa que furta Papais Noéis também é capaz de furtar pinguim e até imã de geladeira. Existem poucos degraus mais baixos na escala de vilania dos seres humanos. Na escala de Dante Aleghieri, tenho certeza de que a condenação por furtar Papai Noel está em algum lugar entre prevaricar e receber passaporte diplomático por ser filhinho de papai. Está no mesmo nível de quem paga conta de motel com verba parlamentar ou de quem sai de um palácio com quinze caminhões cheios de "presentes".
Sim, é ir muito longe por causa de um Papai Noel de madeira. Mas quem rouba um símbolo é capaz de qualquer coisa e não merece nenhum respeito. O ladrão que furta um Santa Claus também furta crucifixo, cálice, relicário, solidéu, pé-de-pato-mangalô e figa. Quem furta o símbolo é ruim, mas quem se atreve a denegrir o simbolismo e a macular o valor simbólico que aprendemos a dar às coisas é pior ainda.
Depois fiquei pensando a que horas o ladrão agiu. Aqui em casa temos horários bem erráticos, mas previsíveis. O cara, provavelmente, sabia que iríamos demorar a sair de casa e resolveu agir de madrugada, é claro. Ou então, no meio da tarde de sábado, quando eu costumo estar tão desperto e ativo quanto uma preguiça gigante.
O fogo é que a bandidagem está escolada demais, todo mundo fez MBA à distância, assistindo aos políticos da Nação em tempo real. Seja como for, se eu tivesse surpreendido o ladrão tenho certeza de que ele tentaria me enrolar, primeiro negando veementemente que o Papai Noel na sua mão não estava, realmente, na sua mão. Depois ele diria que não sabia que aquilo era um Papai Noel, pois pensou que fosse um duende ou um elfo. Apareceria um comparsa e diria que na verdade aquele Papai Noel era dele, do comparsa, que apresentaria recibo, nota fiscal e um publicitário carequinha e de confiança para confirmar a história. Por último ele diria que era verdade, aquilo era mesmo um papai noel, mas que todo mundo pega e aquilo não era nada demais, não é mesmo?
Ao voltarmos de um exaustivo dia de festejos e folguedos, não encontramos mais o enfeite. Era de madeira recortada e pintada. Nada muito caro, mas de bom gosto. Um velhinho de barba branca desejando Feliz Natal a todos e boas festas. Tão tradicional quanto pinguim de geladeira.
Tenho absoluta certeza de que uma pessoa que furta Papais Noéis também é capaz de furtar pinguim e até imã de geladeira. Existem poucos degraus mais baixos na escala de vilania dos seres humanos. Na escala de Dante Aleghieri, tenho certeza de que a condenação por furtar Papai Noel está em algum lugar entre prevaricar e receber passaporte diplomático por ser filhinho de papai. Está no mesmo nível de quem paga conta de motel com verba parlamentar ou de quem sai de um palácio com quinze caminhões cheios de "presentes".
Sim, é ir muito longe por causa de um Papai Noel de madeira. Mas quem rouba um símbolo é capaz de qualquer coisa e não merece nenhum respeito. O ladrão que furta um Santa Claus também furta crucifixo, cálice, relicário, solidéu, pé-de-pato-mangalô e figa. Quem furta o símbolo é ruim, mas quem se atreve a denegrir o simbolismo e a macular o valor simbólico que aprendemos a dar às coisas é pior ainda.
Depois fiquei pensando a que horas o ladrão agiu. Aqui em casa temos horários bem erráticos, mas previsíveis. O cara, provavelmente, sabia que iríamos demorar a sair de casa e resolveu agir de madrugada, é claro. Ou então, no meio da tarde de sábado, quando eu costumo estar tão desperto e ativo quanto uma preguiça gigante.
O fogo é que a bandidagem está escolada demais, todo mundo fez MBA à distância, assistindo aos políticos da Nação em tempo real. Seja como for, se eu tivesse surpreendido o ladrão tenho certeza de que ele tentaria me enrolar, primeiro negando veementemente que o Papai Noel na sua mão não estava, realmente, na sua mão. Depois ele diria que não sabia que aquilo era um Papai Noel, pois pensou que fosse um duende ou um elfo. Apareceria um comparsa e diria que na verdade aquele Papai Noel era dele, do comparsa, que apresentaria recibo, nota fiscal e um publicitário carequinha e de confiança para confirmar a história. Por último ele diria que era verdade, aquilo era mesmo um papai noel, mas que todo mundo pega e aquilo não era nada demais, não é mesmo?
Assinar:
Postagens (Atom)