quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Wiki, o sabe-tudo

No trabalho apelidamos um sujeito de "Wiki". Ele tem resposta pra tudo. É uma wikipédia wireless e ambulante. O "Wiki" responde as coisas até dentro do elevador. Qual é o PIB da Nova Zelândia? O "Wiki" sabe. Quando foram as últimas eleições do Gana? O "Wiki" responde na lata. Quem escrevia os discursos para Itamar Franco? O "Wiki" tem até o telefone do sujeito. Muitos olham para o "Wiki" com assombro.

Ninguém nunca confere as respostas do "Wiki". Eu mesmo não me dou a esse trabalho. Acho o "Wiki" um tremendo comediante. Ele sabe que eu não o levo a sério.

_Ei, "Wiki", você sabe quantos litros de sangue tem um camelo? - eu perguntei a ele, no ano passado.

_De que tamanho?

_Daqueles grandes.

_Ichi, camelo grande tem, no mínimo, 12 litros de sangue.

_Isso tudo, "Wiki"?

_É, mas isso é antes da caravana.

_E depois, "Wiki"?

_Depende de quanto o camelo bebeu de água.

_Quantos litros bebe o camelo, dos grandes?

_Sem tijolada dá uns 15 litros.

_E com a tijolada?

_O camelho faz "shhhhhhhhhh' e puxa bem uns cinco litros a mais.

O "Wiki" também não me leva a sério. Vive tentando me contar piada velha.

_Careca, você conhece aquela da vaca louca?

_Ela é um coelho.

_E o que o português falou quando viu a casca de banana?

_Ai, Maria, lá vou eu escorregaire de novo!

_E aquela do anãozinho, pulando na frente do balcão do buteco, pedindo uma cerveja...

_Só tem chopp, só tem chopp, respondia o anão do outro lado do balcão...

Mas agora, no início do ano, ninguém faz perguntas para o "Wiki". Nem eu. Mas ele insiste em tentar contar piada.

_Careca, os cachorros conversam no veterinário...

_Dois serão castrados e um vai só cortar as unhas.

_Pô.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Do que eu falo quando eu blogo no caminho

Acelerei o processo e concluí a leitura do Henry Miller. De imediato, iniciei a leitura do Murakami “Do que falo quando eu falo de corrida”. Em poucas horas, devorei metade do livro.

Não consigo encontrar uma explicação para a “fisgada” que um livro dá na gente. Ela simplesmente acontece e não há nada a fazer quanto a isso. Lembro de ter passado batido pelo livro do Murakami diversas vezes. Lembro de já ter descartado o volume pelo título diversas vezes. Lembro de já ter dito a mim mesmo que não sou muito fã de correrias. Lembro de ter folheado o livro e deixado para lá.

E aí, sem mais nem menos, pego o livro na loja e estou preso a ele. E imediatamente começa o processo “Zelig”, em que passo a pensar e usar o mesmo ritmo das frases do livro que estou lendo. Chamo isso de para-imitação, embora o Woody Allen tenha traduzido os sintomas dessa influência perniciosa de um autor melhor do ninguém com o seu Zelig.

Nunca tinha ouvido falar no Murakami. Para mim, o fator decisivo para a aquisição do livro foi uma olhadinha num trecho lá pelo final. O escritor conta que uma vez correu com o John Irving, no Central Park. Putz! Eu disse para mim mesmo que um escritor que já correu com o John Irving tem que ser um escritor que merece ser lido. Eu mesmo gostaria de correr ao lado do Irving, embora não goste muito de correr.

Na página que li ainda na livraria, Murakami contava que foi uma experiência fantástica e super-divertida correr ao lado de Irving. Ele também diz não ter sido possível gravar a conversa e nem tomar notas. E que não se lembrava muito do que haviam falado, só que a conversa tinha sido divertida e era uma bela manhã ensolarada.

Foi esse o pequeno trecho decisivo que me fez comprar o livro e iniciar a sua leitura de forma apressada. Murakami deixa bem claro que não vai tentar exprimir o inexprimível. Ele só vai escrever sobre o que é possível, da melhor maneira que encontrar. Sem querer ser pretensioso, isso é algo venho tentando fazer no Caminho do Careca desde que iniciei o blog, com altos e baixos. Mais baixos, é lógico. E se para escrever bem é sempre fundamental ler bons livros, para se blogar também é necessário ler bons blogs. Aqui ao lado tem uma lista pequena, que preciso ampliar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Fim do recesso para o Careca

Todas as vezes que começa um recesso de fim-de-ano eu faço uma lista de coisas que eu pretendo fazer. Dessa vez, a lista era bem comprida. Fiz mais da metade e estou satisfeito de começar o ano com um monte de coisas organizadas e prontas. Uma das principais tarefas foi organizar a papelada para o IRPF, além de uma ordenação geral dos papéis que a gente é obrigado a guardar.

Também arrumei o quanto pude alguns dos aeromodelos. Três biplanos e o único triplano estão em péssimo estado e por isso deixei para arrumá-los no Carnaval. Mas já guardei as partes e peças na mesma caixa, o que é um grande avanço, pois revirei o apartamento juntando pedaços espalhados por todos os lados. Vai ser bem complicado recuperar esses modelos porque algumas partes plásticas se quebraram. Talvez eu venha a substituí-las por partes metálicas. Fiz isso com um Spitfire e o resultado não foi ruim.

Nessas vasculhações atrás de peças acabei por encontrar a hélice original do Corsair. Devo passar na loja daquele camarada para devolver a hélice que ele gentilmente me cedeu.

Não li todos os livros que planejei ler. Pra falar a verdade, ainda nem terminei de ler o Henry Miller. Mas dormi tudo o que desejava dormir e descansei um bocado.

Também não iniciei o programa de exercícios físicos usando o livro que baixei da Internet. Mas curti a preguiça que eu achava que tinha que curtir. Agora estou pronto para a labuta.

Para terminar comecei o índice dos livros, discos e quadrinhos que estou juntando no HD portátil. O índice de quadrinhos está bem atrasado. Concluí o índice de livros e discos. Os dois últimos têm menos de 150 itens cada um, consegui fazer rápido. Mas o cadastro dos quadrinhos está mais complicado. Alguns arquivos estão corrompidos e estou tendo que corrigir a coleção.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tempo nublado com chuvas ininterruptas

Chove o tempo inteiro desde a véspera de ano novo. E só chove daquela chuvinha fina de verão, que de tanto insistir acaba dando a impressão de fazer frio. Como resultado, eu e os meus filhos adiamos um pouco os programas com os skates. Os dois ganharam skates e se divertiram à beça logo depois do Natal, mas as chuvas atrapalharam as tentativas de continuação da brincadeira.

Em conseqüência das chuvas, estamos presos no apartamento, inventando passatempos. Cansamos de can-can, demos um tempo no vídeo-game e desistimos do jogo da memória porque a minha filha de seis anos não deixou ninguém mais ganhar. Comecei a montar aeromodelos de papel mas cansei rápido, meu filho cansou de montar lego e dinossauro e minha filha cansou de brincar com as Polies. Minha mulher está entretida com uma novela do Nabokov que comprou há alguns dias. Ela e o Rafa, o cãozinho shi-tsu da minha filha, são os únicos que não parecem entediados. Ela adora um livro novo e o Rafa adora quando estamos todos por perto.

Outro resultado das chuvas é uma preguicite aguda que peguei. E junto com a preguicite, vem um sono danado.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O Careca começa o ano de madrugada



Aqui estou eu em 2011. E as coisas começaram bem cedo. Mais precisamente às quatro da madrugada, quando o vizinho do meu pai começou a estourar fogos de artifício pela passagem do ano. Eu, minha mulher e os meus filhos fomos dormir lá porque eu estava a fim de beber cerveja. Bebi cerveja e champagne para comemorar a passagem de ano. Duas Teresópolis e uma taças de Chandon. E às quatro da manhã o vizinho começa a estourar fogos de artifício.

O que leva um ser humano a agir de maneira tão desprezível?

Acordei de um pulo, porque o barulho foi assustador. Pensei que era o ato de um bêbado, o estouro de um foguete que sobrou num canto, um desatino. Mas não. O sujeito continuou a estourar fogos por dez minutos. Fiquei irritado porque pensei que as crianças ficariam mais assustadas do que eu, mas nem eles nem a minha mulher acordaram. Felizmente.

Enquanto os fogos estouravam, arquitetei planos de vingança imediata. Pensei em fazer coquetéis molotov e atirar na casa do vizinho. Pensei em degolar seu cachorro. Pensei em furar os pneus do carro do vizinho. Pensei em dinamitar o telhado do vizinho. Pensei em tanta coisa. Mas é lógico que não fiz nada. Fiquei arquitetando vinganças imaginárias até passar a raiva e o foguetório. E depois dormi novamente.

Acho extraordinário que uma pessoa consiga se divertir e se sentir feliz incomodando outras, voluntária e conscientemente. Todas as pessoas comemoraram e fizeram seus gritos e barulhos por volta da meia-noite, dentro do clima de celebração universal. Aquele imbecil, não. Ele esperou a festa de todos acabar para fazer a sua bagunça fora de hora, quando todos já descansavam. Cascavel peçonhenta! Foi a primeira pessoa a quem desejei um fim breve e com muita dor neste início de 2011.E o dia nem tinha amanhecido.

Depois de algumas horas de merecido descanso, às oito em ponto, acordei novamente. Dessa vez acordei preocupado com o Rafa, o cãozinho shi-tsu da minha filha. O Rafa costuma passear lá pelas sete. Os atrasos resultam em sujeira para todos os lados, então evitamos perder o horário.

Mas o ritmo da primeira manhã do ano foi vagaroso e gostosamente usufruído. Para resumir, dei de ombros para o atraso e só chegamos de volta à casa por volta do meio-dia. Rafa recebeu a todos com a alegria dos náufragos resgatados, espalhando perdigotos e mordiscando tudo o que encontrasse. E para minha surpresa, tudo estava limpinho.

Foi o melhor passeio com o cachorrinho nos últimos meses. Nem me importei com chuvinha fina que caía.

Frase do dia