quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De molho

Peguei um gripão, galera! Estou há dois dias ruim à beça. Amanhã devo voltar ao normal.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pô, vê se não esquece!



Eu recebo poucos e-mails familiares. Meus irmãos raramente mandam mensagens. Dos sobrinhos, conto nos dedos os e-mails recebidos. A Patroa escreve pouquíssimo para mim. Aliás, quando recebo e-mail da Patroa já sei que vai sobrar alguma coisa para o meu lado. É pedido para fazer alguma coisa ou reclamação por eu não ter feito outra coisa. De qualquer modo, eu sinto logo um arrepio, pois estarei sendo condenado ao final da mensagem com algo gentil como “Pô, vê se dessa vez você não esquece, hein?”. E na verdade eu não me esqueço. A Patroa tem uma sintonia tão grande comigo que ela às vezes acredita que eu sou capaz de ler a mente dela. E, talvez por isso, ela não se dê ao trabalho de me dizer as coisas.

É super legal. De verdade. Eu me sinto como se estivesse participando de um espetáculo de mágica, como auxiliar do truque do coelho e o mágico me pedisse o serrote.

Outro dia mesmo, era sábado, ela me deu uma cotovelada às seis da manhã e disse assim:
_Hoje é sua vez.
_Vez de quê? – eu balbuciei, ainda de olhos fechados por uma tonelada e meia de sono.
_De ficar com as crianças. Levanta.
_Hum-hum – eu disse, claramente em concordância.
_Levanta, benhê, é sua vez. Você combinou.
_Hummmmm – insisti.
_PÔ, CARECA, QUER LEVANTAR E FICAR COM AS CRIANÇAS PARA EU DORMIR!!!!

E no meio da frase eu já estava de pé e tinha corrido para junto das crianças. É, minha querida Kombi, comigo é assim, eu sou rápido à beça quando as pessoas começam a falar comigo em letras maiúsculas. Abraçado às crianças, enquanto recuperava o fôlego e um pouquinho de dignidade e amor próprio, eu inspirei e expirei até que o meu coração recuperasse o seu ritmo neurastênico de todos os dias. E durante esse processo de retomada, fiz uma retrospectiva mental do dia anterior, da semana, do mês e do ano e não me lembrei de ter combinado nadinha com a Patroa.

No entanto, como eu já estava de pé, eu não iria iniciar uma discussão por travesseiros e espaços no colchão. Tratei logo de ir brincar de brinquedos calmos com as crianças, brincadeiras inocentes e lúdicas, ideais para madrugadas de sábado tranqüilas e infalíveis como Bruce Lee: o xilofone, a bateria rítmica e o tecladinho chinês da feira dos importados.

Sim, minha querida Kombi de leitores argutos e circunspectos. O xilofone alcança apenas 140 decibéis na escala Richter, o que não chega a ser um verdadeiro incômodo. A bateria rítmica é um Olodum portátil sem Carlinhos Brown, mas não é nenhuma avalanche. Agora, até mesmo eu tenho que admitir que aquele tecladinho Hong Kong Fu foi uma provocação deliberada. Mesmo assim, não dou o braço a torcer. Desde então tenho insistido com a Patroa para que ela faça um curso rápido de “Controle da Raiva e Manutenção do Bom Humor em Manhãs de Sábado”.

Agora mesmo vou mandar uma mensagem para ela, lembrando que eles oferecem o dinheiro de volta em dobro para as pessoas que fizerem o curso e não conseguirem controlar a raiva. Eles nem falam do bom-humor. Ou seja, é investimento garantido. E o teclado Made In Último Imperador é imbatível como Bruce Lee. E só para chatear um pouquinho eu vou escrever assim, no final: “Pô, vê se não esquece, hein?”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O estranho caso do sumiço de visitas do Cazzo!




No dia 24 de outubro, o blog http://quecazzo.blogspot.com/ , também chamado de Que Cazzo é esse?!!, tido e mantido por uma turma de sociologistas e intelectualistas porretas situados na belíssima cidade de Recife, fez publicar a denúncia blogular e globular de que estavam faltando números e mais algarismos no contador daquela meritíssima bloguidade.

Foram espoliados de visitas de visitantes que já haviam visitado e marcado presença por aquelas virtualidades. Ficaram danados de escalafobéticos. Atoleimados, abismados, precipiciotados e bronqueados, soltaram verbos, subjuntivos, predicados e perdigotos eletrônicos por aquela paragem e por outras, de menor aderência.

Mesmo assim, colou. E muitcho.

Receberam dezenas de assinaturas suportadoras e apoiolísticas que muito inflaram e inflamaram os egos ególatras e egomaníacos daqueles cabras persecutores e executores de lábaros academicistas, superprofundistas e tatuzeantes.

Eu, inclusive, que pouco me interesso por umbigos e umbigadas alheias, nessa me aventurei com hipotemizações hipotéticas e considerativas, cheias de especulações obstetrícias, dentro do maior e mais bem quisto desejo de ver o nascedouro da verdadeira verdade. Não adiantou.

Jamais se soube, desde então, do destino dos famigerados visitantes, que sufrajaram com os ósculos de suas pegadas e rastros de navegações internetiárias, aquele sítio parafernálico de discussões, elucidações e misterismos narcolépticomplicados. Aqui, quase disse tudo, mas ainda falta um bocadinho.

É que passada mais de uma enfiada de uma semana de sete dias de mistério, já se passou para outro sem que o primeiro e mais importante fosse deveras clarificado com a transparência e translucidez esperada de cientistas fazedores de cientificismos e cientificidades.

Eu tenho nessas cientificitudes a maior das admirações e alumbramentos, não posso negar. Gosto em demasiadamente de complexicações estupefacilisérgicas, que ponham os meus neuromotores para elocubracelerações cosmicopulantes.

É.
Mas, de fato, não sei ainda o que aconteceu com o contador do Cazzo?!
Mas não importa. É só pretexto. Tenho saudades da encantamentoratória do Odorico Paraguassú, prefeito daquela fantástica cidade de Sucupira, da novela O Bem-Amado, de Dias Gomes.

Engraçado, nunca encontrei essa novela em DVD, ou em livro. O mesmo vale para Saramandaia, outro grande fenômeno de Dias Gomes. Um dos maiores criadores do imaginário desse país não teve a obra compilada e organizada com o carinho devido aos mestres. Por muito, muito menos, outro Zé virou cadeira e tese na Sorbonne.

domingo, 2 de novembro de 2008

É Massa! É Massa!

Foi o GP de F-1 mais emocionante dos últimos anos. Chuva ia, chuva vinha, e o Massa brilhava. Ponta a ponta, fora uma idas ao box, todas delirantes. Antes da bandeirada, já fiquei eufórico e berrando um tempão. Até que alguém me puxou a camisa e me avisou que o campeonato tinha sido conquistado pelo Hamilton na última curva. Putzgrilla!!! É Massa!

Cinco coisas que eu levaria numa fuga
Não. Não sou um fugitivo. E se fosse, seria um inocente, como o Doutor daquela antiga série. Aliás, não levo o menor jeito para culpado. Serei sempre inocente. Cordeiro, ao invés de lobo. Vítima, ao invés de algoz. Como diria o Escorpião ao espetar a Rã, “é uma questão de natureza”. E tenho até resistência a dizer a última palavra do título acima. Mas vamos supor que, por causa da crise, fosse obrigado a me distanciar rapidinho de onde estou, ainda que provisoriamente. Ou que fosse necessário sair de banda, pela direita, em velocidade espantosamente rápida para as minhas panturrilhas. Ou que eu precisasse zunir daqui, de onde estou, para alhures, onde não fosse conhecido e ali permanecesse incógnito.

Para fazer tudo isso ou qualquer uma dessas coisas, eu precisaria deixar pronto um kit-escape, que eu pegaria com a mão direita enquanto as minhas pernas fizessem zig-zig-zás me distanciando cada vez mais de onde estivesse. Nesse kit não levaria comida, nem dinheiro, nem cartões de crédito, nem outras coisitas óbvias e essenciais para a sobrevivência humana em qualquer lugar. Não. O objetivo desse kit-simanduca seria prover os meus momentos de ócio e tédio, alimentar o meu espírito, alegrar e apaziguar os meus tormentos mentais.

Pois então, essa seria a lista de cinco coisas que eu levaria:

1 – Caderno com capa dura e com elástico – já tenho um monte de Moleskines especialmente preparados. Mas também tive a pachorra de incrementar alguns Opus sem pauta, da Tilibra, com tiras de elástico cuidadosamente medidas e costuradas às capas.

2 – Lápis Staedtler 4B ou KOH-I-NOOR HARDTMUTH 1500 4B.

3 – Borracha Faber Castell.

4 – Caneta Gel Uniball Signo 0.7 .

5 – The Stories of John Cheever – Uma coletânea sensacional que eu ganhei, que custou apenas U$7,99.

Quando fiz o teste com o elástico do caderno, descobri que não dá para prender tudo isso. Então tive que comprar uma bolsa, pequena e leve, que coubesse essas coisas. Achei uma legal, com zíper. Vou cobrir a parte de fora com Scotch Gard, para impermeabilização. Depois que terminar, estarei definitivamente pronto para fugir, a qualquer momento.

Não.

Ainda precisarei de um mapa. Não se foge sem o mapa do lugar para onde a gente vai fugir. E para se ter o mapa, ainda será necessário escolher com muito cuidado o lugar ideal para a minha fuga.

Ainda vou precisar de mais alguns meses de planejamento.

sábado, 1 de novembro de 2008

Torcerei pelo Massa




Watchmen
Tenho grandes expectativas quanto à versão para o cinema desse quadrinho genial que é Watchmen, a graphic novel de Alan Moore(escritor), Dave Gibbons(ilustrador e letrista) e John Higgins(colorista). Li no ano de lançamento, em 1986. E foi uma das primeiras e melhores novelas gráficas a fixar residência na Rua da Minha Memória de Quadrinhos Legais. Vinte e dois anos depois, essa é uma rua que continua a crescer na minha cabeça, embora eu já não seja um consumidor de HQs tão compulsivo quanto antes. Vi um treiller do filme na Internet e foi surpreendente constatar que as imagens seguem exatamente o enquadramento sugerido pelo Dave Gibbons.

Já vi também um monte de fiascos baseados em quadrinhos geniais. Um exemplo foi a Liga Extraordinária, também escrita pelo mesmo Alan Moore e desenhada pelo Kevin O'Neill. O filme ficou sem pé nem cabeça e chato.


É Massa, é Massa, é Massa!
Não sei o resultado, escrevo no sábado à noite. Mas vou torcer pelo Massa. Espero que ele lidere a prova inteira e faça tudo certinho, do início ao fim. Também vou torcer para que o Barrichelo fique esperando o Hamilton alcançá-lo e depois, sem querer, faça o inglesinho sair da corrida, sem ferimentos.

Frase do dia