Franka não gosta de prolixos
Vou passar a escrever mais coisas curtas. Sei que a Franka vai gostar. Ela prefere postes curtos, já reparei. Ela só comenta post curtinho. É bem verdade que eu tenho mania de ser prolixo. Algumas pessoas já me falaram que eu sou prolixo pacas. Prolixo, aliás, é uma palavra tão feia que parece estimular uma economia de palavras. Qualquer um fica com medo de falar e escrever muito. Fico imaginando as minhas palavras escorrendo para o ralo, sendo ensacadas em plástico preto. Aí vem um caminhão e pegao os prolixos para jogar tudo num aterro. E aí eu saio correndo atrás do caminhão, porque no meio da bagunça, joguei fora umas palavras legais, que não posso perder. Tenho alguma admiração pelas pessoas que falam muito. Eu não tenho saliva para tanto. Mas as pessoas que falam muito me cansam um pouco, é verdade.
Uma colega durona
No trabalho, do outro lado da minha baia, tenho uma colega durona. Ela já foi marinheira. Deu duas voltas ao mundo. Eu escutei ela conversar com alguém da diretoria da escola de inglês do filho.
_É da diretoria? Olha aí, sou Fulana e meu filho, o Fulaninho, perdeu o livro de inglês. Eu não acho esse livro em lugar nenhum. Estou procurando há duas semanas. E a professora está constrangendo o meu filho na sala de aula. Avisa para ela que eu não vou tolerar isso. É. Não quero que meu filho fique sendo pressionado porque está sem o livro. Ele perdeu, caramba. Estava dentro de uma mochila. Ele perdeu a mochila, o livro, os games, tudo. Ou furtaram ele. Não sei. Ele só tem oito anos e não quer falar sobre isso. E ele já disse que não encontra o livro para a professora. Eu já disse para a professora. Mandei um bilhete. E essa moça não pode ficar dizendo “que coisa feia, todos os coleguinhas com livro e só você que não traz”. Ora, faça o favor. Não vou admitir isso. Vou tirar o menino dessa escola se ele continuar a sofrer esse tipo de pressão. É. Tem uma escola de inglês em cada esquina. Diz para ela agora, que é para parar com isso. Vou ligar de novo daqui a cinco minutos para ver se você já falou com a professora.
E cinco minutos depois ela ligou. Parece que falaram com a professora.
Bolsa acumula perda de 24% no ano
Mas só se fala em bolsa? A carteira também registra perdas de 80% a 90% todos os dias. O acumulado do ano é um prejuízo só. Dá pra mais de mil por cento, sem contar as gorjetas.
Cresce número de famílias chefiadas por mulheres
Lá em casa somos pioneiros desse tipo de chefiança. Somos uma família onde as mulheres mandam e os homens dizem “siiim, beem, tá bom, beem”, iguais às ovelhinhas de presépio.
Obama é do Barack-o!
Obama, deixa eu ir, Obama, eu vou só
Obama, deixa eu ir, para o sertão do Caicó
Comercial favorito
O primeiro aviso, é uma coceirinha.
O segundo aviso, é seu próprio pente.
Quando os seus cabelos começam a cair, não passe ridículo.
Use logo Capiloton - para a saúde dos seus cabelos.
Um produto: Bozzano!
A dieta de Steve “Metaleiro” Jobs
Primeiro ele fez o pessoal ralar até emagrecer o laptop. Ficou levinho, levinho. Aí ele inventou uma dieta para o Ipod Nano, que também perdeu um monte de peso. Ficou fininho, fininho. E dizem que satisfaz. O bolso do Steve, porém, está cada vez mais pesado. Heavy e vil metal.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A escuta do Careca

Nessa terra fantástica, se ninguém grampear o seu telefone, você não é ninguém. Aqui, nessa cidade, os grampos são símbolos de status. As pessoas se encontram nos elevadores dos edifícios mais chiques e comentam umas com as outras:
_Descobri três grampos nos telefones de casa. No trabalho eu nem conto. O único liberado era o Iphone, que comprei na semana passada. Mas até sexta-feira “eles” grampeiam.
_O meu já foi grampeado. Aliás, o meu blackberry tem tanto grampo que eu chamo ele de “blackpiercing”.
_Eu tenho grampo até no celular da empregada – diz um outro, orgulhoso.
_Dia sim, dia não, me grampeiam – fala um sujeito estranho, de sobrancelhas feitas.
_Ih, comigo é todo dia – diz outro sujeito, revirando os olhos igual à Dona Bella, da Escolinha do Professor Raimundo (Só pensa na-qui-lo).
_Eu só compro telefone pré-grampeado.
_Eu também. Se não fizer aquele barulhinho de grampo eu chamo a manutenção técnica e eles providenciam ao menos um grampinho estepe, imediatamente.
_Eu gosto de grampos discretos, para falar a verdade.
_Isso não existe. Grampo que é grampo tem que fazer um clic, ou outro.
_Já foi assim, mas não é mais. Hoje em dia, existem grampos super discretos, com acordes harmônicos em MP3.
Só eu fico calado, no meio dessas conversas. Não tenho paciência. Se alguém algum dia grampear o telefone do Careca só vai escutar conversa em código.
_Alô, já foi?
_Tô indo.
_Vai pegar?
_Vou.
_Então, tá, beijo.
_Beijo.
Se alguém achar que é grana, eu agradeço os pensamentos positivos.
Ou então:
_Benhê, tudo ok por aí?
_Tudo.
_Beijo.
_Smack.
Se alguém achar que é uma combinação perversa de sexo e Lei de Gerson, eu diria que é excesso de imaginação. Aí, um dos caras metidos a importantes do elevador vira para mim e pergunta:
_Nunca te grampearam?
_Nem pensar, bicho, comigo é na porrada – eu digo, exatamente como diria o Natal, meu amigo de fé, meu irmão, camarada.
Depois disso, pelo menos quando estou perto, não se fala mais de grampo no elevador.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Um monte de notas curtas
Levei o PC para consertar ontem. Aí fui escrever a caneta, em papel. E em papel, eu só escrevo coisa curtinha. Olha aí.
O desejo de ser intelectual do Careca
Passou. Meu desejo de ser intelectual já tinha mais ou menos uns 15 segundos. Aí eu vi uma propaganda de um Portable Playstation II, com o FIFA Soccer 2007 e desencanei. Passou, passou. E então eu voltei a me sentir melhor e mais feliz. Ser intelectual é muito triste. Tem que pensar. É difícil. Não vale o esforço, ser intelectual. E tem muita gente boa na concorrência. Também não vale a pena ser anti-intelectual. Tem muita gente que confunde isso com apologia à burrice, o que é bem diferente. Os apologistas da burrice nascem a cada segundo que passa, olha aí, já nasceu um monte desde que você começou a ler o parágrafo. Todos não vêem a hora de virar candidato.
Mais sobre a Tonga da Mironga do Kabuletê
Vinícius estava de porre em Itapuã. A língua estava tão seca e embolada que ele não conseguia falar coisa nenhuma. Estava incompreensível. Então ele pediu uma água de coco para Naninha, a filha de um legítimo compositor baiano. A menina entendeu errado e ficou tão ofendida que tentou acertar a cabeça de Vinícius com a moringa de barro. Mas acertou o toquinho do Toquinho. Desde então, Toquinho desenha, numa folha qualquer, um desenho amarelo...
Se você disser que eu desafino
Tem toda razão. Sou um dos caras mais desafinados que já passaram pela face da Terra. Eu desafino tanto que um dia fui desconvidado para cantar num karaokê. Eu tinha acabado de iniciar “Alô, alô, marciano” quando alguém gritou lá do fundo:
_No momento, não posso atender. Deixe o recado após o bip!
Cantando na chuva
Estou com vontade de cantar na chuva. Mas é preciso que chova. E com o soleil que está fazendo, é bem provável que não chova. Aliás, nem tem nuvem no céu.
Momento inesquecível ao som de Tim Maia I
“Na madrugada a vitrola rolando um blues
Tocando B. B. King sem parar
Eu sinto por dentro uma força vibrando uma luz
A energia que emana de todo prazer”
_Mas não era “trocando de biquíni sem parar”?
_É, Careca, você errou. A letra certa é “trocando de biquíni sem parar”.
Momento inesquecível ao som de Tim Maia II
“Na madrugada a vitrola rolando um blues
Trocando de biquíni sem parar
Eu sinto por dentro uma força vibrando uma luz
A energia que emana de todo prazer”
_Agora sim.
O desejo de ser intelectual do Careca
Passou. Meu desejo de ser intelectual já tinha mais ou menos uns 15 segundos. Aí eu vi uma propaganda de um Portable Playstation II, com o FIFA Soccer 2007 e desencanei. Passou, passou. E então eu voltei a me sentir melhor e mais feliz. Ser intelectual é muito triste. Tem que pensar. É difícil. Não vale o esforço, ser intelectual. E tem muita gente boa na concorrência. Também não vale a pena ser anti-intelectual. Tem muita gente que confunde isso com apologia à burrice, o que é bem diferente. Os apologistas da burrice nascem a cada segundo que passa, olha aí, já nasceu um monte desde que você começou a ler o parágrafo. Todos não vêem a hora de virar candidato.
Mais sobre a Tonga da Mironga do Kabuletê
Vinícius estava de porre em Itapuã. A língua estava tão seca e embolada que ele não conseguia falar coisa nenhuma. Estava incompreensível. Então ele pediu uma água de coco para Naninha, a filha de um legítimo compositor baiano. A menina entendeu errado e ficou tão ofendida que tentou acertar a cabeça de Vinícius com a moringa de barro. Mas acertou o toquinho do Toquinho. Desde então, Toquinho desenha, numa folha qualquer, um desenho amarelo...
Se você disser que eu desafino
Tem toda razão. Sou um dos caras mais desafinados que já passaram pela face da Terra. Eu desafino tanto que um dia fui desconvidado para cantar num karaokê. Eu tinha acabado de iniciar “Alô, alô, marciano” quando alguém gritou lá do fundo:
_No momento, não posso atender. Deixe o recado após o bip!
Cantando na chuva
Estou com vontade de cantar na chuva. Mas é preciso que chova. E com o soleil que está fazendo, é bem provável que não chova. Aliás, nem tem nuvem no céu.
Momento inesquecível ao som de Tim Maia I
“Na madrugada a vitrola rolando um blues
Tocando B. B. King sem parar
Eu sinto por dentro uma força vibrando uma luz
A energia que emana de todo prazer”
_Mas não era “trocando de biquíni sem parar”?
_É, Careca, você errou. A letra certa é “trocando de biquíni sem parar”.
Momento inesquecível ao som de Tim Maia II
“Na madrugada a vitrola rolando um blues
Trocando de biquíni sem parar
Eu sinto por dentro uma força vibrando uma luz
A energia que emana de todo prazer”
_Agora sim.
O grande crash do Careca e a nudez
Não foi culpa minha, galera. Eu tentei. Mas no domingo à noite, o micro simplesmente havia partido desta para outra. Quando cheguei em casa, tudo funcionava, menos o HD. E ao invés de ficar dando murro em ponta de faca, relaxei, abri uma lata de refrigerante e fui assistir TV com a Patroa. No domingo à tarde, eu passei umas três horas pulando com as crianças na piscina, o que provocou um sono imediato nas pequenas criaturas. Às sete e trinta, quando voltamos da casa dos avós, elas estavam dormindo muito bem, obrigado. E o computador não funcionou. Devido ao cheiro característico de fio torrado, intuí que a fonte tinha queimado. Vive queimando coisa aqui em casa.
_Ué, não vai escrever? – a Patroa perguntou, assim que me sentei ao lado dela, no sofá da sala. Fazia pelo menos uns quarenta domingos que eu não me sentava na sala à noite, para ver TV. Ela nem levantou os olhos, concentrada, enquanto fazia as alças das lembrancinhas que serão distribuídas na festa da princesa, no próximo sábado. As meninas vão ganhar bolsinhas lindas, cor-de-rosa, cheias de guéri-guéri e lacinhos. Os meninos vão ganhar sacolas de pirata bem machos, com caveiras e tudo.
_Deu pau no micro – eu disse, olhando para a televisão. Estava passando um filme dublado. Desacostumei de ver filme dublado. Comecei a ficar aturdido com a desconexão lábio-vocal. Além disso, algumas vozes, visivelmente não combinavam.
_Que filme bom é esse, benhê? – eu aprendi a fazer perguntas para a Patroa há muito tempo.
_É o único filme dublado que está passando. Se eu tirar o olho da costura, espeto o dedo e não consigo terminar as lembrancinhas – explica a Patroa.
_Essa TV tem um som bom, né, benhê? Eu também gosto muito de escutar TV. É melhor que escutar rádio, né? – continuei a importunar.
_Tudo bem, pode mudar de canal.
_Acho que eu vou ver o jogo da Seleção Brasileira de Futebol contra El Chile. Você se importa?
_Não, pode mudar – ela disse, ainda super concentrada no trabalho manual.
E foi assim, minha querida Kombi de leitores, que eu passei a noite do domingo. Com preguiça.
Confesso que senti um enorme remorso por não estar preenchendo o blog com informações tão relevantes quanto essas que vocês acabaram de ler.
Mas desencanei.
Confesso que pensei muito em contar a piada que rolou na hora do almoço de domingo, depois que as mulheres e as crianças estavam distantes da mesa. Aí parei de pensar e resolvi contar mesmo. Leia abaixo.
Dois compadres estavam bem sossegados, fumando seus respectivos
cigarros. Um deles pergunta pro outro:
- Compadre, o quê que você acha desse negócio de nudez?
- Acho bom, ué!
O outro ficou assim, pensativo. E perguntou de novo:
- Você acha bom por causa de quê, compadre?
- Ué! É mió nudeis du que nu nosso...
_Ué, não vai escrever? – a Patroa perguntou, assim que me sentei ao lado dela, no sofá da sala. Fazia pelo menos uns quarenta domingos que eu não me sentava na sala à noite, para ver TV. Ela nem levantou os olhos, concentrada, enquanto fazia as alças das lembrancinhas que serão distribuídas na festa da princesa, no próximo sábado. As meninas vão ganhar bolsinhas lindas, cor-de-rosa, cheias de guéri-guéri e lacinhos. Os meninos vão ganhar sacolas de pirata bem machos, com caveiras e tudo.
_Deu pau no micro – eu disse, olhando para a televisão. Estava passando um filme dublado. Desacostumei de ver filme dublado. Comecei a ficar aturdido com a desconexão lábio-vocal. Além disso, algumas vozes, visivelmente não combinavam.
_Que filme bom é esse, benhê? – eu aprendi a fazer perguntas para a Patroa há muito tempo.
_É o único filme dublado que está passando. Se eu tirar o olho da costura, espeto o dedo e não consigo terminar as lembrancinhas – explica a Patroa.
_Essa TV tem um som bom, né, benhê? Eu também gosto muito de escutar TV. É melhor que escutar rádio, né? – continuei a importunar.
_Tudo bem, pode mudar de canal.
_Acho que eu vou ver o jogo da Seleção Brasileira de Futebol contra El Chile. Você se importa?
_Não, pode mudar – ela disse, ainda super concentrada no trabalho manual.
E foi assim, minha querida Kombi de leitores, que eu passei a noite do domingo. Com preguiça.
Confesso que senti um enorme remorso por não estar preenchendo o blog com informações tão relevantes quanto essas que vocês acabaram de ler.
Mas desencanei.
Confesso que pensei muito em contar a piada que rolou na hora do almoço de domingo, depois que as mulheres e as crianças estavam distantes da mesa. Aí parei de pensar e resolvi contar mesmo. Leia abaixo.
Dois compadres estavam bem sossegados, fumando seus respectivos
cigarros. Um deles pergunta pro outro:
- Compadre, o quê que você acha desse negócio de nudez?
- Acho bom, ué!
O outro ficou assim, pensativo. E perguntou de novo:
- Você acha bom por causa de quê, compadre?
- Ué! É mió nudeis du que nu nosso...
sábado, 6 de setembro de 2008
O toque de Sadim
Há uma época certa para tudo na vida, já me disseram. Mas já me disseram que um pedaço de pano de chão era pura seda e eu acreditei. Por isso, eu teimo em achar que não é nada disso. Não há tempo certo para nada. Somos todos aprendizes de nossas próprias existências efêmeras.
Houve uma época em que eu achava que eu tinha o Toque de Sadim. É Midas, ao contrário.
Eu conseguia transformar ouro em qualquer coisa sem valor. Eu tinha boas idéias, mas elas não produziam resultado algum.
Acho que evoluí um pouco. Mas aí volto a vacilar e fico achando que Sadim voltou. Ela e a minha insegurança, Isa. Essa dupla me azucrina um bocado.
O sábado passou rápido demais. Não fiz nem metade das coisas que deveria ter feito.
E estou morrendo de sono.
Terei de me estender mais no domingo e na segunda.
Houve uma época em que eu achava que eu tinha o Toque de Sadim. É Midas, ao contrário.
Eu conseguia transformar ouro em qualquer coisa sem valor. Eu tinha boas idéias, mas elas não produziam resultado algum.
Acho que evoluí um pouco. Mas aí volto a vacilar e fico achando que Sadim voltou. Ela e a minha insegurança, Isa. Essa dupla me azucrina um bocado.
O sábado passou rápido demais. Não fiz nem metade das coisas que deveria ter feito.
E estou morrendo de sono.
Terei de me estender mais no domingo e na segunda.
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